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Vanessa Andreotti 1, Sharon Stein 1, Dino Siwek 2, Camilla Cardoso 2, Tereza Caikova 1, Ubiracy Pataxó 3, Benicio Pitaguary 4, Rosa Pitaguary 4, Ninawa Huni Kui 5, Elwood Jimmy 6

 

Resumo: Neste artigo, revisamos aprendizados de nossos esforços colaborativos para o engajamento com decolonização em diversos contextos educacionais. Para isso, consideramos múltiplas interpretações sobre decolonização e múltiplas dimensões de teorias e práticas decoloniais - em particular as dimensões ecológica, cognitiva, afetiva, relacional e econômica. Ao invés de oferecer definições normativas ou prescrições, procuramos fomentar uma ampliação da sensibilidade para potenciais circularidades, curto-circuitos e contradições do pensamento crítico, e identificar oportunidades e aberturas para experimentos coletivos contextualizados e responsáveis, em direção a outras possibilidades de (co)existência. Dessa forma, enfatizamos uma abordagem pedagógica para a decolonização que reconhece o papel do inconsciente, da complexidade, da cumplicidade e das incertezas neste tipo de trabalho.

Palavras-chave: Decolonização, Pedagogia, Modernidade, Colonialismo.

 

Resumen: En el presente artículo, revisamos aprendizajes derivados de nuestros esfuerzos colaborativos para el compromiso con la descolonización en diversos contextos educativos. Para eso, consideramos múltiples interpretaciones sobre descolonización y múltiples dimensiones de teorías y prácticas descolonizadas – en particular, las dimensiones ecológica, cognitiva, afectiva, relacional y económica. En lugar de ofrecer definiciones normativas o prescripciones, procuramos fomentar una ampliación de la sensibilidad para potenciales circularidades, cortocircuitos y contradicciones del pensamiento crítico, e identificar oportunidades y aberturas para experimentos colectivos contextualizados y responsables, hacia otras posibilidades de (co)existencia. Así, enfatizamos un abordaje pedagógico para la descolonización que reconoce el papel de la complexidad, de la complicidad y de las incertidumbres en este tipo de trabajo.

Palabras-clave: Descolonización; Pedagogía; Modernidad; Colonialismo.

 

Abstract:  In this paper, we review learnings from our collaborative efforts to engage with decolonization in various educational contexts. For this, we consider multiple interpretations of decolonization and multiple dimensions of decolonial theories and practices - in particular the ecological, cognitive, affective, relational and economic dimensions. Rather than offering normative definitions or prescriptions, we seek to foster greater sensitivity to potential circularities, short-circuits, and contradictions of critical thinking, and to identify opportunities and openings for contextualized and responsible collective experiments toward other possibilities of (co) existence. Thus, we emphasize a pedagogical approach to decolonization that recognizes the role of the unconscious, complexity, complicity and uncertainties in this type of work.

Keywords: Decolonization; Pedagogy; Modernity; Colonialism.

 
 

Faz mais de 6 anos que Eve Tuck e K. Wayne Yang (2012) publicaram um texto importante que foi muito divulgado no Canadá, “Decolonização não é uma Metáfora”. O argumento de “que a linguagem da decolonização 7 foi adotada superficialmente no campo da Educação e de outras Ciências Sociais” (p.2) é muito relevante também em outros contextos onde o termo ganha popularidade. Muitos dos esforços recentes para transformar o sistema de ensino superior canadense, por exemplo, são articulados a partir da abordagem da decolonização. Outro exemplo é o Estado boliviano que incorporou a decolonização como um objetivo em suas leis educacionais. Existem atualmente conferências inteiras, além de livros e jornais académicos dedicados ao tema. O crescente interesse pela decolonização oferece numerosas oportunidades para o engajamento em análises estruturais e sistémicas e na criação de estratégias educacionais para imaginar e criar espaços para diferentes futuros decoloniais. No entanto, como apontam Tuck e Yang, existe uma ambivalência nesta crescente popularidade. Além da tendência de se reduzir decolonização a uma metáfora, o que sugere uma falsa promessa de transcender a colonização "sem abdicar de nada" (Jefferess,2012), nós percebemos também que decolonização tem sido frequentemente tratada como lugar e sujeito de consumo e acumulação nos quais pessoas buscam soluções dentro dos paradigmas existentes, dos desejos padronizados e das zonas comuns de conforto. Neste processo, hábitos de existência e padrões coloniais de relacionamento acabam sendo reproduzidos no exato momento em que poderiam ser perturbados. Como resultado desta circularidade crítica, muitas possibilidades decoloniais são prematuramente encerradas.

No contexto do trabalho do coletivo “Sinalizando rumo a futuros decoloniais” 8, já escrevemos extensamente tanto sobre o potencial generativo quanto sobre o potencial nocivo do engajamento com decolonização em contextos educacionais (Ahenakew, 2016; Ahenakew, Andreotti, Cooper & Hireme, 2015; Ahenakew & Naepi, 2015; Andreotti, 2016; Andreotti, Stein, Ahenakew, & Hunt, 2015; Andreotti, Stein, Sutherland, Pashby, Suša, Amsler, & the Gesturing Towards decolonial Futures Collective; Naepi, Stein, Ahenakew, & Andreotti, 2017; Stein & Andreotti, 2016, 2017; Stein, 2018; Stein, Hunt, Suša, & Andreotti, 2017). Em nossas pesquisas, no ensino e no engajamento comunitário com o tópico, estivemos menos preocupados em oferecer definições normativas sobre decolonização, ou em criar uma prescrição para planos de ação, e mais orientados para o desenvolvimento de sensibilidades a potenciais circularidades críticas e atalhos (o que chamamos de “radares decoloniais”), e para identificar oportunidades e aberturas a experimentos coletivos e contextuais que encenem diferentes formas de relacionamento e diferentes possibilidades de existência, sem oferecer qualquer tipo de garantia. Isto é, estes experimentos são levados adiante com um senso de humildade que reconhece que provavelmente iremos apenas apontar na direção da decolonização cometendo erros que por sua vez oferecem importantes oportunidades de aprendizagem. Esses aprendizados podem ser úteis para outros educadores com uma orientação decolonial em seu trabalho, e também para aqueles comprometidos em trabalhar com e através dos desconfortos, desafios e contradições inerentes a este tipo de prática pedagógica. Por isso, embasamos este artigo em nossos próprios esforços colaborativos para vislumbrar e apontar rumo a futuros decoloniais. Nesta proposta pedagógica, reconhecemos o papel do inconsciente, da complexidade, da cumplicidade e das incertezas, e utilizamos múltiplas interpretações e dimensões teóricas e práticas decoloniais - em particular, suas perspectivas ecológica, cognitiva, afetiva, relacional e económica.

Começamos este artigo revisando nossos trabalhos anteriores em língua portuguesa (Andreotti, Pereira, Edmundo, 2017; Andreotti, 2018; Andreotti, Stein, Susa, Coletivo, 2019) de mapeamento de teorias de mudanças sociais em relação a esforços existentes de decolonização, para ilustrar como o uso de "cartografias sociais” 9 cria possibilidades para uma abordagem pedagógica, ao invés de prescritiva, sobre decolonização. Após elaborarmos como a tendência consumista, dirigida por hábitos coloniais, apegos e vícios afetivos/cognitivos, pode se manifestar em quaisquer destas teorias, introduzimos uma metáfora - "a construção da casa da modernidade" (Andreotti, Stein, Susa, Coletivo, 2019) - a qual temos utilizado e desenvolvido em diferentes contextos para nos ajudar a compreender como as incertezas e instabilidades do presente oferecem precárias aberturas para um engajamento mais aprofundado com teorias decoloniais de mudanças e suas implicações, assim como com as dimensões afetivas da transformação. A seguir, contrastamos as potenciais circularidades dos desejos baseados no consumo com o anseio por tipos diferentes de conexões e formas de existência, e enfatizamos a importância de se dirigir a estes anseios enquanto permanecemos conscientes das sempre presentes armadilhas da reprodução dos hábitos de existência coloniais normalizados. Posteriormente, revisamos alguns dos aprendizados de nossos próprios esforços em se engajar com possíveis alteridades, introduzindo uma estrutura composta de cinco múltiplas dimensões de justiça global articuladas de forma integrada. Concluímos este artigo com perguntas para nos ajudar a analisar os vários desafios sociais, políticos e ecológicos a partir de uma perspectiva intelectual, somada a um conjunto de orientações afetivas que podem nos permitir compostar hábitos cognitivos/afetivos nocivos e reconstruir hábitos mais saudáveis de saber, de ser, de querer e de se relacionar.

 

Pensando Pedagogicamente com/por meio da Decolonização usando Cartografias Sociais

Todo o diagnóstico sobre o presente contém em si mesmo uma visão sobre um futuro preferível, implicitamente ou não. Juntos, um diagnóstico e sua proposição resultam em uma teoria de mudança. Enquanto é cada vez mais comum imaginar mudanças sociais através da lente da decolonização, existe uma considerável diversidade de análises precisamente sobre o que constitui colonização, e como podemos promover a decolonização. Ainda assim, propostas que possibilitem futuros decoloniais nem sempre seguem de forma lógica ao diagnóstico da colonização, particularmente em um contexto contemporâneo no qual a autoridade epistêmica é crescentemente descentralizada, condicionada por conflitos identitários, e frequentemente contraditória, e as opiniões individuais são forjadas mais por conveniência e leituras seletivas do que por modelos teóricos coerentes, orientações políticas ou valores imutáveis (Bauman, 2000). Ademais, notamos ainda uma lacuna significante entre intenções expressas e esforços reais de decolonização. Por reconhecer as lacunas comuns entre o dito e o feito, a natureza polarizante das conversas sobre colonialismo, e o risco de circularidades envolvido nos esforços para mudanças sociais, nossa estratégia para o engajamento com diferentes teorias decoloniais sobre mudança tem sido primordialmente pedagógica, ao invés de prescritiva. Isso é, ao invés de afirmar qualquer diagnóstico ou proposição particular como única abordagem ética ou viável para decolonização, nós buscamos convidar para um engajamento com uma gama de possibilidades, particularmente usando metodologias de cartografia social, nas quais abordagens contrastantes para um problema comum são mapeadas, e suas intenções políticas e filosóficas identificadas e desconstruídas, de modo a trazer luz a suas escolhas onto-epistemológicas (Andreotti et al., 2016 Paulston, 2000; Susa & Andreotti, 2019).

Em nossa experiência, cartografias sociais podem auxiliar pessoas a esclarecer as condições e particularidades de seus próprios contextos, aprendendo a ficar com as contradições sem tentar resolvê-las de imediato. Cartografias contribuem com a profundidade e o rigor de processos intelectuais orientando-os através de generosidade crítica, atenção a diferenças, contradições e auto-implicação, evitando assim soluções simplistas para problemas complexos. Ao mesmo tempo, as cartografias criam espaço para amplitude e integridade dos processos afetivos e relacionais envolvidos ao enfrentarmos os desafios atuais em todas suas dimensões, e para andarmos (e tropeçarmos) juntos em direção a outras possibilidades, sem tentar com isso determinar de antemão a forma de caminhar ou o destino desejado. Ademais, esses processos acontecem com respeito ao ritmo de aprendizagem de cada pessoa, ao mesmo tempo que mantém um senso de responsabilidade com aqueles afetados negativamente por estes ritmos e aprendizados, dadas a extensão e a urgência dos desafios enfrentados. Em última instância, a intenção é apoiar pessoas a criar e tomar responsabilidade por suas próprias decisões sobre como lidar com desafios dentro de seus próprios contextos.

Tudo isso se traduz em processos pedagógicos inter relacionados que podem ajudar a trabalhar com/através de posições divergentes sobre de/colonização, incluindo:

  • Identificar diferentes diagnósticos de colonização e proposições para decolonização a partir de cada diagnóstico (ex: diferentes teorias de mudança);
  • Rastrear as suposições, investimentos e histórias por trás das diferentes teorias decoloniais de mudança, desalojando investimentos e interpretações existentes, para questionar o que cada uma delas permite e interdita;
  • Pensar de forma (auto) reflexiva e sistêmica sobre nossas relações individuais e coletivas com estas suposições, investimentos e histórias para convidar a curiosidade, reflexividade, abertura e a expansão das sensibilidades;
  • Trabalhar com e através dos limites, tensões e contradições entre diferentes teorias de mudança, reconhecendo a parcialidade de cada uma delas; 
  • Convidar (de forma responsável) experimentações com possibilidades decoloniais a partir de um lugar de humildade, consciência histórica, generosidade e auto-implicação.

Para ilustrar o uso destas cartografias, vamos agora revisar uma versão de uma das cartografias "raiz" que primeiro utilizamos no artigo “Mapeando Interpretações sobre Decolonização no Ensino Superior” (Andreotti et al., 2015) 10, a qual temos continuamente revisitado e revisado em resposta a mudanças de contexto e de audiência. Aqui, retornamos a essa cartografia com um foco renovado, com o qual podemos identificar e interromper padrões de decolonização orientados por desejos de consumo baseados em hábitos coloniais de existência, de modo a que possamos reorientar esforços decoloniais para o que entendemos como um anseio por conexão baseado em outras possibilidades de (co)existência.

Esta cartografia é organizada ao redor de diferentes abordagens sobre a modernidade, para assim ilustrar como cada espaço de reforma identificado vê a relação entre modernidade e colonização de forma diferente - e portanto, oferece uma visão distinta da decolonização. Antes de revisarmos este mapa de diferentes abordagens, faremos uma breve revisão do significado da modernidade e o nosso entendimento de suas partes constituintes - que descrevemos utilizando a metáfora da "construção da casa da modernidade" (Stein et al., 2017; Andreotti et al., 2019).

Figuras 1 e 2 - A construção da casa da modernidade e seus custos escondidos

As fundações desta "casa da modernidade" são construídas em uma base de concreto que separa humanos do resto da natureza, criando uma escala de valores que compara e ordena estes seres supostamente separados de acordo com sua utilidade percebida. Umas das paredes da casa é representadas por azulejos compostos de valores Humanistas ocidentais e tradições de saberes do Iluminismo, recheadas de promessas de consenso e relevância universais. Na outra parede, a sustentação é feita pelos Estados-nação, os quais prometem segurança através dos mecanismos de fronteira, direitos e homogeneidade nacional. Os azulejos do teto da casa são o capitalismo global, organizado em camadas contínuas de crescimento econômico e consumo como indicadores de progresso e civilização. Enquanto a construção da casa da modernidade oferece promessas reluzentes, essas promessas são subsidiadas por uma camada subterrânea colonial: os custos externalizados e invisíveis de construir e manter a casa. Isso inclui expropriações históricas e atuais, roubos de terras, explorações, destituições, fome e má nutrição preveníveis, aprisionamentos, desapropriações, epistemicídios, ecocídios e genocídios.

A relação de alguém com a casa e seus esforços (ou falta de) em acessar suas promessas dependerá em parte de onde a pessoa se situa em relação a ela tanto no momento presente quanto aspiracionalmente (ex: contentamento com a existência no porão, monopolizando espaços nos andares do topo; buscando mobilidade do primeiro piso para o topo; na porta lutando para entrar; fora da casa, mas sem tentar entrar). Nós vamos retornar a esta metáfora mais adiante, quando discutirmos o que ela pode nos dizer sobre como lidar com desafios contemporâneos. Primeiro, porém, introduzimos outra cartografia para nos ajudar a visualizar as implicações de diferentes relações com a modernidade, que se desdobram em três diferentes abordagens para mudanças sociais: reforma sútil, reforma radical e "além" da reforma.

