Sandra Oliveira[1]Mediadora, investigadora e membro da cooperativa 4Change (ONGD).
Lembro-me muito bem da primeira vez que participei num encontro da Comunidade Sinergias ED – ainda não se chamava assim mas já era uma comunidade. Foi na sala do CUPAV, ali no Lumiar, com a FGS e o CEAUP a organizarem o encontro das pessoas mais diversas que trabalhavam em Educação para a Cidadania Global (ECG). Na altura o grupo ED da Plataforma Portuguesa das ONGD (Plataforma) estava bastante reduzido e há muito tempo que não havia escolas de verão de ED. E naquele momento foi precisamente uma sensação de pertença, de me sentir em casa, que me envolveu.
E não foi apenas pelas muitas caras conhecidas na sala, que conhecia das parcerias e de co-organização de ações, de alguns anos a trabalhar em ED e também colaborações pontuais em Cooperação. Mas a sensação de casa aconteceu também precisamente porque ali estavam pessoas desconhecidas.
Estranho? Talvez não. Foi emocionante ao longo destes anos conhecer muitas pessoas que partilham de realidades diferentes, mas com objetivos semelhantes – e daí veio este sentimento de “casa”. Foi perceber o que nos faz falta no dia-a-dia: a emoção de saber que não estamos sozinhas, que há mais pessoas que querem e que têm urgência em partilhar, discutir, trocar sobre o que nos une e o que queremos fazer melhor nesta Cidadania Global.
São ONGs, associações e projetos coletivos de outros pontos do país, que abrem a nossa visão de mundo, tantas vezes limitada a Lisboa, Porto e arredores. São escolas, universidades, politécnicos (e agora universidades politécnicas) que ficámos a saber terem trabalho firme e intenções certeiras que apoiam as evidências e o impacto da ECG. São recém-chegados ao mundo associativo ou educativo, que querem saber mais, perceber o que acabaram de descobrir, às vezes em voluntariado, às vezes em prática ativista ou académica – e esta recepção e partilha é fundamental. Como para mim foi essencial há muitos anos atrás ir a escolas de verão (do DEEEP e da Plataforma) para sentir esta comunidade e aprender com quem já seguia caminhos feitos de inquietações e de co-construção coletiva permanente.
Esta partilha, ao longo de 13 anos, tocou muitas vezes nos pontos fundamentais da ECG que mais me tocam – o envolvimento das pessoas com menos ferramentas para participarem; como funciona a mediação ou facilitação de processos participativos; o que é isto de participação e partilha, de aprendizagem e de valorização do conhecimento das pessoas.
Vieram por isso alguns artigos e outros encontros internacionais, muitas partilhas, uma plataforma poderosa, muitas leituras saborosas – mas este momento inicial de pertença é o que fica. E me faz regressar sempre – e tomar uns momentos para, no meio da correria, partilhar este sentimento convosco. #Estamosjuntas – como se diz mais a Sul.