Figura 3 - Diferentes interpretações para decolonização no ensino superior


As abordagens para a decolonização articuladas de dentro dos espaços de reforma sutil (Soft-reform space) focam em incluir populações tradicionalmente marginalizadas nas instituições existentes. Nestes espaços, a colonização é primeiramente diagnosticada como um problema de exclusão das benesses da sociedade moderna: a mobilidade social oferecida pelo capitalismo; a ordem e o pertencimento oferecido pelos Estados-nação; a Razão universal e os valores oferecidos pelo Humanismo ocidental e as tradições iluministas de conhecimento; a autonomia, a autoridade e o individualismo possessivo oferecidos pela separação dos humanos da Terra e uns dos outros. A teoria de mudança que orienta a reforma-sutil é uma de ajustes metodológicos - a ideia de que os sistemas e estruturas aos quais habitamos são adequados, mas a forma como nos engajamos com eles necessitam de constantes atualizações para garantir melhorias contínuas em eficiência e eficácia. Embora as diferenças não sejam inteiramente omitidas, a inclusão é condicionada a um consentimento quanto a um horizonte de esperança orientado por objetivos compartilhados e coerência ao redor de um suporte contínuo para as normas sociais, políticas e econômicas existentes. O ideal aqui é incorporar formas de diferença que não façam diferença, para que aqueles que estejam sendo incluídos possam ser suavemente absorvidos pelas instituições existentes. Nesta abordagem, possíveis alternativas para organizar relações e recursos que desafiam essas normas são deslegitimizadas ou consideradas ilegíveis, e assim a única proposição possível passa a ser expandir o acesso às instituições existentes.

Em contraste com o espaço de reforma sutil, o espaço de reforma radical (Radical-reform space) identifica a colonização como um produto de representações excludentes e redistribuição inadequada - o que se traduz em questões não apenas relacionadas sobre o que fazemos em instituições modernas (ex: preocupações metodológicas), mas também como pensamos e justificamos o que fazemos (ex: preocupações epistemológicas). O diagnóstico da colonização é orientado por análises sistêmicas que criticam relações desiguais de produção de conhecimento, que por sua vez racionalizam distribuições desiguais de recursos, trabalho e valor simbólico. Essas desigualdades são tidas como um subproduto das estruturas de dominação da modernidade, e por isso, nesta proposição a única correção possível se dá  através de uma reestruturação radical das relações sociais. Porém, críticas a partir deste espaço tendem a desarticular e priorizar uma ou às vezes duas dimensões do colonialismo (ex: despossessão capitalista, racismo, heteropatriarcado, capacitismo, imposição da democracia liberal no formato Estado-nação) ao invés de entender as interconexões entre estas dimensões. Neste espaço, o horizonte de esperança mira os mecanismos modernos que produzem desigualdades duradouras com o intuito fundamental de refazer a modernidade em si. Assim espera-se que a criação de mais espaço para diferentes saberes, pessoas e experiências, e a realocação de recursos para apoiar esta presença, levará à transformação de uma instituição/sistema, ao invés destes saberes, pessoas e experiências serem absorvidos por uma instituição/sistema que de outra forma permaneceria imutável. Estratégias propostas para a decolonização nestes espaços incluem empoderar, amplificar e centralizar a voz de sujeitos marginalizados (ex: representação substantiva que vá além de mero tokenismo) e redistribuir recursos.

A distinção entre os espaços radicais e além da reforma (Beyond-reform space) se dá no reconhecimento por esse de que a adição de outras formas de saber e a redistribuição de recursos não será suficiente para mudar as infraestruturas que sustentam o sistema moderno/colonial. O colonialismo aqui não é entendido apenas como a ocupação de territórios, subjugação de povos, distribuição desigual de recursos ou formas de saber excludentes, mas como condição necessária à própria existência da modernidade. Assim, o colonialismo é visto como lado obscuro constituinte da modernidade: inerentemente extrativista, antiético e insustentável, e portanto, impossível de ser reformado. A partir desta perspectiva, adicionar múltiplas epistemologias na mesma fundação ontológica (moderna) será sempre uma estratégia limitada para interromper hábitos coloniais de existência (Ahenakew, 2016; Ahenakew et al., 2014; Kuokkanen, 2008). Isso não significa que reformas imediatas para instituições modernas - incluindo estratégias de redistribuição e representação - não sejam importantes, mas sim que em última análise, estas instituições não podem ser reformadas ou redimidas se o objetivo for acabar com a colonização.

Teorias de mudança enraizadas no espaço além da reforma são variadas, mas geralmente se encaixam em uma de três alternativas, sendo que cada uma delas oferece possibilidades e limitações (e podem também ser usadas em conjunto): "saída", “substituição”, "hackeamento", ou "cuidados paliativos." Aqueles que tentam "sair" do ou “substituir” o sistema moderno geralmente procuram alternativas aos sistemas e instituições modernas que ofereçam garantias. Isso pode incluir, por exemplo, esforços para desenvolver ou reaver epistemologias e/ou modos de organização social que foram ativamente reprimidos pela modernidade. Embora haja muito a aprender com este tipo de trabalho, alternativas comprometidas com uma garantia de desfecho desejada podem ainda estar enraizadas em ao menos algum dos desejos coloniais  (e.x. de certeza, progresso, inocência), e também podem ser romantizadas a um ponto no qual suas carências e inevitáveis erros e contradições sejam ignoradas. Ademais, a habilidade para optar por "sair" ou não do sistema precisa ser entendida em contraste com aqueles que não tem esta opção pois já estão de início estruturalmente excluídos do sistema e sujeitos a suas formas mais puras de violência - uma distinção que descrevemos como entre aqueles envolvidos em lutas de alta e baixa intensidade. Nenhuma delas é mais ou menos pertinente do que a outra - ambas são necessárias - mas a posição de alguém em relação a estas intensidades contrastantes deve informar o papel que cada um desempenha dentro de um projeto maior de decolonização.

Aqueles que se propõem a "hackear" as instituições modernas procuram redirecionar os recursos de dentro do sistema para nutrir outras possibilidades, sejam esforços educacionais para identificar os limites destas instituições, sejam suporte a sistemas alternativos (ou ambos). Esta abordagem pode ser entendida como uma abordagem "um pé dentro, um pé fora," que necessita que um determinado alguém "jogue o jogo" da instituição enquanto tenta curvar as regras para outros fins além da “vitória". Muitos bons trabalhos podem ser feitos por esta abordagem, mas é difícil perceber quando alguém está manipulando o sistema ou sendo manipulado por ele. Ademais, algumas pessoas operando neste espaço podem se posicionar do lado de fora das implicações do sistema de modo a focalizar em uma resistência individual e falhar em atender à cumplicidade estrutural no dano causados pelo sistema.

A última proposta além-da-reforma é a que nomeamos "cuidados paliativos", que reconhece o inevitável fim das antiéticas e insustentáveis instituições da modernidade, mas vê a necessidade de propiciar uma "boa" morte, na qual importantes lições são aprendidas através dos erros do sistema convalescente, lições essas que podem ser aplicadas enquanto testemunhamos e ajudamos a parir o nascimento de algo diferente. Esta abordagem também requer que apliquemos cuidados paliativos aos nossos próprios investimentos nas promessas da modernidade, sem rejeitar reativamente a modernidade nem tentar controlar os termos de sua dissolução, o que pode paradoxalmente reproduzir muitos padrões coloniais de consumo, mas através de processos auto-implicados de enfrentamento de nossos próprios desejos e hábitos de existência coloniais. Na interface entre estas mortes e nascimentos está o imperativo de andar firmemente no "olho da tempestade" sem saber claramente para onde se está indo: mova-se muito rápido ou muito devagar, e poderá ser varrido e atirado no vórtice da mudança. Nós elaboramos mais sobre estes cuidados paliativos posteriormente no artigo.

 

Interrompendo as circularidades coloniais enquanto a “Casa da Modernidade” definha

Por mais que consideremos importante entender a significativa diferença entre estas teorias de mudança decoloniais - isto é, os diagnósticos de colonização e as propostas para decolonização - em todos esses anos trabalhando com esta cartografia, percebemos cada vez mais sua importância também para entender como estas teorias são mobilizadas e encenadas. Em particular, notamos que devido à forma como muitos de nós fomos socializados dentro dos hábitos de existência coloniais dos sistemas e instituições modernas, há uma necessidade de analisar não apenas as dimensões intelectuais da de/colonização, mas também suas dimensões afetivas e relacionais. Nós descobrimos que independentemente de onde alguém esteja localizado dentro do espectro "sutil-radical-além", apenas articular ou se alinhar a uma crítica intelectual sobre a colonização não imuniza este alguém de reproduzir desejos e hábitos de existência modernos/coloniais. Identificamos estes padrões de forma recorrente tanto em contextos educacionais diversos como dentro de nós mesmos. Particularmente, observamos nossas próprias dificuldades em quebrar esses padrões, apesar das nossas sinceras intenções em imaginar e agir de forma diferente.

Esses hábitos e desejos podem ser pensados como viciantes, no sentido de que são difíceis de serem interrompidos mesmo quando sabemos de seu potencial nocivo (para os outros e para nós mesmos), uma vez que são de alguma forma aprazíveis, e/ou oferecem algum alívio, independentemente do quão temporários estes prazeres ou alívios podem ser e do dano que podem causar (Kapoor, 2014). É portanto não (apenas) a falta de informações que leva à reprodução do colonialismo, mas também os investimentos afetivos duradouros em suas promessas e prazeres. Por isso, sugerimos que qualquer pedagogia decolonial precisa endereçar, com crítica e compaixão, os apegos e direitos afetivos percebidos que formam as bases dos hábitos e vícios de existência coloniais, tanto nos outros como em nós mesmos - em particular, desejos comuns de:

  • Auto-transparência (através da presunção de que podemos ser completamente honestos conosco e com os outros sobre nossos desejos, intenções e investimentos);
  • Teleologia/progresso (através de movimentos lineares em direção a objetivos pré-definidos);
  • Afirmação (da bondade/valor/virtude/merecimento/excepcionalismo de alguém);
  • Inocência (através da desidentificação com a cumplicidade no dano);
  • Certeza (através de respostas claras e resultados garantidos);
  • Liderança/controle/autoridade canônica (sobre a direção e o caráter da mudança);
  • Consenso/coerência (como pré requisitos para relacionamentos e colaborações);
  • Individualismo/autonomia (em que a interdependência com e a responsabilidade para outros seres não é uma opção inerente - ex: baseada no livre arbítrio).

Quando esses desejos não são atendidos, podem surgir sentimentos de frustração, falta de esperança e traição, que por sua vez podem resultar em diversas demonstrações de  fragilidades e até de violência material. Pensando pedagogicamente, se estes desejos não são identificados, interrompidos e "compostados", isto é, transformados em algo diferente e mais generativo, então a decolonização em si ou sofrerá uma resistência completa, ou será empacotada em processos, experiências ou expressões que podem ser prontamente consumidas de forma a apaziguar estes desejos e até produzir algum benefício a curto prazo, mas que farão pouco para interromper as nocivas estruturas subjacentes. Em outras palavras, enquanto o trabalho intelectual de traçar os contextos e histórias sociais, políticos e econômicos que moldaram o presente colonial são partes vitais de qualquer esforço de decolonização, apenas aprender sobre as relações coloniais de poder não interrompe os modelos dominantes de saber, ser, querer, desejar e ter esperanças que são continuamente refeitos através destas relações.

Apesar (ou talvez por causa) de nosso reconhecimento a estas circularidades e curto-circuitos, permanecemos comprometidos com estratégias de engajamento com os horizontes possíveis de decolonização, particularmente de forma a manter estas circularidades visíveis sem sugerir cinicamente sua inevitabilidade. Parte deste compromisso de longo prazo vem das observações nossas e de outros sobre o estado atual da "casa construída pela modernidade". As formas dominantes de organização políticas, econômicas e ecológicas estão começando a atingir seus limites internos. Embora a vida para aqueles vivendo dentro da casa sempre tenha sido subsidiada pela exploração e expropriação daqueles vivendo fora da casa, no porão da casa, e também por um crescente número de pessoas dentro da casa, a estrutura da casa aparenta estar cada vez mais precária e instável: o cimento de sua fundação está rachando, o teto está com goteiras e um mofo originado no porão está subindo para os outros andares. Apesar da casa estar começando a tremer, cada vez mais pessoas formam filas à sua porta, uma vez que o impacto da casa no planeta na qual ela existe (e do qual extrai seus recursos, e para o qual despeja seu lixo tóxico) se torna mais e mais perturbador para aqueles vivendo do lado de fora (seja por opção ou forças de exclusão), muitos dos quais historicamente providenciaram involuntariamente o trabalho e os materiais para a construção e manutenção dela.  Como resultado, as promessas da casa de certeza, segurança e igualdade de oportunidades para competir a uma posição dentro da casa - ex: uma classe média global - parecem cada vez mais improváveis e insustentáveis. Enquanto muitos estão em negação quanto ao seu frágil estado, aqueles que notam as rachaduras têm uma gama de reações, que podem ser mapeadas em relação à abordagem sobre a modernidade, de/colonização e relativas teorias de mudança. 

Figura 4 -  Danos estruturais na casa construída pela modernidade

 

Aqueles que não são críticos à modernidade e acham que seus direitos estão em risco de serem retirados podem procurar elevar as portas da casa construída pela modernidade, ou até ativamente expulsar quem parece retirar mais recursos do que contribuir - geralmente aqueles difamados por narrativas herdadas, sejam elas nacionalistas, raciais de superioridade/inferioridade e meritocráticas. Pessoas nesta posição de "não crítica" podem inclusive tentar intensificar as crises da casa em um esforço para criar pânico e exacerbar o medo, e posteriormente, instrumentalizar estas emoções para justificar políticas ainda mais draconianas. Desnecessário dizer que esta posição não só não tem interesse, mas em muitos casos é também abertamente hostil a decolonização. Para aqueles nos espaços de reforma sutil, embora considerem a necessidade de eventualmente remendar ou substituir algumas partes da casa, em última análise não é percebido por eles nenhuma ameaça para sua existência no longo prazo, nem concebida qualquer alternativa possível de refúgio para substituí-la. Já quem está nos espaços radicais de reforma  pode ver o presente como uma oportunidade de remodelar completamente a casa - adicionando painéis solares e expandindo-a para comportar mais gente, usando materiais "verdes". Entretanto, eles tendem a continuar acreditando que a casa tem uma boa estrutura, que sua manutenção não depende da violência sistêmica e que a casa permanecerá de pé por muito tempo ainda. Finalmente, aqueles em um espaço além da reforma diagnosticam uma insustentabilidade intrínseca no longo prazo, e por isso veem a necessidade de se olhar para além dos horizontes de esperança e mudança orientados pelo Capitalismo global, pelos Estados-nação, pela Razão e Valores universais, pelo antropocentrismo/separação e pela mobilidade social enquanto propósito de vida.  Deste espaço, originam-se diferentes posições: a abordagem de "sair do sistema" propõe substituir a casa por um outro tipo de casa que possa oferecer o mesmo tipo de segurança oferecida pela casa anterior, usando um modelo revisado - isso é, uma casa diferente mas com garantias. As abordagens de hackear e oferecer cuidados paliativos podem considerar necessário experimentar com outros tipos de abrigo, inclusive modificando os propósitos dos recursos materiais da casa, enquanto ao mesmo tempo alargam as rachaduras da casa para convidar as pessoas a vislumbrarem essas outras possibilidades e se engajarem em medidas para a redução imediata de danos para os mais vulneráveis.

Dadas as potenciais circularidades e sobreposições que ocorrem em e entre os espaços de reforma sutil, radical e além da reforma, muitos de nossos esforços pedagógicos são devotados a criar oportunidades de aprendizagem através das quais as pessoas podem não apenas encontrar e se engajar com diferentes críticas intelectuais do colonialismo, mas também trabalhar através de seus investimentos duradouros em hábitos coloniais de existência e suas relações com a modernidade. Por exemplo, muitas pessoas em cada um destes espaços - independentemente de suas teorias de mudança preferidas - investem afetivamente em um processo de transformação linear e prescritivo. Raramente as pessoas estão interessadas em ficar com as dificuldades e confusões da decolonização (sem procurar receitas ou respostas fáceis), ou em aprender a trabalhar com e através de suas próprias cumplicidades (sem procurar inocência para não serem dirigidos pela culpa e pela busca da absolvição ou pureza). Em outras palavras, até quando começamos a perceber que há um problema com o sistema que herdamos, nossa crítica tende a buscar atalhos (Hunt, 2018). Ao invés de se comprometer com processos de longo prazo de digerir e compostar nossos medos, negações e vícios que alimentam o sistema, para assim aprender com erros repetidos e gerar o adubo que pode nutrir diferentes futuros, a crítica é canalizada em um processo imediatista de consumo que gratifica aqueles medos, negações e vícios. Em última instâncias, o consumo da crítica evita um aprofundamento da responsabilidade sobre a saúde e o bem-estar do metabolismo mais amplo, e assim fecha as portas para outras possibilidades de (co)existência.

Enquanto, por um lado, as incertezas do presente podem levar alguns a serem mais abertos a possibilidades alternativas e experimentarem o trabalho difícil e desconfortável de digerir e compostar, a ausência de pisos seguros pode também apenas reforçar o desejo para certos resultados a partir destas alternativas (e assim, consumir a crítica de forma a alimentar os investimentos e vícios coloniais). Por exemplo, em espaços de reforma sutil, as pessoas desejam "marcar a alternativa" da decolonização de maneira a permitir sentirem-se bem e passarem para as questões que percebem como mais importantes, urgentes e universais. Na reforma radical, por vezes existe um desejo problemático de posicionar-se como um líder virtuoso da transição, encobrindo a própria cumplicidade estrutural, apagando a dimensão coletiva do trabalho decolonial e falsamente presumindo um caminho claro de mudança racionalmente definido. E nos espaços além da reforma, o sentido de urgência ao redor da casa colapsando pode levar à tentativa de apressar o processo de compostar os elementos antigos, de derrubar a casa antes que ela esteja pronta a cair e de apressadamente construir alguma outra coisa, levando potencialmente a uma falha em aprender as lições necessárias, que consequentemente podem apenas ser repetidas na próxima forma de abrigo.

Nosso reconhecimento a estes padrões problemáticos de resposta à instabilidade da casa é temperado pelo reconhecimento de que uma crescente desilusão com as suas promessas cria uma importante abertura para transformações e para o desdobramento de outras possibilidades de existência, embora tenhamos consciência de que algumas alternativas à casa construída pela modernidade podem ser ainda mais danosas do que a própria casa. Em nossa abordagem pedagógica sobre decolonização, olhamos para estratégias que não apenas convidem para espaços de curiosidade, abertura e possibilidade, mas que também cultivem a humildade, o vigor e a auto-reflexividade necessários para trabalhar através dos desafios do presente sem repetir circularmente os mesmos erros. Nós trabalhamos com e através das desilusões das pessoas, gentilmente apontando que se as ofertas da casa são ilusões, então no longo prazo a perda destas ilusões pode não ser algo ruim, mesmo se o processo for doloroso no curto prazo. Como parte deste processo, apoiamos o desenvolvimento de literatura crítica que possibilite às pessoas tomarem distância de suas respostas imediatas (diagnósticos de colonização e propostas de decolonização) para traçar sobriamente as raízes de suas desilusões com a casa, analisar a casa em si, e considerar diferentes medidas de curto, médio e longo prazo. Mas também apontamos para a possibilidade de possibilidades viáveis e inéditas que são percebidas como impossíveis por quem só conhece os parâmetros de existência dentro da casa.

De fato, reconhecemos que a desilusão com a casa pode ser baseada não apenas em uma crescente sensação de que suas promessas foram quebradas (ou talvez eram falsas afinal), mas também no sentido de que mesmo quando suas promessas são cumpridas, há uma insatisfação com a violenta separação forçada presumida e (re)produzida pela modernidade. Como Alexander (2005) argumenta, nosso sentido visceral de interdependência foi mutilado pelo colonialismo. Voltando à metáfora da casa “construída pela modernidade”, a fundação da separação entre humanos e a "natureza", e entre os seres humanos, causou essa sensação de rompimento da interdependência. Enquanto muitos entorpecem a si/nós mesmos para a dor resultante, Alexander afirma que o desmembramento e a fragmentação material e psíquica criados pelo colonialismo também produzem um "anseio por completude, constantemente expresso como um anseio por pertencer, anseio que é tanto material quanto existencial, tanto psíquico quanto físico, e que, quando satisfeito, pode subverter e até desalojar a dor do desmembramento” (p.281). Para Alexander, a fonte deste anseio é um "conhecimento profundo de nossa interdependência - nem separados, nem autônomos" (p.282). Embora a organização social moderna negue este entrelaçamento, ou esta "diferença sem separabilidade" (Silva, 2016), a atual era de incertezas oferece aberturas pelas quais é possível convidar pessoas que estão se sentindo desiludidas a considerar quais infraestruturas e padrões de existência operacionalizam esta sensação de separação, e assim traçar seus efeitos violentos e se encontrar com a possibilidade de organizar e orientar nossa existência de outra maneira, com o fato de que "outras possibilidades" são viáveis. Este trabalho é ainda mais urgente dado que muitas respostas para os desafios atuais buscam vigorosamente reproduzir as ilusões de separação para protegerem direitos percebidos. Porém é importante enfatizar a lição contida no dizer brasileiro de que em uma situação de enchente, só podemos começar a nadar quando a água chega no quadril: as possibilidades de decolonização viáveis exigem que o contexto colonial torne-se existencialmente ou politicamente inviável. Até lá a preparação pedagógica é um passo importante para lembrarmos (não só conceitualmente, mas corporalmente) que é possível nadar.

Portanto, ao invés de transmitir conhecimento e informações relativos ao que os estudantes devem ou não desejar, procuramos chamar atenção para como os desejos são geralmente alçados e alocados dentro da modernidade pelas economias intelectuais, afetivas e materiais de produção de valor. A intenção pedagógica é convidar educadores e educandos a considerar: Como nossa educação nos aprisionou em conceitualizações de (e relações com) linguagem, conhecimento, agência, autonomia, identidade, crítica, arte, sexualidade, terra, tempo, espaço, e ego… que moldam e restringem nossos horizontes e o que consideramos possível/inteligível/imaginável? O que restringe o que é possível sentir, entender, articular, querer e imaginar? Conforme notado em nossa discussão sobre cartografias sociais, este trabalho pedagógico não é politicamente prescritivo - ele não articula nem advoga por uma única teoria de mudança seja diagnóstico ou proposição (apesar de estar enraizado no diagnóstico de colonialidade enquanto separabilidade) - mas sim convida para o engajamento com múltiplas teorias diferentes a partir da profundidade e do rigor do engajamento intelectual, da amplitude e da integridade do próprio processo de aprendizagem, incluindo suas dimensões não-intelectuais (especialmente relacionais e afetivas).

Embora convidemos estudantes a distinguir entre os (frequentemente tóxicos) desejos alocados pela modernidade e o anseio sobre o qual fala Alexander, não podemos buscar coagir os estudantes a "rearranjar seus desejos" (Spivak, 2004) para uma direção em particular ou um resultado pré-determinado. Dito isso, também reconhecemos a importância de uma experimentação responsável com outras possibilidades de existência para fora da casa construída pela modernidade, que é o trabalho com o qual nos engajamentos em nossos papéis como pesquisadores. Nós discutimos isso na parte seguinte do artigo.

 

Aprender com Experimentos para Além do Horizonte da Casa

Sob o título de "Sinalizando Rumo a Futuros Decoloniais", trabalhamos em colaboração com outros pesquisadores, educadores, artistas e ativistas para investigar as seguintes questões: Como podemos aprender a tocar outras possibilidades de (co)existência viáveis mas ininteligíveis ou aparentemente impossíveis dentro dos paradigmas dominantes?  Que processos educacionais podem ultrapassar nossos hábitos sociais e respostas bioquímicas (medos, ansiedades, interesse próprio, narrativas, egos, tendências narcisistas, feridas, etc.), para ativar um senso de entrelaçamento visceral, responsabilidade, compaixão, humildade, generosidade e sobriedade (não dependentes da vontade ou da escolha intelectual), e abrir possibilidades/mundos viáveis, mas inimagináveis ou inarticuláveis dentro dos nossos sistemas de referência atuais? O que, para além de valores ou convicções compartilhadas, pode oferecer um antídoto à indiferença e gerar um senso de cuidado, conexão e compromisso com o todo?

Em um esforço para explorar possíveis respostas a estas questões, temos trabalhado com uma rede de iniciativas comunitárias sociais, ecológicas e educacionais, a maioria delas baseada na América Latina, cujos horizontes de esperança são orientados para além do capitalismo global, dos estados-nação, da razão/valores universais do ocidente e da separação (Andreotti et al., 2018). O diagnóstico destas iniciativas é de que a casa construída pela modernidade está entrando em colapso, e portanto nós precisamos gerar/regenerar modos de existência não determinados pelas quatro paredes da casa. Em nossos esforços de engajamento com estas iniciativas, reconhecemos a necessidade de não apenas aprender com os erros da casa, mas também de aprender com esforços duradouros e emergentes de vida fora da casa sem assumir que qualquer destes esforços terá alguma resposta universal. Nenhuma iniciativa isoladamente terá a "receita" certa de como podemos oferecer cuidados paliativos para a casa, ou como viver de forma diferente, mas elas têm muito a ensinar aos de dentro da casa por meio tanto de seus sucessos quanto de seus fracassos. Portanto, olhamos para essas iniciativas como "exemplos" em contextos específicos que podem oferecer importantes conhecimentos sobre os limites da casa e as dificuldades e contradições envolvidas em viver fora da casa, ao invés de "modelos" universais que deveriam ser duplicados e exportados para algum outro lugar.  Este trabalho é diferente mas informa nossas estratégias pedagógicas. Ele se diferencia notadamente no sentido de que nesta pesquisa estamo-nos engajando em profundidade com uma posição normativa particular, mesmo fazendo-o de forma não normativa. Esta posição é a de que a casa se construiu a partir da separabilidade, de que de fato está desmoronando, e que precisamos expandir nossas disposições intelectuais, afetivas e relacionais para "cavar mais fundo" (para análises com mais nuances) e "relacionar mais amplo" (alargar as sensibilidades e formas de relacionamento de que somos capazes).

Neste trabalho, buscamos desenvolver "uma forma alternativa de engajamento com alternativas" (Santos, 2007), isso é, engajar com reverência mas sem romantizar ou idealizar, assumindo responsabilidade pelas relações que estamos construindo sem projetar nossos desejos em outros e atentos aos desafios de se relacionar através de outras sensibilidades. Particularmente, reconhecemos os riscos de: homogeneizar comunidades diversas, ocultando suas complexidades e relações internas de poder; idealizar formas de ser e saber "alternativas" e as comunidades que as praticam, como um espelho antagônico das patologias coloniais; promover fantasias escapistas que nos permitiriam imergir em outros tipos de abrigo para evitar realizar os cuidados paliativos necessários à casa que herdamos; e distorcer e/ou instrumentalizar estas iniciativas a fim de alimentar nossos próprios desejos coloniais de consumo (Asher & Wainwright, 2018; Spivak, 1988). Portanto, perguntamos: Como podemos nos engajar e ser ensinados por sistemas diferentes de ser, saber e desejar, e por lutas práticas e tentativas de criar/regenerar alternativas para a casa construída pela modernidade, permanecendo conscientes de dádivas, limitações e contradições, assim como de nossas potenciais más interpretações, projeções e apropriações?

Como parte desta pesquisa, construímos estudos de caso colaborativos de diferentes iniciativas e organizações, mas para discussões entre nós e com nossos colaboradores, e considerando o que será mais útil para o aprendizado de nossos estudantes e outros esforçando-se para fazer sentido de uma casa desmoronando.  Os resultados primários de pesquisa deste trabalho não são relatórios de nossas "descobertas" empíricas, mas sim modelos pedagógicos continuamente revisados, experimentos artísticos e cartografias sociais. Uma destas é o Marco de Justiça Global "Aos Cuidados da Terra" (Andreotti, Stein, Rene, coletivo, 2019), uma cartografia que integra as dimensões ecológica, cognitiva, afetiva e relacional de transformação, que são frequentemente abordadas isoladamente ou em pares. Particularmente, usamos a metáfora do cogumelo, representando as dimensões ecológicas e econômicas da transformação, e embaixo delas, o micélio das dimensões cognitiva, afetiva e relacionais, responsáveis por alimentar o cogumelo e permitir a ele viver e, na hora certa, morrer também.

Figura 5 - Modelo de Justiça Global "Aos Cuidados da Terra"

A intenção com essa metáfora é ilustrar a necessidade de se digerir e compostar as dimensões (micélio) muitas vezes invisibilizadas que alimentam um sistema nocivo, para algo diferente poder crescer. Carmen Ramos, da organização Nahuatl Tlalij, parte da rede "Aos Cuidados da Terra”, nos instigou a levar esta cartografia ainda mais longe, focando no trabalho invisibilizado da Terra em sustentar toda a vida, e em considerarmos nossas responsabilidades particulares com ela e uns com os outros como seres entrelaçados em seu metabolismo mais amplo. Particularmente, ela esclarece que nós não (apenas) buscamos cuidar da Terra, mas estamos já e sempre aos cuidados dela. Ao fazer isso, Ramos também solicita levarmos em conta que enquanto há uma tendência (alimentada por hábitos coloniais de ser) em prescrever uma normatividade política para ordenar nossas relações, é na verdade a qualidade de nossas relações (com todos os seres) que determina as possibilidades políticas viáveis em qualquer contexto. A partir desta perspectiva, ao invés de gastar nosso tempo discutindo a melhor articulação possível de nossas posições políticas, dentro do mesmo limitado conjunto de configurações cognitivas, afetivas e relacionais, nós precisaríamos começar a expandir e nutrir diferentes tipos de configurações para abrir possibilidades para tipos de políticas que poderiam oferecer suporte a integridade de nossos relacionamentos e às responsabilidades oriundas deles. Desnecessário dizer, esta abordagem é significativamente diferente das políticas geralmente apoiadas pela casa que são baseadas na onto-metafísica onde nossa existências (ser) é determinada pelo nosso pensamento, e portanto, nossos comportamentos pelas nossas convicções.

 

Conclusões Inquietantes e Questões para Continuar essa Conversa

Neste artigo, discutimos algumas das potenciais circularidades, curto-circuitos, e contradições que emergem dos esforços de colocar em prática a decolonização, inclusive aquelas que reproduzem hábitos coloniais de ser enraizados nos desejos de consumo cultivados pela casa construída pela modernidade. Nós também sugerimos que nenhuma das várias possibilidades existentes de teorias de mudança decoloniais estão imune a estes riscos, uma vez que são em larga medida produto não de nenhuma análise conceitual em particular mas de investimentos afetivos cultivados através de hábitos coloniais de ser socializados dentro da casa construída pela modernidade. Neste sentido, contradições e circularidades são de alguma forma inevitáveis, o que significa que existe uma necessidade de nossas pedagogias anteciparem e serem sensíveis a estas respostas de maneira a problematizar mas também convidar as pessoas a trabalharem através delas (ao invés de negar, transcender ou reprimir). Este trabalho pode ser sumarizado como um compromisso pedagógico de convidar a um engajamento mais profundo com as complexidades e contradições de diferentes teorias de mudança relacionadas com padrões de saber, ser, relacionar e desejar alimentados pela casa sem com isso advogar por nenhuma teoria em particular como "a resposta" para o que devemos fazer. Isto é, convidamos as pessoas a cavarem mais fundo e relacionarem mais amplamente.

Para além deste trabalho intelectual e relacional, nós também elaboramos sobre as precárias possibilidades que se abrem quando um sentido visceral de anseio por interconexões é ativado ou des-entorpecido. Quando os trabalhos afetivo, intelectual e relacional são combinados, e quando estes são envolvidos em um contexto de crescente desilusão com as promessas oferecidas pela casa construída pela modernidade, existem muitas possibilidades precárias para um aprendizado transformador. Nós revisamos algumas de nossas próprias práticas para se engajar e aprender com esforços para viver fora da casa através de uma rede de iniciativas sócio-ecológicas, pesquisa esta distinta, mas que ainda assim informa nosso trabalho pedagógico. Esse trabalho nos ensinou que, como educadores, podemos pedir ou até mesmo exigir que as pessoas se engajem com rigor intelectual, mas podemos apenas oferecer um convite para o engajamento com outras possibilidades de existência se os estudantes sentirem o chamado para tal. Isso acontece porque ao invés de uma questão de vontade ou intelecto, este trabalho precisa de uma certa quantidade de entrega existencial: aprender a desaprender, a escutar, a estar desarmado, a de-centralizar (as forças egóicas), a começar a praticar alteridade, sabendo que será desconfortável e que erros serão cometidos. Apenas se estivermos prontos a retirar nossos investimentos das estruturas de ser e desejar (não apenas de saber) sustentadas pelas economias que dependem e reproduzem as (falsas/quebradas) promessas da casa  é que poderemos começar a nos abrir a outras possibilidades. Este desinvestimento não é relacionado a uma busca por soluções articuladas para as crises que enfrentamos, mas sim  a percepção de que para existirmos de outra forma, precisamos prestar atenção nas lições ensinadas pelos limites, falhas e eventual colapso da casa a que habitamos. Isto só podemos fazer enfrentando a sua morte interna e externamente, abrindo-nos para a possibilidade de a casa não mais definir nossa existência ou atender nossos desejos e investimentos.

No contexto da escrita acadêmica de dentro da casa construída pela modernidade, encorajamos que os propósitos sejam claros, inclusive no contexto de bolsas de estudo. A demanda por conclusões é por vezes problemática, dada nossa tendência de ver o trabalho de decolonização como um trabalho em processo, inconcluso e que desafia resumos rápidos. Assim, já tendo oferecido alguns modelos para pesquisa e envolvimento pedagógico ao longo deste artigo, vamos concluir com convites para um envolvimento mais profundo.

Notamos cada vez mais pessoas desiludidas com a casa construída pela modernidade, e esta desilusão leva a muitas respostas possíveis, da renovação à demolição. Para aqueles desiludidos não apenas com a casa, mas também com as circularidades das respostas às crises atuais, oferecemos uma série de perguntas abertas para fazer sentido do presente e examinar opções potenciais para seguirmos em frente. Como sempre, não oferecemos soluções pré-fabricadas para as crises que enfrentamos, mas somos conscientes do imperativo de responder rapidamente a elas, de forma a mitigar as vulnerabilidades imediatas daqueles expostos às maiores violências perpetuadas pela casa, ao mesmo tempo em que consideramos um horizonte de transformação de longo prazo enquanto a casa desmorona. Assim, encorajamos as pessoas a refletir sobre as seguintes questões a respeito dos desafios atuais:

  1. Como o que aconteceu no passado se relaciona e informa o que acontece no presente? Especificamente, que lições nós ainda temos que aprender sobre o passado que podem ser úteis para entendermos os desafios que enfrentamos no presente?
  2. Com o que aconteceu no passado é diferente do que está acontecendo no presente? Especificamente, como precisaremos repensar nossas estratégias herdadas tanto para análises conceituais (diagnósticos) como resposta práticas (proposições)?
  3. O que podemos aprender suspendendo nossos desejos por soluções universais ou prescritivas e por autoridades canônicas estáveis, prestando atenção de maneira sóbria ao que está funcionando atualmente, e o que não está, e baseado nesta análise, determinar quais respostas são necessárias no curto, médio e longo prazo? Como podemos fazer este trabalho de responder aos desafios enquanto mantemos um compromisso contínuo de avaliar estes planos constantemente ao invés de permanecermos apegados a uma ortodoxia que não está funcionando?

Estas questões miram primeiramente a dimensão intelectual do desafio de viver de outra forma, mas este trabalho será incompleto se não for combinado com esforços para reconfigurar nossas relações afetivas e oferecer cuidados paliativos para nossos próprios hábitos coloniais. Assim, concluímos com a seguinte pergunta: Como podemos mobilizar "formas alternativas de se engajar com as alternativas" isso é, falando/dançando/respirando/tropeçando juntos de forma diferente em direção a um futuro indefinido, sem arrogância, autoritarismo, dogmatismo e perfeccionismo? Como resposta provisória a esta questão, sugerimos as seguintes práticas orientadoras:

  • Desinvestimento (da casa) sem aversão baseada em desidentificação reativa e redentora.
  • Reverência (para as dádivas das alternativas) sem idealizar ou romantizar.
  • Experimentação (necessária para o aprendizado) sem apego aos resultados obtidos.
  • Responsabilidade (para com todos os seres) sem paternalismo, ou projetando nossos desejos e entendimentos sobre os outros como se fossem universais.
  • Auto-implicação (nos danos) sem buscar imunidade, absolvição, ou escapismo.
 


[1] Universidade de British Columbia

[2] Terra Adentro

[3] Comunidade Indígena Patacho

[4] Comunidade Indígena Pitaguary

[5] Comunidade Indígena Huni Kui

[6] Musagetes

[7] O termo decolonização é empregado aqui como a imposição da separabilidade entre o dito homem e a dita natureza e a interrupção do sentido de continuidade entre corpo, terra e cosmos para além do tempo linear. Isso é diferente da des-colonização, que é normalmente entendida como a superação da dominação territorial e/ou administrativa sobre um determinado território  ou povo. Ao trazer o conceito decolonização, falamos também de uma série de hábitos de ser, desejar e consumir próprios da modernidade que são inerentemente violentos e insustentáveis.

[8] Título em inglês: Gesturing towards decolonial futures. Saber mais em decolonialfutures.net.

[9] Utilizamos cartografias sociais como ferramentas pedagógicas não normativas, que através de imagens (metáforas e analogias) e tabelas comparativas, convidam ao engajamento crítico com os múltiplos desafios sócio-ambientais que enfrentamos. Essas ferramentas nos ajudam a visualizar configurações históricas e sistêmicas dos problemas que analisamos, e a tornar visíveis aspectos frequentemente invisibilizados e conexões convenientemente escondidas. A proposta do uso destas cartografias não é sobre descrever a realidade precisamente, mas sim sobre mover conversas para além dos pontos em que são tradicionalmente interditadas.

[10] "Mapping interpretations of decolonization in the context of higher education”.

 

 

Referências Biliográficas

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 Momodou Sallah 1

 

Abstract: This paper mainly addresses the reflections, observations and analysis of a scholar-activist, engrossed in challenging intractable international development issues, through the use of a Global Youth Work pedagogic approach. Using the main frameworks of Global Youth Work, scholar-activism, positionality/situatedness and decolonisation, this paper challenges the missionary position and pornography of poverty approach of some organisations both in the North and South, consciously or unconsciously working and collaborating towards the amelioration of the human condition.

There are two main factors that influence my situatedness: the structural violence that can be generated by knowledge production and configuration from a universally configured orthodoxy in the Development Education/Global Cooperation field that now requires the reimagination of epistemologies of the South as responses, which  are credible and visible (de Sousa Santos, 2014); the second essential stance is my immersion in practice as a scholar-activist who is not only captivated by the process of theoretical knowledge production, but also in heretic and counter-orthodoxy approaches to challenging and changing the world, in practice.

The focus of the Agenda 2030 on eradicating poverty in all its forms and dimensions and the reason d’etre of Global Youth Work (Sallah, 2014) of provoking consciousness and taking action, therefore underpins this paper; especially in the promotion of sustainable development. The main focus and lenses through which I do this is the Global Hands project, set up as a charity in The Gambia and a social enterprise in the UK, by former students of De Montfort University in the UK, whose mission is to build capacity and operationalise the dual mandate of Global Youth Work: to provoke consciousness; and to support those affected to take action (Sallah, 2014). A range of Global Youth Work interventions and case studies have been used in this context, such as developing Africa’s first solar-powered taxi service; developing a self-sustaining intervention in its capacity building hub in The Gambia by Global Education actors from the UK with collaborators in The Gambia; running a number of public campaigns, for example, on the backway” (“illegal youth migration from sub-Saharan Africa to Europe via the Sahara desert).

In this paper, I will explore collaborations, spaces generated, principles and tensions beyond theoretical considerations and their operationalisation in practice. This paper will uniquely contribute to a greater understanding of the interplay between theory and practice, as well as disrupt the colonial lenses and dependency approaches of some organisations that sometimes disempower, instead of rebalancing power and addressing injustice and structural inequality.

Keywords: Global Youth Work; Global Education; African Development; Decolonisation; Positionality; Development Aid.

 

Resumo: Este artigo foca principalmente as reflexões, observações e análises de um académico-ativista absorvido com o desafiar de assuntos de desenvolvimento internacional difíceis, através de uma abordagem pedagógica de Voluntariado Juvenil Internacional. Ao utilizar os principais referenciais de Voluntariado Juvenil Internacional, academicismo-ativismo, posicionamento/situatedness e descolonização, este artigo desafia a abordagem da "posição missionária" e da "pornografia da pobreza" de algumas organizações, quer no Norte quer no Sul, que consciente ou inconscientemente trabalham e colaboram para a melhoria da condição humana.

Há dois fatores principais que influenciam o meu posicionamento/situatedness. Por um lado, a violência estrutural que se pode gerar pela produção e configuração de conhecimento, da parte de uma ortodoxia universalmente configurada no campo da Educação para o Desenvolvimento/Cooperação Global, que agora requer a reimaginação de "epistemologias do Sul" como respostas que são "credíveis e visíveis" (de Sousa Santos, 2014). Por outro lado, a minha imersão na prática enquanto académico-ativista que se encontra não apenas cativado pelo processo de produção de conhecimento teórico, mas também envolvido em abordagens heréticas e heterodoxas para desafiar e mudar o mundo, na prática.

O foco da Agenda 2030 para a "erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões" e a razão de ser do Voluntariado Juvenil Internacional (Sallah, 2014) de provocar a consciência e a tomada de medidas sustentam, portanto, este artigo; especialmente para a promoção do desenvolvimento sustentável. O principal foco e as lentes através das quais eu faço isto são o projeto Global Hands, constituído enquanto organização de caridade na Gâmbia e empresa social no Reino Unido por antigos estudantes da Universidade De Montfort, no Reino Unido, cuja missão é capacitar e operacionalizar o mandato duplo do Voluntariado Juvenil Internacional: consciencializar e apoiar aqueles que são afetados na tomada de medidas (Sallah, 2014).

Utiliza-se uma variedade de intervenções de Voluntariado Juvenil Internacional e de estudos de caso, tal como o desenvolvimento do primeiro serviço de táxi alimentado a energia solar; o desenvolvimento de uma intervenção auto-suficiente no seu centro de capacitação na Gâmbia, por atores de Educação Global do Reino Unido com colaboradores da Gâmbia; o lançamento de uma série de campanhas políticas, por exemplo, sobre os "backway" (migração "ilegal" de jovens provenientes da África subsariana para a Europa, via deserto do Saara).

Neste artigo, irei explorar colaborações, espaços gerados, princípios e tensões para além das considerações teóricas e sua operacionalização na prática. Este artigo irá contribuir para um melhor entendimento da interação entre teoria e prática e, também, para perturbar as lentes coloniais e as abordagens de dependência de algumas organizações que, por vezes, enfraquecem em vez de restabelecerem o poder e fazerem face à injustiça e à iniquidade estrutural.

Palavras-chave: Voluntariado Juvenil Internacional; Educação Global; Desenvolvimento em África; Descolonização; Posicionamento; Ajuda ao Desenvolvimento.      

 

Resumen: Este artículo enfoca principalmente las reflexiones, las observaciones y los análisis de un académico-activista absorto en el rebatir de asuntos de desarrollo internacional difíciles, a través de un enfoque pedagógico de Voluntariado Juvenil Internacional. Al utilizar los principales referenciales de Voluntariado Juvenil Internacional, academicismo-activismo, posicionamiento/situatedness y descolonización, este artículo rebate el enfoque de la "posición misionaria" y de la "pornografía de la pobreza" de algunas organizaciones, del Norte y del Sur, que consciente o inconscientemente trabajan y colaboran para la mejoría de la condición humana.

Hay dos factores que influencian mi posicionamiento/situatedness. Por una parte, la violencia estructural que se puede generar por la producción y configuración de conocimiento, por la parte de una ortodoxia universalmente configurada en el campo de la Educación para el Desarrollo/Cooperación Global, que ahora requiere la reimaginación de "epistemologías del Sur" como respuestas que son "creíbles y visibles" (de Sousa Santos, 2014). Por otra parte, mi inmersión en la práctica en cuanto un académico-activista que se encuentra no sólo cautivado por el proceso de producción de conocimiento teórico, pero sí también en enfoques heréticos y heterodoxos para rebatir y cambiar el mundo, en la práctica.

El enfoque de la Agenda 2030 para la "erradicación de la pobreza en todas sus formas y dimensiones" y la razón de ser del Voluntariado Juvenil Internacional (Sallah, 2014) de provocar la consciencia y la acción sustentan, por lo tanto, este artículo; especialmente para la promoción del desarrollo sostenible. El principal enfoque y las lentes a través de las cuales yo hago esto son el proyecto Global Hands, establecido en cuanto organización benemérita en la Gambia y empresa social en el Reino Unido por antiguos estudiantes de la Universidad De Montfort, en el Reino Unido, cuya misión es capacitar y concretizar el duplo mandato de Voluntariado Juvenil Internacional; concientizar y apoyar aquellos que son afectados en la acción (Sallah, 2014).

Se utiliza una variedad de intervenciones del Voluntariado Juvenil Internacional y de estudios de caso, como el desarrollo del primer servicio de taxi movido a energía solar; el desarrollo de una intervención autosuficiente en su centro de capacitación en la Gambia, por actores de Educación Global de Reino Unido con colaboradores de la Gambia; el lanzamiento de una serie de campañas políticas, por ejemplo, sobre los "backway" (migración "ilegal" de jóvenes provenientes de África subsahariana para la Europa, a través del deserto del Sahara).

En este artículo, iré explorar colaboraciones, espacios generados, principios y tensiones más allá de las consideraciones teóricas y su concretización en la práctica. Este artículo irá contribuir para un mejor entendimiento de la interacción entre teoría y práctica y, también, para perturbar las lentes coloniales y sus enfoques de dependencia de algunas organizaciones que, a veces, debilitan en vez de restablecer el poder y afrontar la injusticia y la iniquidad estructural.

Palabras-llave: Voluntariado Juvenil Internacional; Educación global; Desarrollo en África; Descolonización; Posicionamiento; Ayuda al Desarrollo.

 

 

Introduction

In this paper, there are a number of postulations and contradictory extrapolations that I would like to explore, ultimately linked to the duality of Global Youth Work, as a subset of Global Education/Global Learning, situated in the art of provoking consciousness and supporting young people to take action. Given my focus on the second duality of Global Youth Work (Sallah, 2020a) in this paper, subsumed by the need for the eradication of poverty, it is pivotal that the canvas upon which I weave my tapestry of practice is held up transparently. Hence my preoccupation with centring decoloniality, my positionality/situatedness as a scholar-activist and a more radical interpretation of Global Youth Work, because of my cultural affinity/experiential affinity with the people in whose lives I purport to intervene, through a Global Youth Work pedagogical approach. In doing this, I will attempt to dismantle the false narrative of the “merchants of misery” and “imaging pornography”, which supports the work of significant numbers of those in the Aid industry. I will position my work in practice, principally in The Gambia and the UK, as acts of resistance and heretic attempts against the orthodoxy and “logic of the system” (Freire, 1972) geared towards the “eradication of poverty in all its forms and dimensions everywhere”. This paper will conclude with a call for a radical reimagination of Global Youth Work, beyond the usual business of placing plasters on broken bones.

 

Positionality/Situatedness

From the onset, it is imperative that I position myself as a scholar-activist interested in the understanding of phenomena and production of knowledge; and equally in the upending of oppression, leading to the operationalisation of knowledge and enaction of human development towards palpable social justice outcomes (Haq, 1995; Sen, 1999, 2005). Sen (1999) and Nussbaum’s (2000) capabilities approach with a focus on human wellbeing have been central points of reference in both my theory and practice. I have been a lecturer at a university in the UK over the last 16 years, with an overlapping period of 30 years as a practitioner, engulfed in community development, international development and the distinct practice of Global Youth Work, both in the North and South, in addressing intractable development challenges. In this context, I am no stranger to straddling the “creative tensions” of scholarship and activism as complementary bedfellows. Beyond the notion of the public intellectual, the scholar-activist is a different breed, interested beyond just shaping opinion and opening up whole knowledge systems, but also towards a more active reimagination and enaction of social justice.

Whilst scholarship often eschews objectivity as a central tenant, I have, as a scholar of Southern origin, been often gagged by the negative neutrality (Sallah, 2014) of the academy; to silence or disregard my cultural affinity, which underpins my marriage to social justice. Simultaneously, steeped in both scholarship and activism, the cultural/experiential affinity (Boushel, 2000; Oakley, 1981) that imbues my practice significantly informs my positionality/situatedness. Having spent my mid-teens to my early 20s volunteering and working with Aid/Development organisations, as well as the last 20 years developing and designing counter hegemonic solutions to intractable development challenges, mainly aimed at the South, I am constantly drawing on my experience of development, which was often a simulation of under-development. From the more formal/structured of the IMF/World Bank in the mid-80s (Economic Recovery Programmes, Structural Adjustment Programmes, Programme for Sustainable Development) that saw massive redundancies, currency devaluation, removal of state subsidies, de-nationalisation, deregulation and privatisation, which resulted in untold suffering that was manifested at the personal, local, national and global levels. These were not only neoliberal and capitalist deregulation theories and policies that I read about in the works of Skosireva and Holaday (2010), but lived realities that generated untold suffering that I experienced with my own eyes, and felt the pain in my own stomach. Development initiatives, for me, then were not fashion accessories or theoretical public masturbations; intractable development challenges are real and palpable, they have teeth that bite and also have a stench, and human faces too. Equally, I was situated at the centre of initiating change through NGOs like The Gambia Red Cross society whose work centred on “alleviating human suffering” guided by its 7 Basic Principles. I also had the opportunity to witness and observe at close quarters the intervention of Action Aid and other international NGOs, as well as local NGOs and community groups. In fact, these experiences led to me setting up the Youth Association for Advancement (YAA), which focused on capacity building at the local and national levels in 1997 in The Gambia; and later setting up Global Hands, to also initiate development through capacity building, placing those most affected at the centre of intervention, as a charity in The Gambia, and as a social enterprise in the UK in 2012. These organisations I have engineered were acts of resistance, attempts to combine scholarship and activism, towards social justice. Equally, my scholarship and research has been hugely influenced by a transparent social justice agenda, predicated on my anger against exploitation and human suffering. Angry that people could die of preventable diseases, angry that naked exploited can go unchecked for so long, angry at what can be considered hypocrisy by some of the leading INGOS who can often be considered as “merchants of misery”! The rationality of the scholar often situated in the proverbial Northern Ivory Tower, who can often afford to be detached, “neutral”, “objective” is what I straddle to reconcile with the “fire in the belly” of the activist who is “morally outraged” (Oxfam, 2015).

 

Decoloniality

Development paradigms continue to be colonised and imprisoned by Western thought and knowledge systems. De Sousa Santos’ (2014) exposition of “cognitive injustice” and the need to cultivate “epistemologies of the South” to make our knowledge systems, ways of knowing and ways of being “more credible or visible” is quite instructive. Post-development theorists (Escobar, 1995, 2000; Sachs, 1992; Thomas, 2000) have launched scathing attacks on the orthodoxy that does not demonstrate respect for the aftermath of slavery and colonialism; in a historical loop, the past continues to influence present and the future in a symbiotic interaction and reaction. In my efforts to initiate development projects in a country like The Gambia, I often encounter a deep-seated resistance of post-colonial and decolonial knowledge systems where the education system, administration, and economic paradigms are propped up by colonial relics and neo-colonial pillars of extraction. Whilst the decolonisation of the mind (wa Thiong'o, 1986) is a start to repeal this catharsis, decolonisation of institutions and development paradigms must also be seen as priorities. In this context, Development Education /International Aid paradigms must also be decolonised and the “missionary position” of Christianising and civilising the native (Sallah, 2008) based on the dual mandate of colonial subjugation should be renegotiated and reformulated. Eurocentric formulations of what Southern countries need and its enaction need deep cleaning and complete reconfiguration. The fact that Development Education, as a precursor for Global Education, originates from colonial notions of indirect rule (Sallah, 2008), calls for a complete overhaul, with Southern scholar-activists leading this process as they have seen the flow of blood and have been in the trenches long enough to understand the cartography. I would like to posit that anything less than this is the promulgation of the “missionary position”! This exposition has been cardinal in how I have straddled the scholar-activist continuum, but also equally in how I have imagined and reimagined development interventions through the art of Global Youth Work.

 

Straddling the scholar-activism continuum

As an academic, I am steeped in the search for knowledge production; as an activist, I am motivated by the desire to operationalise produced knowledge, towards social justice. There is often a palpable tension between knowledge production and operationalisation, which is often positioned as diametrically opposed and unrelated. However, I often find peace in the symbiosis between these two, at times seemingly contradictory stances. It has been argued that “at its most simple (scholar-activism) it's the informed thinking and critical appraisal of social issues combined with strategies and actions that better the social conditions in which people live in pursuit of a social justice goal” (C. Kagan, personal communication, n.d.).

Dewey argued that scholars should “shape reality toward positive social goals, not stand aside in self-righteous isolation” (1969, p. 91). Gramsci (1971, p. 68) implores us to go beyond intellectual eloquence and calls for “active participation in practical life, as constructor, organizer [and] ‘permanent persuader’”. A significant number of other authors (e.g., Alinsky, 1971; Freire, 1972) have attempted to situate their work in the transformative impact of their thoughts and actions on the communities they worked with.

Whilst there are clear reward mechanisms for scholarship, perhaps the ones for activism are not the clearest: scholars are often rewarded with “tenure and promotion and research monies, while work connected to activist leanings, can be construed as taking time away from or interfering with scholarly endeavours” (Tilley & Taylor, 2014, p. 54).

However, Conway (2004) recognises the immense contribution of activism, which, as argued, is that “The knowledge arising from activist practice is a perspectival/situated knowledge, one which is essential and privileged in formulating and addressing the problematics of social change”. Piven perhaps captures this more incisively in relation to the personal level linked to the sense of gratification, as a counter measure to the purely scholarship rewards:

“We are activists because of the joy political work gives us, because even when we fail, working to make our society kinder, fairer, more just, gives a satisfaction like no other, because the comrades we find in the effort are friends like no other, and also because our activist efforts illuminate our social and political world in ways that scholarship alone never can” (Piven, 2010, p. 810).

From the above section, it is imperative to recognise the inherent tension between academia and activism, the significance of what motivates the scholar-activist and how these tensions are straddled: “the contest between scholarship and activism, the personal commitment to activism must be passionate and paramount if it is to survive the tension created by the dual path” (Piven, 2010, p. 808).

The symbiosis between academia and activism can be manifested in four ways (Downs & Manion, 2004; Zerai, 2002, as cited in Flood, Martin, & Dreher, 2013): knowledge as a means of engendering social change; as research to produce social change; as a site to produce teaching and learning strategies; as a means of challenging and reconstructing power relations within a given institution. Whilst there is a lot of literature highlighting these motivations and rationale for engaging in scholar-activism, a critical dimension often neglected is that of my cultural/experiential affinity (Boushel, 2000; Oakley, 1981).

Scholar-activists must be cognisant of the fact that “we must first negotiate how we may be differently positioned in terms of privilege, power, resources, race, identity, history of colonialism, and personal and national identity" (Tilley & Taylor, 2014, p. 53). In this conundrum that is Global Education, Global Learning and the Aid industry, those who bear a disproportionate responsibility for righting the underdevelopment wrongs in the South and theorising knowledge production are either from the North or situated within Northern institutions; whilst motivated by the need to enact social justice, there is often a disconnect with those who are at the frontline and inhaling the toxic fumes of depravation on a daily basis, as opposed to those who have the luxury of retreating into shelters of Northern Ivory Towers or orthodoxy. My affinity to the dispossessed in the South cannot be a fashion accessory that can be switched on and off at will; it is a matter of relative distance (the closer you are to the shit, the smellier and more uncomfortable it is). Those people, as argued in the positionality/situated section, are my mothers, my brothers, my sisters and my people. Having been in the trenches with them, I understand their struggle as an insider but I am also now able to see the convoluted nature of their struggle as an outside observer. As a scholar-activist, my affinity with the people in whose lives I purport to intervene in is key to understanding the interventions I will propose here.

 

Agenda 2030 and the eradication of poverty

It speaks volumes that the first of the 17 sustainable Development Goals focuses on the “eradication of poverty in all its forms everywhere”. Whilst the number of those said to be living in extreme poverty has dropped from 36% in 1990 to 10% in 2015, this number still remains high and unacceptable. This is further compounded by the fact that the majority of these people live in sub-Saharan Africa; additionally,17.2 % of those living in the rural areas are equally affected. It is further worth noting that 8% of those employed are still affected by extreme poverty, as well as 20% of children who are disproportionately affected (United Nations, 2015).

The poverty and the harrowing statistics for those in sub-Saharan Africa are well documented (e.g., Fosu, 2015; United Nations Development Programme, 2019) and do not need further elaboration here. However, what has been established beyond any reasonable doubt is the fundamental impact extreme poverty has on a disproportionate number of people in this area in relation to all facets of the 17 UN SDGs. “Among the 736 million people who lived on less than $1.90 a day in 2015, 413 million were in sub-Saharan Africa”. For sub-Saharan Africa, the stats for the working poor stands at an alarming rate of 38%. In relation to social protection systems, whilst 92% are covered in Europe and North America, only 13% are covered in sub-Saharan Africa (United Nations Department of Economic and Social Affairs, 2020). It is estimated that nine out of every 10 people classified as extremely poor in the world by 2030 will live in sub-Saharan Africa (Wadhwa, 2018).

In this context, whilst all the 17 goals and their subsets have relevance for the work I do, the three below speak more directly and more specifically to the work I will be presenting here:

1.1 By 2030, eradicate extreme poverty for all people everywhere, currently measured as people living on less than $1.25 a day.

1.5 By 2030, build the resilience of the poor and those in vulnerable situations and reduce their exposure and vulnerability to climate-related extreme events and other economic, social and environmental shocks and disasters.

1.A Ensure significant mobilization of resources from a variety of sources, including through enhanced development cooperation, in order to provide adequate and predictable means for developing countries, in particular least developed countries, to implement programmes and policies to end poverty in all its dimensions (United Nations, 2015).

In trying to address the above goals and meet them, it is important to reflect on the number of actors who play pivotal roles in their realization, ranging from governments/state actors, UN bodies, INGOs, national and local actors/organisations and individuals. I do not intend to explore the role of governments/state actors in this paper or even that of UN bodies, but I would like to more specifically focus on the work of NGOs/INGOs and other related organisations who use a range of development interventions, especially in the area of experiential learning and Development Education/Global Education, in its widest remit.

Thomas (2000) perhaps captures the frustration of many in sub-Saharan Africa when it comes to existing development paradigms as a panacea for intervention: “Voices from the ‘post-development’ claim that, at best, development has failed, or at worst it was always a ‘hoax’, designed to cover up violent damage being done to the so-called ‘developing’ world and its people" (p. 3). A recalibration of this approach calls for a disruption of the “holds of westernization” (Elliot, 2013), both in terms of Western capital and the Aid industry. My work, within this context, centres on the human development approach:

“Human development is the expansion of people’s freedoms to live long, healthy and creative lives; to advance other goals they have reason to value; and to engage actively in shaping development equitably and sustainably on a shared planet. People are both the beneficiaries and the drivers of human development, as individuals and in groups” (United Nations Development Programme, 2010, p. 2).

Ultimately, my work, unapologetically, is geared towards the realisation of the expansion of people’s freedoms and how we equip them with the human capabilities and agency to be at the centre of development interventions that attempt to lift them from all forms of poverty; the imperative is to support them to be catalysts at the beginning of any action to eradicate poverty.

 

Beyond campaigning: A disruptive Global Youth Work approach

A huge Aid industry envelops attempts to redress extreme poverty, which often comes from a very good place; however, the Aid industry can also be critiqued on many fronts in their pursuit of operational survival. A key criticism directed at the industry is that of  “pornography of poverty” (Canadian International Development Agency, 1988, p. 7) or “development pornography" peddled by the "merchants of misery" (Hilary, 2014), which often positions “The image of the starving African (which) is said to edify us, sensitise us, mobilise our good will and awaken us from our apathy” (Maren, 1997, p. 3). This use of imagery (Lamers, 2005; Ruddick, 2003) to grab and possibly “guilt” Western audiences has the potential to raise a number of ethical considerations. This has also been characterized as the “starving baby appeal” (Fine, 1990, p. 154), which aims at generating a “societal attitude characterized by guilt, helplessness, charity, paternalism, and even racism” (Canadian Hunger Foundation, 2002, as cited in Nathanson, 2013). More aptly and in greater graphic detail, Nathanson reasons that:

One cause of these perceptions may be fundraising messages that present distorted portrayals of the developing world. Images of buzzing flies, begging eyes and bloated bellies flood television screens and print media in an attempt to pull at heartstrings and garner donations” (Nathanson, 2013, p. 103).

This clearly places recipients of Aid intervention as helpless victims without agency, which in my experience in practice significantly leads to unsustainable dependency, where receipts of such interventions are at the mercy of the “merchants of misery”. In my practice in the field over the last 30 years, I have seen some really sorry attempts at eradicating poverty from a number of NGOs and INGOs who missed the fundamental foundation of community engagement in placing those affected at the centre of any development intervention; from building toilets that the villagers do not want to flying in experts, who consume most of the funding secured and who have scant idea of what the issues are, moreover before even beginning to address them.

Agency is “a person’s belief that they are able to tackle poverty, and that that action will have the desired effect” (Darnton & Kirk, 2011, p. 18). Where the need to establish agency as an integral aspect of the intervention is ignored or miscalculated, it can often result in the continuous loop of “giving fish instead of teaching the recipient how to fish”. This mishap further necessitates a critical look around Global Education/ Development Education and associated terms, as both the terminologies and conceptual frameworks, in my experience, have become sites of oppression, instead of practices of liberation, in pursuit of the sustainable development actions highlighted at the beginning of the section, linked to the human development approach highlighted in the last section.

 

Terminology and conceptual framework of Global Education vs. Global Youth Work

As covered elsewhere, there is a lot of confusion and disagreement about terminology and conceptual frameworks in relation to Global Education, Global Learning, Global Citizenship Education (Sallah, 2009, 2014, 2020a) and a host of other terminologies which I have covered extensively, as well as other authors (Bourn, 2015, 2016; Cotton, 2009; Dare to Stretch, 2009; North-South Centre of the Council of Europe, 2008) who have also explored the complexity inherent in the naming and categorisation of Development Education/Global Education typographies. For example, it has been argued that:

“A development education programme does not, and in most cases will not, have as its main objective changing attitudes and understanding of global poverty and international development. This is likely to be much more specific, such as improving the capacity of teachers to deliver effective programmes, or giving educators the tools and resources to engage with development issues” (McCollum & Bourn, 2001, p. 27).

Whilst many terminologies and conceptualisations have been explored, I have chosen the approach of Global Youth Work as my prevailing conceptual framework that focuses on the duality of 1) provoking consciousness and 2) supporting young people to take action. In an attempt to re-theorise Global Youth Work (Sallah, 2014), I have advanced that Global Youth Work:

1. Is concerned with how the concept and process of globalisation impacts on young people’s realities.
2. Is based on the principles of informal education and youth work.
3. Is located in young people’s realities.
4. Challenges oppression and promotes social justice.
5. Promotes consciousness and action.

In presenting my thesis, I continue to argue that:

“Principally, this process (Global Youth Work), by way of informal education approaches, must seek to provoke young people’s consciousness. It is not about analysing and giving young people a to-do list but rather a dialogical approach where both practitioner and young people are teachers and learners, actors and doers symbiotically and simultaneously. It is one with the object of synthesising young people’s existence with their lived realities.

The second component of this project (of Global Youth Work), then is in line with Amartha Sen’s capabilities and capacitation approaches to development. Supporting young people to gain the skills, knowledge and values they need to translate their newfound consciousness into reality. As stated earlier, it is not the action we judge to be the best but it is the action that young people, after gaining critical consciousness, have judged to be the best. The practitioner must constantly and continuously engage young people in democratic dialogues and support them to continuously analyse and reflect on their actions” (Sallah, 2014, p. 80).

 

Collaborative spaces generated to eradicate poverty through Global Youth Work in action in The Gambia

In the next section, I would like to share some heretic attempts aimed at eradicating poverty as per Agenda 2030. These examples I will draw upon have already been written up in previous works (see Sallah, 2018, 2020a, in press), and rather than duplicate them, I will share them here, to be followed up with new analysis after deeper reflection in line with the objective of this paper.

Solar dryer

It has been estimated that up to 60% of mangoes produced in the short three-month mango season goes to waste in The Gambia. This applies to a significant number of other fruits and vegetables as insufficient technology is available to preserve or store these for any appreciable length of time. These issues were raised by local young people through consultative conversations as issues to do with the environment and also linked to food sufficiency and healthy eating. This project was aimed at developing SMART technologies, starting with solar mango dryers. A team of engineers working with students from UK universities and local Gambian volunteers and carpenters identified the problem and through a Global Youth Work pedagogical approach, designed and tested the proof of principle for a solar dryer for mangos which could also be used to dry other fruits. Again, the key success is not only in mobilising young people to discuss and gain a new understanding of the problem, linked to globalisation, but to respond to the second of the duality of Global Youth Work, initiating action, beyond just talking, to act out solutions.

 

Solar taxi

The "Live Lab" developed in Manduar is completely off-grid and in its construction, between 2014-15, the issue of how and where to source its energy came up constantly. Consequently, and through a number of spaces generated within and between De Montfort University experts, UK higher education students, and local Gambians, the issue of environmental sustainability in relation to energy came up with great frequency. Why are we not using solar energy given its abundance in The Gambia, especially given the increasing levels of pollution, as the average car in The Gambia is over ten years old with over 100,000 miles clocked, and not subjected to a compulsory annual vehicle test. Consequently, through a Global Youth Work pedagogical exploration, the idea for the use of a solar car was developed to test the principle of its viability, in terms of commerce as well as production of clean and non-polluting energy. Again, this was following a period of consultative conversations, to address the first of the duality of Global Youth Work. Using solar panels donated by Sharp Electronics and an electric vehicle, contributed by Nissan Europe, the project has been testing the proof of principle for running a ‘solar taxi’ service in The Gambia (first in Africa) by recharging the vehicle from a solar-powered mini-grid. Preliminary research (Sallah & Gammon, 2017) has shown that 50-60% of daily revenue collected by taxi-drivers goes towards fuel, which can be greatly reduced by using solar energy instead, given the availability of sunlight in the region.  Emerging results demonstrate a significant decrease in environmental and noise pollution, as well as financial viability for the use of electric cars.

 

Compressed earth brick machine

Following critical questions raised through the consultative conversations about the availability of low-cost housing in The Gambia and the significant erosion of some beaches and other associated negative environmental impacts, as observed by Manduar Development Hub users and Global Hands members, a project was initiated, based on distinct identified needs, to address the unavailability of low-cost and sustainable housing. The project not only aimed to address the increasing scarcity of sand (an essential component of making bricks and building), but additionally linked to the cutting of trees, and importation of corrugated iron sheets, with a heavy carbon footprint as the majority of these were imported into The Gambia. The first component of the project was to provoke consciousness and then explore practical solutions from their perspectives. The aim of this project was the development of SMART, locally made, Compressed Earth Brick Fabrication Machines, using a collaborative approach to combat soil erosion and promote cheaper sustainable housing using locally available mud/clay. One of these machines' costs about $4,000 to import, which takes it out of the reach of most Gambians, but the project delivered the aim of producing one for under $400. The project developed SMART, low-cost Compressed Earth Brick Fabricator that is affordable to local builders which will significantly improve their ability to afford and build houses as well as mitigate soil erosion as there is significant sand mining leading to soil erosion and environmental degradation. The introduction of this low-cost machine will have a significant impact on the availability of housing. Through a Global Youth Work approach, the focus was not to only understand the environmental issue of lack of housing and debunking unsustainable approaches to housing, but to get the most affected to take action, designing and building a solution by mobilising the best placed to do so.

 

The #Candleoflight #Backway campaign

The “Backway” is an informal slang that often refers to the “illegal”, unregulated migration of young people, largely from Sub-Saharan Africa, into mainland Europe, largely through the Sahara desert, often resulting in a great number of fatalities, since migrants often die crossing the Mediterranean - that is, if they first survive the Sahara desert, including marauding bandits and slavers and all other perils, including organ harvesters. This attempt at the perilous journey is often motivated by lack of opportunities at the home country. This project aimed to raise awareness of the “Backway” and to provoke consciousness that leads to action, as too many young men and women are losing their lives, every day, gratuitously. The aim of the project was to provide solutions and to find other options to save the lives of so many young people dying, mainly from Sub-Saharan Africa.

#CANDLEOFHOPE #BACKWAYSOLUTIONS CHALLENGE

The #Candleofhope #Backwaysolutions challenge was a social media campaign to highlight the horrible situation of hopelessness that drives young people, largely from Sub-Saharan Africa, to attempt to get into Europe at all cost in search of greener pastures; often resulting in many fatalities as evidenced by the constant stories on our TV screens, of migrant boats capsizing in the Mediterranean, for those in the West; and for those in Sub-Saharan Africa, knowing someone who has embarked on this journey or whose corpse never came back; stories of young men and women losing their lives across the Sahara desert or in the seas is a daily occurrence. This campaign was a call to action; an active statement of intention to develop solutions to this travesty.

The following activities were developed in support of the campaign:

  • Backway Music Video. “Backway” was a new single created by an artist from The Gambia, Silver P, and an artist from Leicester, Ayolah Hanley, in March 2017, with a focus on raising awareness about irregular migration from mainly Sub-Saharan Africa to Europe.
  • Backway to Europe: Gateway to Death. This is a short documentary produced by Hexalens, in collaboration with Global Hands and James Skinner Films, exploring the “Backway” phenomenon (irregular youth migration) mainly from The Gambia in Sub-Saharan Africa, via Libya to mainland Europe, released in April 2017. The documentary speaks of the hopelessness that drives youths from Sub-Sahara into perilous journeys across the desert and Mediterranean, often resulting in fatalities.
  • Run4Africa 2017. The Run4Africa is an annual event held in Leicester - UK and The Gambia; the 29th April 2017 version focused on the #Candleofhope #Backwaysolutions. The event was opened to all ages to come along and run, walk, dance or crawl their way through 5 km. The run focussed on #Candleofhope and #Backwaysolutions to highlight the dire plight of young migrants involved in the “Backway”. There was also a #Candleoflight Africa Festival immediately after the Run4Africa at Abbey Park (Leicester), featuring various artists, internationally chosen to interpret the “Backway” theme.

Campaign impact

Through a Global Youth Work pedagogic approach, we wanted to focus on a case study of how young people, both in Europe and Africa, were mobilised, with both local and international media houses being engaged to feature the campaign, as well as young people in Africa taking the lead in provoking consciousness and taking action. It reflected the transformative power of young people to mobilise and bring about transformative social change, starting with the establishment of counter narratives and the generation of hope. It can be stated that the project had two main objectives; the first was to raise awareness about the “Backway” situation so that the general public and relevant authorities could understand its causes, consequences and solutions; second was the need to take concrete action to redress this hostile situation. In relation to the first objective, we can report that the music video and song has been widely shared on social media, including 1,716 hits on YouTube as of June 2020; the documentary was also widely shared on Facebook, with 3,261 hits on YouTube (June 2020) and a Facebook reach of 3,572 likes and 27 shares. Additionally, both the song and documentary were given 1-hour slots on Interface TV (syndicated to GRTS in The Gambia; Malmo’s TV in Scandinavia, and BEN TV in the UK, shown on Sky TV). Whilst there are no concrete viewing numbers, all these TV platforms have both national and International coverage as well as online replay facilities. The #Backwaysolutions #Candleofhope campaigns were also covered on BBC Africa TV with a powerful international audience, as well as on their Facebook page, which drew over 133,186 views, 893 shares and 804 reactions, as well as 120 comments. This demonstrates a significant reach and impact, as well as significant success raising awareness on the issue. Additionally, the Run4Africa in The Gambia drew over 100 participants, and the run in Abbey Park (Leicester - UK) drew over 200 participants. Significant evidence has been gathered to illustrate that this campaign has been a contributory factor in bringing the subject to the attention of some members of the public for the first time. In relation to taking action, it is significant to note that two groups of young people, both in The Gambia and the UK, were at the heart of drawing the concept paper for the campaign. Working with a group of politics students from the De Montfort University’s Faculty of Business and Law, Global Hands Leicester volunteers, and Global Hands Gambia volunteers, working in conjunction with Manduar Development Hub staff, all the projects were conceptualised and operationalised with young people, through a Global Youth Work pedagogical approach. Additionally, young vulnerable people to the “Backway” were also directly involved in designing and implementing the initiative. A conference was organised by young people in June 2017 at the Manduar Development Hub in The Gambia, with the aim to explore causes, consequences and solutions to the problem. Various stakeholders from the statutory, voluntary and commercial sectors were engaged, in addition to young people who have attempted the “Backway”. The Run4Africa 2017 with a focus on #Backwaysolutions and #Candleofhope also raised over £2500, which went to support projects to counter the “Backway”, including a library, a conference, and other capacity building ventures now happening at the Manduar Development Hub, such as food processing and solar energy training.

 

Tensions beyond theoretical considerations

The four above examples I have chosen to share in this paper represent only a fraction of the heretic attempts I have been involved in engendering disruptive pedagogy towards the eradication of poverty in all its forms, everywhere. This has not necessarily been a linear and progressive journey, but one of immersion that has been a constant process of learning, recalibration, theorising in action and on action, and reflection. Whilst it gave me great joy on many instances, it also required a lot of sweat, tears, and pain, at other times. I would like to conclude by reflecting on the following points:

 

The creative tensions of scholar-activism

I have spent the last 16 years trying to synthesis my dual identities of being both a scholar and an activist, and this process of generating creative tension has both its trappings and challenges. In addition, my intersecting identity of being a scholar-activist privileges me and simultaneously disadvantages me from the “logic of the system”. Whilst at times the academy is supportive, it can also be mechanical and inhumane, with scant understanding of the tensions I have to straddle as a scholar-activist. Where I win awards based on my scholar-activism, this is very much welcomed and celebrated, even rewarded. However, carving out time to engage in activism is hardly supported; in fact, I had to learn the art of creativity to manage some of these tensions. Additionally, I had to conduct the overwhelming majority of my activism in my own time, in addition to my full-time role as an academic, and this can result in serious health complications, especially as a result of trying to burn both ends of the candle. The rules of engagement for scholars, in my experience, is very different to that of the activist, especially in relation to the concept of time, ethical boundaries and process. Whilst my work over the years has had a demonstrable significant impact, it has left me with many scars, acquired in the trenches.

 

Debunking colonised development paradigms

Decoloniality has been a central plank, informing my practice, especially given my situatedness; the aftermath of slavery and colonialism, although not palpable, remains insidiously present in my audiences' configuration, sanctification, validation and consideration of ways of knowing, and ways of being. This process of decolonisation cannot, therefore, be seen as old colonial relics; to the contrary, they are essential components for the deconstruction of centuries old orthodoxy architectures that imbue development paradigms in the South and their enaction. This process of decoloniality, in my experience, is a sine quo non for both academics and practitioners, in the North and the South, who must engage more critically, both in thought and action, when it comes to engendering disruptive actions to eradicate poverty in all its forms.

 

A critical look at our intervention from the West

Linked to the last point, current attempts, especially by NGOs and INGOs, as well as UN and state actors, must take an inner recession to critically examine what they purport to do with the funding at their disposal and how they intervene more effectively, whilst at the same time cognisant of the historicity, power, and positionality of their interventions. Any continuation of business as now, in my experience, is a continuation of the “missionary position” colonial raping, just a more subtle mutation. “Development pornography” peddled by the “merchants of misery” at a significant detriment to those in whose lives we purport to intervene in, requires significant recalibration.

 

My positionality

Unashamedly and unapologetically, my situatedness and positionality has given me certain vantage views that allow me to gain greater insight into the causes, consequences and solutions to intractable development challenges, especially given my affinity, having had a personal serving of these intractable development challenges. This has significantly influenced my theory and practice. For those who do not have this situated/positional affinity, it is imperative that they understand it before effective efforts can be taken to dismantle all forms of pervasive, intractable, inhuman and deplorable poverty, in all its forms, everywhere!

 


[1] Director, Centre for Academic Innovation, De Montfort University (UK).

 

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Vanessa Andreotti 1, Sharon Stein 1, Dino Siwek 2, Camilla Cardoso 2, Tereza Caikova 1, Ubiracy Pataxó 3, Benicio Pitaguary 4, Rosa Pitaguary 4, Ninawa Huni Kui 5, Elwood Jimmy 6

 

Resumo: Neste artigo, revisamos aprendizados de nossos esforços colaborativos para o engajamento com decolonização em diversos contextos educacionais. Para isso, consideramos múltiplas interpretações sobre decolonização e múltiplas dimensões de teorias e práticas decoloniais - em particular as dimensões ecológica, cognitiva, afetiva, relacional e econômica. Ao invés de oferecer definições normativas ou prescrições, procuramos fomentar uma ampliação da sensibilidade para potenciais circularidades, curto-circuitos e contradições do pensamento crítico, e identificar oportunidades e aberturas para experimentos coletivos contextualizados e responsáveis, em direção a outras possibilidades de (co)existência. Dessa forma, enfatizamos uma abordagem pedagógica para a decolonização que reconhece o papel do inconsciente, da complexidade, da cumplicidade e das incertezas neste tipo de trabalho.

Palavras-chave: Decolonização, Pedagogia, Modernidade, Colonialismo.

 

Resumen: En el presente artículo, revisamos aprendizajes derivados de nuestros esfuerzos colaborativos para el compromiso con la descolonización en diversos contextos educativos. Para eso, consideramos múltiples interpretaciones sobre descolonización y múltiples dimensiones de teorías y prácticas descolonizadas – en particular, las dimensiones ecológica, cognitiva, afectiva, relacional y económica. En lugar de ofrecer definiciones normativas o prescripciones, procuramos fomentar una ampliación de la sensibilidad para potenciales circularidades, cortocircuitos y contradicciones del pensamiento crítico, e identificar oportunidades y aberturas para experimentos colectivos contextualizados y responsables, hacia otras posibilidades de (co)existencia. Así, enfatizamos un abordaje pedagógico para la descolonización que reconoce el papel de la complexidad, de la complicidad y de las incertidumbres en este tipo de trabajo.

Palabras-clave: Descolonización; Pedagogía; Modernidad; Colonialismo.

 

Abstract:  In this paper, we review learnings from our collaborative efforts to engage with decolonization in various educational contexts. For this, we consider multiple interpretations of decolonization and multiple dimensions of decolonial theories and practices - in particular the ecological, cognitive, affective, relational and economic dimensions. Rather than offering normative definitions or prescriptions, we seek to foster greater sensitivity to potential circularities, short-circuits, and contradictions of critical thinking, and to identify opportunities and openings for contextualized and responsible collective experiments toward other possibilities of (co) existence. Thus, we emphasize a pedagogical approach to decolonization that recognizes the role of the unconscious, complexity, complicity and uncertainties in this type of work.

Keywords: Decolonization; Pedagogy; Modernity; Colonialism.

 
 

Faz mais de 6 anos que Eve Tuck e K. Wayne Yang (2012) publicaram um texto importante que foi muito divulgado no Canadá, “Decolonização não é uma Metáfora”. O argumento de “que a linguagem da decolonização 7 foi adotada superficialmente no campo da Educação e de outras Ciências Sociais” (p.2) é muito relevante também em outros contextos onde o termo ganha popularidade. Muitos dos esforços recentes para transformar o sistema de ensino superior canadense, por exemplo, são articulados a partir da abordagem da decolonização. Outro exemplo é o Estado boliviano que incorporou a decolonização como um objetivo em suas leis educacionais. Existem atualmente conferências inteiras, além de livros e jornais académicos dedicados ao tema. O crescente interesse pela decolonização oferece numerosas oportunidades para o engajamento em análises estruturais e sistémicas e na criação de estratégias educacionais para imaginar e criar espaços para diferentes futuros decoloniais. No entanto, como apontam Tuck e Yang, existe uma ambivalência nesta crescente popularidade. Além da tendência de se reduzir decolonização a uma metáfora, o que sugere uma falsa promessa de transcender a colonização "sem abdicar de nada" (Jefferess,2012), nós percebemos também que decolonização tem sido frequentemente tratada como lugar e sujeito de consumo e acumulação nos quais pessoas buscam soluções dentro dos paradigmas existentes, dos desejos padronizados e das zonas comuns de conforto. Neste processo, hábitos de existência e padrões coloniais de relacionamento acabam sendo reproduzidos no exato momento em que poderiam ser perturbados. Como resultado desta circularidade crítica, muitas possibilidades decoloniais são prematuramente encerradas.

No contexto do trabalho do coletivo “Sinalizando rumo a futuros decoloniais” 8, já escrevemos extensamente tanto sobre o potencial generativo quanto sobre o potencial nocivo do engajamento com decolonização em contextos educacionais (Ahenakew, 2016; Ahenakew, Andreotti, Cooper & Hireme, 2015; Ahenakew & Naepi, 2015; Andreotti, 2016; Andreotti, Stein, Ahenakew, & Hunt, 2015; Andreotti, Stein, Sutherland, Pashby, Suša, Amsler, & the Gesturing Towards decolonial Futures Collective; Naepi, Stein, Ahenakew, & Andreotti, 2017; Stein & Andreotti, 2016, 2017; Stein, 2018; Stein, Hunt, Suša, & Andreotti, 2017). Em nossas pesquisas, no ensino e no engajamento comunitário com o tópico, estivemos menos preocupados em oferecer definições normativas sobre decolonização, ou em criar uma prescrição para planos de ação, e mais orientados para o desenvolvimento de sensibilidades a potenciais circularidades críticas e atalhos (o que chamamos de “radares decoloniais”), e para identificar oportunidades e aberturas a experimentos coletivos e contextuais que encenem diferentes formas de relacionamento e diferentes possibilidades de existência, sem oferecer qualquer tipo de garantia. Isto é, estes experimentos são levados adiante com um senso de humildade que reconhece que provavelmente iremos apenas apontar na direção da decolonização cometendo erros que por sua vez oferecem importantes oportunidades de aprendizagem. Esses aprendizados podem ser úteis para outros educadores com uma orientação decolonial em seu trabalho, e também para aqueles comprometidos em trabalhar com e através dos desconfortos, desafios e contradições inerentes a este tipo de prática pedagógica. Por isso, embasamos este artigo em nossos próprios esforços colaborativos para vislumbrar e apontar rumo a futuros decoloniais. Nesta proposta pedagógica, reconhecemos o papel do inconsciente, da complexidade, da cumplicidade e das incertezas, e utilizamos múltiplas interpretações e dimensões teóricas e práticas decoloniais - em particular, suas perspectivas ecológica, cognitiva, afetiva, relacional e económica.

Começamos este artigo revisando nossos trabalhos anteriores em língua portuguesa (Andreotti, Pereira, Edmundo, 2017; Andreotti, 2018; Andreotti, Stein, Susa, Coletivo, 2019) de mapeamento de teorias de mudanças sociais em relação a esforços existentes de decolonização, para ilustrar como o uso de "cartografias sociais” 9 cria possibilidades para uma abordagem pedagógica, ao invés de prescritiva, sobre decolonização. Após elaborarmos como a tendência consumista, dirigida por hábitos coloniais, apegos e vícios afetivos/cognitivos, pode se manifestar em quaisquer destas teorias, introduzimos uma metáfora - "a construção da casa da modernidade" (Andreotti, Stein, Susa, Coletivo, 2019) - a qual temos utilizado e desenvolvido em diferentes contextos para nos ajudar a compreender como as incertezas e instabilidades do presente oferecem precárias aberturas para um engajamento mais aprofundado com teorias decoloniais de mudanças e suas implicações, assim como com as dimensões afetivas da transformação. A seguir, contrastamos as potenciais circularidades dos desejos baseados no consumo com o anseio por tipos diferentes de conexões e formas de existência, e enfatizamos a importância de se dirigir a estes anseios enquanto permanecemos conscientes das sempre presentes armadilhas da reprodução dos hábitos de existência coloniais normalizados. Posteriormente, revisamos alguns dos aprendizados de nossos próprios esforços em se engajar com possíveis alteridades, introduzindo uma estrutura composta de cinco múltiplas dimensões de justiça global articuladas de forma integrada. Concluímos este artigo com perguntas para nos ajudar a analisar os vários desafios sociais, políticos e ecológicos a partir de uma perspectiva intelectual, somada a um conjunto de orientações afetivas que podem nos permitir compostar hábitos cognitivos/afetivos nocivos e reconstruir hábitos mais saudáveis de saber, de ser, de querer e de se relacionar.

 

Pensando Pedagogicamente com/por meio da Decolonização usando Cartografias Sociais

Todo o diagnóstico sobre o presente contém em si mesmo uma visão sobre um futuro preferível, implicitamente ou não. Juntos, um diagnóstico e sua proposição resultam em uma teoria de mudança. Enquanto é cada vez mais comum imaginar mudanças sociais através da lente da decolonização, existe uma considerável diversidade de análises precisamente sobre o que constitui colonização, e como podemos promover a decolonização. Ainda assim, propostas que possibilitem futuros decoloniais nem sempre seguem de forma lógica ao diagnóstico da colonização, particularmente em um contexto contemporâneo no qual a autoridade epistêmica é crescentemente descentralizada, condicionada por conflitos identitários, e frequentemente contraditória, e as opiniões individuais são forjadas mais por conveniência e leituras seletivas do que por modelos teóricos coerentes, orientações políticas ou valores imutáveis (Bauman, 2000). Ademais, notamos ainda uma lacuna significante entre intenções expressas e esforços reais de decolonização. Por reconhecer as lacunas comuns entre o dito e o feito, a natureza polarizante das conversas sobre colonialismo, e o risco de circularidades envolvido nos esforços para mudanças sociais, nossa estratégia para o engajamento com diferentes teorias decoloniais sobre mudança tem sido primordialmente pedagógica, ao invés de prescritiva. Isso é, ao invés de afirmar qualquer diagnóstico ou proposição particular como única abordagem ética ou viável para decolonização, nós buscamos convidar para um engajamento com uma gama de possibilidades, particularmente usando metodologias de cartografia social, nas quais abordagens contrastantes para um problema comum são mapeadas, e suas intenções políticas e filosóficas identificadas e desconstruídas, de modo a trazer luz a suas escolhas onto-epistemológicas (Andreotti et al., 2016 Paulston, 2000; Susa & Andreotti, 2019).

Em nossa experiência, cartografias sociais podem auxiliar pessoas a esclarecer as condições e particularidades de seus próprios contextos, aprendendo a ficar com as contradições sem tentar resolvê-las de imediato. Cartografias contribuem com a profundidade e o rigor de processos intelectuais orientando-os através de generosidade crítica, atenção a diferenças, contradições e auto-implicação, evitando assim soluções simplistas para problemas complexos. Ao mesmo tempo, as cartografias criam espaço para amplitude e integridade dos processos afetivos e relacionais envolvidos ao enfrentarmos os desafios atuais em todas suas dimensões, e para andarmos (e tropeçarmos) juntos em direção a outras possibilidades, sem tentar com isso determinar de antemão a forma de caminhar ou o destino desejado. Ademais, esses processos acontecem com respeito ao ritmo de aprendizagem de cada pessoa, ao mesmo tempo que mantém um senso de responsabilidade com aqueles afetados negativamente por estes ritmos e aprendizados, dadas a extensão e a urgência dos desafios enfrentados. Em última instância, a intenção é apoiar pessoas a criar e tomar responsabilidade por suas próprias decisões sobre como lidar com desafios dentro de seus próprios contextos.

Tudo isso se traduz em processos pedagógicos inter relacionados que podem ajudar a trabalhar com/através de posições divergentes sobre de/colonização, incluindo:

  • Identificar diferentes diagnósticos de colonização e proposições para decolonização a partir de cada diagnóstico (ex: diferentes teorias de mudança);
  • Rastrear as suposições, investimentos e histórias por trás das diferentes teorias decoloniais de mudança, desalojando investimentos e interpretações existentes, para questionar o que cada uma delas permite e interdita;
  • Pensar de forma (auto) reflexiva e sistêmica sobre nossas relações individuais e coletivas com estas suposições, investimentos e histórias para convidar a curiosidade, reflexividade, abertura e a expansão das sensibilidades;
  • Trabalhar com e através dos limites, tensões e contradições entre diferentes teorias de mudança, reconhecendo a parcialidade de cada uma delas; 
  • Convidar (de forma responsável) experimentações com possibilidades decoloniais a partir de um lugar de humildade, consciência histórica, generosidade e auto-implicação.

Para ilustrar o uso destas cartografias, vamos agora revisar uma versão de uma das cartografias "raiz" que primeiro utilizamos no artigo “Mapeando Interpretações sobre Decolonização no Ensino Superior” (Andreotti et al., 2015) 10, a qual temos continuamente revisitado e revisado em resposta a mudanças de contexto e de audiência. Aqui, retornamos a essa cartografia com um foco renovado, com o qual podemos identificar e interromper padrões de decolonização orientados por desejos de consumo baseados em hábitos coloniais de existência, de modo a que possamos reorientar esforços decoloniais para o que entendemos como um anseio por conexão baseado em outras possibilidades de (co)existência.

Esta cartografia é organizada ao redor de diferentes abordagens sobre a modernidade, para assim ilustrar como cada espaço de reforma identificado vê a relação entre modernidade e colonização de forma diferente - e portanto, oferece uma visão distinta da decolonização. Antes de revisarmos este mapa de diferentes abordagens, faremos uma breve revisão do significado da modernidade e o nosso entendimento de suas partes constituintes - que descrevemos utilizando a metáfora da "construção da casa da modernidade" (Stein et al., 2017; Andreotti et al., 2019).

Figuras 1 e 2 - A construção da casa da modernidade e seus custos escondidos

As fundações desta "casa da modernidade" são construídas em uma base de concreto que separa humanos do resto da natureza, criando uma escala de valores que compara e ordena estes seres supostamente separados de acordo com sua utilidade percebida. Umas das paredes da casa é representadas por azulejos compostos de valores Humanistas ocidentais e tradições de saberes do Iluminismo, recheadas de promessas de consenso e relevância universais. Na outra parede, a sustentação é feita pelos Estados-nação, os quais prometem segurança através dos mecanismos de fronteira, direitos e homogeneidade nacional. Os azulejos do teto da casa são o capitalismo global, organizado em camadas contínuas de crescimento econômico e consumo como indicadores de progresso e civilização. Enquanto a construção da casa da modernidade oferece promessas reluzentes, essas promessas são subsidiadas por uma camada subterrânea colonial: os custos externalizados e invisíveis de construir e manter a casa. Isso inclui expropriações históricas e atuais, roubos de terras, explorações, destituições, fome e má nutrição preveníveis, aprisionamentos, desapropriações, epistemicídios, ecocídios e genocídios.

A relação de alguém com a casa e seus esforços (ou falta de) em acessar suas promessas dependerá em parte de onde a pessoa se situa em relação a ela tanto no momento presente quanto aspiracionalmente (ex: contentamento com a existência no porão, monopolizando espaços nos andares do topo; buscando mobilidade do primeiro piso para o topo; na porta lutando para entrar; fora da casa, mas sem tentar entrar). Nós vamos retornar a esta metáfora mais adiante, quando discutirmos o que ela pode nos dizer sobre como lidar com desafios contemporâneos. Primeiro, porém, introduzimos outra cartografia para nos ajudar a visualizar as implicações de diferentes relações com a modernidade, que se desdobram em três diferentes abordagens para mudanças sociais: reforma sútil, reforma radical e "além" da reforma.

Figura 3 - Diferentes interpretações para decolonização no ensino superior


As abordagens para a decolonização articuladas de dentro dos espaços de reforma sutil (Soft-reform space) focam em incluir populações tradicionalmente marginalizadas nas instituições existentes. Nestes espaços, a colonização é primeiramente diagnosticada como um problema de exclusão das benesses da sociedade moderna: a mobilidade social oferecida pelo capitalismo; a ordem e o pertencimento oferecido pelos Estados-nação; a Razão universal e os valores oferecidos pelo Humanismo ocidental e as tradições iluministas de conhecimento; a autonomia, a autoridade e o individualismo possessivo oferecidos pela separação dos humanos da Terra e uns dos outros. A teoria de mudança que orienta a reforma-sutil é uma de ajustes metodológicos - a ideia de que os sistemas e estruturas aos quais habitamos são adequados, mas a forma como nos engajamos com eles necessitam de constantes atualizações para garantir melhorias contínuas em eficiência e eficácia. Embora as diferenças não sejam inteiramente omitidas, a inclusão é condicionada a um consentimento quanto a um horizonte de esperança orientado por objetivos compartilhados e coerência ao redor de um suporte contínuo para as normas sociais, políticas e econômicas existentes. O ideal aqui é incorporar formas de diferença que não façam diferença, para que aqueles que estejam sendo incluídos possam ser suavemente absorvidos pelas instituições existentes. Nesta abordagem, possíveis alternativas para organizar relações e recursos que desafiam essas normas são deslegitimizadas ou consideradas ilegíveis, e assim a única proposição possível passa a ser expandir o acesso às instituições existentes.

Em contraste com o espaço de reforma sutil, o espaço de reforma radical (Radical-reform space) identifica a colonização como um produto de representações excludentes e redistribuição inadequada - o que se traduz em questões não apenas relacionadas sobre o que fazemos em instituições modernas (ex: preocupações metodológicas), mas também como pensamos e justificamos o que fazemos (ex: preocupações epistemológicas). O diagnóstico da colonização é orientado por análises sistêmicas que criticam relações desiguais de produção de conhecimento, que por sua vez racionalizam distribuições desiguais de recursos, trabalho e valor simbólico. Essas desigualdades são tidas como um subproduto das estruturas de dominação da modernidade, e por isso, nesta proposição a única correção possível se dá  através de uma reestruturação radical das relações sociais. Porém, críticas a partir deste espaço tendem a desarticular e priorizar uma ou às vezes duas dimensões do colonialismo (ex: despossessão capitalista, racismo, heteropatriarcado, capacitismo, imposição da democracia liberal no formato Estado-nação) ao invés de entender as interconexões entre estas dimensões. Neste espaço, o horizonte de esperança mira os mecanismos modernos que produzem desigualdades duradouras com o intuito fundamental de refazer a modernidade em si. Assim espera-se que a criação de mais espaço para diferentes saberes, pessoas e experiências, e a realocação de recursos para apoiar esta presença, levará à transformação de uma instituição/sistema, ao invés destes saberes, pessoas e experiências serem absorvidos por uma instituição/sistema que de outra forma permaneceria imutável. Estratégias propostas para a decolonização nestes espaços incluem empoderar, amplificar e centralizar a voz de sujeitos marginalizados (ex: representação substantiva que vá além de mero tokenismo) e redistribuir recursos.

A distinção entre os espaços radicais e além da reforma (Beyond-reform space) se dá no reconhecimento por esse de que a adição de outras formas de saber e a redistribuição de recursos não será suficiente para mudar as infraestruturas que sustentam o sistema moderno/colonial. O colonialismo aqui não é entendido apenas como a ocupação de territórios, subjugação de povos, distribuição desigual de recursos ou formas de saber excludentes, mas como condição necessária à própria existência da modernidade. Assim, o colonialismo é visto como lado obscuro constituinte da modernidade: inerentemente extrativista, antiético e insustentável, e portanto, impossível de ser reformado. A partir desta perspectiva, adicionar múltiplas epistemologias na mesma fundação ontológica (moderna) será sempre uma estratégia limitada para interromper hábitos coloniais de existência (Ahenakew, 2016; Ahenakew et al., 2014; Kuokkanen, 2008). Isso não significa que reformas imediatas para instituições modernas - incluindo estratégias de redistribuição e representação - não sejam importantes, mas sim que em última análise, estas instituições não podem ser reformadas ou redimidas se o objetivo for acabar com a colonização.

Teorias de mudança enraizadas no espaço além da reforma são variadas, mas geralmente se encaixam em uma de três alternativas, sendo que cada uma delas oferece possibilidades e limitações (e podem também ser usadas em conjunto): "saída", “substituição”, "hackeamento", ou "cuidados paliativos." Aqueles que tentam "sair" do ou “substituir” o sistema moderno geralmente procuram alternativas aos sistemas e instituições modernas que ofereçam garantias. Isso pode incluir, por exemplo, esforços para desenvolver ou reaver epistemologias e/ou modos de organização social que foram ativamente reprimidos pela modernidade. Embora haja muito a aprender com este tipo de trabalho, alternativas comprometidas com uma garantia de desfecho desejada podem ainda estar enraizadas em ao menos algum dos desejos coloniais  (e.x. de certeza, progresso, inocência), e também podem ser romantizadas a um ponto no qual suas carências e inevitáveis erros e contradições sejam ignoradas. Ademais, a habilidade para optar por "sair" ou não do sistema precisa ser entendida em contraste com aqueles que não tem esta opção pois já estão de início estruturalmente excluídos do sistema e sujeitos a suas formas mais puras de violência - uma distinção que descrevemos como entre aqueles envolvidos em lutas de alta e baixa intensidade. Nenhuma delas é mais ou menos pertinente do que a outra - ambas são necessárias - mas a posição de alguém em relação a estas intensidades contrastantes deve informar o papel que cada um desempenha dentro de um projeto maior de decolonização.

Aqueles que se propõem a "hackear" as instituições modernas procuram redirecionar os recursos de dentro do sistema para nutrir outras possibilidades, sejam esforços educacionais para identificar os limites destas instituições, sejam suporte a sistemas alternativos (ou ambos). Esta abordagem pode ser entendida como uma abordagem "um pé dentro, um pé fora," que necessita que um determinado alguém "jogue o jogo" da instituição enquanto tenta curvar as regras para outros fins além da “vitória". Muitos bons trabalhos podem ser feitos por esta abordagem, mas é difícil perceber quando alguém está manipulando o sistema ou sendo manipulado por ele. Ademais, algumas pessoas operando neste espaço podem se posicionar do lado de fora das implicações do sistema de modo a focalizar em uma resistência individual e falhar em atender à cumplicidade estrutural no dano causados pelo sistema.

A última proposta além-da-reforma é a que nomeamos "cuidados paliativos", que reconhece o inevitável fim das antiéticas e insustentáveis instituições da modernidade, mas vê a necessidade de propiciar uma "boa" morte, na qual importantes lições são aprendidas através dos erros do sistema convalescente, lições essas que podem ser aplicadas enquanto testemunhamos e ajudamos a parir o nascimento de algo diferente. Esta abordagem também requer que apliquemos cuidados paliativos aos nossos próprios investimentos nas promessas da modernidade, sem rejeitar reativamente a modernidade nem tentar controlar os termos de sua dissolução, o que pode paradoxalmente reproduzir muitos padrões coloniais de consumo, mas através de processos auto-implicados de enfrentamento de nossos próprios desejos e hábitos de existência coloniais. Na interface entre estas mortes e nascimentos está o imperativo de andar firmemente no "olho da tempestade" sem saber claramente para onde se está indo: mova-se muito rápido ou muito devagar, e poderá ser varrido e atirado no vórtice da mudança. Nós elaboramos mais sobre estes cuidados paliativos posteriormente no artigo.

 

Interrompendo as circularidades coloniais enquanto a “Casa da Modernidade” definha

Por mais que consideremos importante entender a significativa diferença entre estas teorias de mudança decoloniais - isto é, os diagnósticos de colonização e as propostas para decolonização - em todos esses anos trabalhando com esta cartografia, percebemos cada vez mais sua importância também para entender como estas teorias são mobilizadas e encenadas. Em particular, notamos que devido à forma como muitos de nós fomos socializados dentro dos hábitos de existência coloniais dos sistemas e instituições modernas, há uma necessidade de analisar não apenas as dimensões intelectuais da de/colonização, mas também suas dimensões afetivas e relacionais. Nós descobrimos que independentemente de onde alguém esteja localizado dentro do espectro "sutil-radical-além", apenas articular ou se alinhar a uma crítica intelectual sobre a colonização não imuniza este alguém de reproduzir desejos e hábitos de existência modernos/coloniais. Identificamos estes padrões de forma recorrente tanto em contextos educacionais diversos como dentro de nós mesmos. Particularmente, observamos nossas próprias dificuldades em quebrar esses padrões, apesar das nossas sinceras intenções em imaginar e agir de forma diferente.

Esses hábitos e desejos podem ser pensados como viciantes, no sentido de que são difíceis de serem interrompidos mesmo quando sabemos de seu potencial nocivo (para os outros e para nós mesmos), uma vez que são de alguma forma aprazíveis, e/ou oferecem algum alívio, independentemente do quão temporários estes prazeres ou alívios podem ser e do dano que podem causar (Kapoor, 2014). É portanto não (apenas) a falta de informações que leva à reprodução do colonialismo, mas também os investimentos afetivos duradouros em suas promessas e prazeres. Por isso, sugerimos que qualquer pedagogia decolonial precisa endereçar, com crítica e compaixão, os apegos e direitos afetivos percebidos que formam as bases dos hábitos e vícios de existência coloniais, tanto nos outros como em nós mesmos - em particular, desejos comuns de:

  • Auto-transparência (através da presunção de que podemos ser completamente honestos conosco e com os outros sobre nossos desejos, intenções e investimentos);
  • Teleologia/progresso (através de movimentos lineares em direção a objetivos pré-definidos);
  • Afirmação (da bondade/valor/virtude/merecimento/excepcionalismo de alguém);
  • Inocência (através da desidentificação com a cumplicidade no dano);
  • Certeza (através de respostas claras e resultados garantidos);
  • Liderança/controle/autoridade canônica (sobre a direção e o caráter da mudança);
  • Consenso/coerência (como pré requisitos para relacionamentos e colaborações);
  • Individualismo/autonomia (em que a interdependência com e a responsabilidade para outros seres não é uma opção inerente - ex: baseada no livre arbítrio).

Quando esses desejos não são atendidos, podem surgir sentimentos de frustração, falta de esperança e traição, que por sua vez podem resultar em diversas demonstrações de  fragilidades e até de violência material. Pensando pedagogicamente, se estes desejos não são identificados, interrompidos e "compostados", isto é, transformados em algo diferente e mais generativo, então a decolonização em si ou sofrerá uma resistência completa, ou será empacotada em processos, experiências ou expressões que podem ser prontamente consumidas de forma a apaziguar estes desejos e até produzir algum benefício a curto prazo, mas que farão pouco para interromper as nocivas estruturas subjacentes. Em outras palavras, enquanto o trabalho intelectual de traçar os contextos e histórias sociais, políticos e econômicos que moldaram o presente colonial são partes vitais de qualquer esforço de decolonização, apenas aprender sobre as relações coloniais de poder não interrompe os modelos dominantes de saber, ser, querer, desejar e ter esperanças que são continuamente refeitos através destas relações.

Apesar (ou talvez por causa) de nosso reconhecimento a estas circularidades e curto-circuitos, permanecemos comprometidos com estratégias de engajamento com os horizontes possíveis de decolonização, particularmente de forma a manter estas circularidades visíveis sem sugerir cinicamente sua inevitabilidade. Parte deste compromisso de longo prazo vem das observações nossas e de outros sobre o estado atual da "casa construída pela modernidade". As formas dominantes de organização políticas, econômicas e ecológicas estão começando a atingir seus limites internos. Embora a vida para aqueles vivendo dentro da casa sempre tenha sido subsidiada pela exploração e expropriação daqueles vivendo fora da casa, no porão da casa, e também por um crescente número de pessoas dentro da casa, a estrutura da casa aparenta estar cada vez mais precária e instável: o cimento de sua fundação está rachando, o teto está com goteiras e um mofo originado no porão está subindo para os outros andares. Apesar da casa estar começando a tremer, cada vez mais pessoas formam filas à sua porta, uma vez que o impacto da casa no planeta na qual ela existe (e do qual extrai seus recursos, e para o qual despeja seu lixo tóxico) se torna mais e mais perturbador para aqueles vivendo do lado de fora (seja por opção ou forças de exclusão), muitos dos quais historicamente providenciaram involuntariamente o trabalho e os materiais para a construção e manutenção dela.  Como resultado, as promessas da casa de certeza, segurança e igualdade de oportunidades para competir a uma posição dentro da casa - ex: uma classe média global - parecem cada vez mais improváveis e insustentáveis. Enquanto muitos estão em negação quanto ao seu frágil estado, aqueles que notam as rachaduras têm uma gama de reações, que podem ser mapeadas em relação à abordagem sobre a modernidade, de/colonização e relativas teorias de mudança. 

Figura 4 -  Danos estruturais na casa construída pela modernidade

 

Aqueles que não são críticos à modernidade e acham que seus direitos estão em risco de serem retirados podem procurar elevar as portas da casa construída pela modernidade, ou até ativamente expulsar quem parece retirar mais recursos do que contribuir - geralmente aqueles difamados por narrativas herdadas, sejam elas nacionalistas, raciais de superioridade/inferioridade e meritocráticas. Pessoas nesta posição de "não crítica" podem inclusive tentar intensificar as crises da casa em um esforço para criar pânico e exacerbar o medo, e posteriormente, instrumentalizar estas emoções para justificar políticas ainda mais draconianas. Desnecessário dizer que esta posição não só não tem interesse, mas em muitos casos é também abertamente hostil a decolonização. Para aqueles nos espaços de reforma sutil, embora considerem a necessidade de eventualmente remendar ou substituir algumas partes da casa, em última análise não é percebido por eles nenhuma ameaça para sua existência no longo prazo, nem concebida qualquer alternativa possível de refúgio para substituí-la. Já quem está nos espaços radicais de reforma  pode ver o presente como uma oportunidade de remodelar completamente a casa - adicionando painéis solares e expandindo-a para comportar mais gente, usando materiais "verdes". Entretanto, eles tendem a continuar acreditando que a casa tem uma boa estrutura, que sua manutenção não depende da violência sistêmica e que a casa permanecerá de pé por muito tempo ainda. Finalmente, aqueles em um espaço além da reforma diagnosticam uma insustentabilidade intrínseca no longo prazo, e por isso veem a necessidade de se olhar para além dos horizontes de esperança e mudança orientados pelo Capitalismo global, pelos Estados-nação, pela Razão e Valores universais, pelo antropocentrismo/separação e pela mobilidade social enquanto propósito de vida.  Deste espaço, originam-se diferentes posições: a abordagem de "sair do sistema" propõe substituir a casa por um outro tipo de casa que possa oferecer o mesmo tipo de segurança oferecida pela casa anterior, usando um modelo revisado - isso é, uma casa diferente mas com garantias. As abordagens de hackear e oferecer cuidados paliativos podem considerar necessário experimentar com outros tipos de abrigo, inclusive modificando os propósitos dos recursos materiais da casa, enquanto ao mesmo tempo alargam as rachaduras da casa para convidar as pessoas a vislumbrarem essas outras possibilidades e se engajarem em medidas para a redução imediata de danos para os mais vulneráveis.

Dadas as potenciais circularidades e sobreposições que ocorrem em e entre os espaços de reforma sutil, radical e além da reforma, muitos de nossos esforços pedagógicos são devotados a criar oportunidades de aprendizagem através das quais as pessoas podem não apenas encontrar e se engajar com diferentes críticas intelectuais do colonialismo, mas também trabalhar através de seus investimentos duradouros em hábitos coloniais de existência e suas relações com a modernidade. Por exemplo, muitas pessoas em cada um destes espaços - independentemente de suas teorias de mudança preferidas - investem afetivamente em um processo de transformação linear e prescritivo. Raramente as pessoas estão interessadas em ficar com as dificuldades e confusões da decolonização (sem procurar receitas ou respostas fáceis), ou em aprender a trabalhar com e através de suas próprias cumplicidades (sem procurar inocência para não serem dirigidos pela culpa e pela busca da absolvição ou pureza). Em outras palavras, até quando começamos a perceber que há um problema com o sistema que herdamos, nossa crítica tende a buscar atalhos (Hunt, 2018). Ao invés de se comprometer com processos de longo prazo de digerir e compostar nossos medos, negações e vícios que alimentam o sistema, para assim aprender com erros repetidos e gerar o adubo que pode nutrir diferentes futuros, a crítica é canalizada em um processo imediatista de consumo que gratifica aqueles medos, negações e vícios. Em última instâncias, o consumo da crítica evita um aprofundamento da responsabilidade sobre a saúde e o bem-estar do metabolismo mais amplo, e assim fecha as portas para outras possibilidades de (co)existência.

Enquanto, por um lado, as incertezas do presente podem levar alguns a serem mais abertos a possibilidades alternativas e experimentarem o trabalho difícil e desconfortável de digerir e compostar, a ausência de pisos seguros pode também apenas reforçar o desejo para certos resultados a partir destas alternativas (e assim, consumir a crítica de forma a alimentar os investimentos e vícios coloniais). Por exemplo, em espaços de reforma sutil, as pessoas desejam "marcar a alternativa" da decolonização de maneira a permitir sentirem-se bem e passarem para as questões que percebem como mais importantes, urgentes e universais. Na reforma radical, por vezes existe um desejo problemático de posicionar-se como um líder virtuoso da transição, encobrindo a própria cumplicidade estrutural, apagando a dimensão coletiva do trabalho decolonial e falsamente presumindo um caminho claro de mudança racionalmente definido. E nos espaços além da reforma, o sentido de urgência ao redor da casa colapsando pode levar à tentativa de apressar o processo de compostar os elementos antigos, de derrubar a casa antes que ela esteja pronta a cair e de apressadamente construir alguma outra coisa, levando potencialmente a uma falha em aprender as lições necessárias, que consequentemente podem apenas ser repetidas na próxima forma de abrigo.

Nosso reconhecimento a estes padrões problemáticos de resposta à instabilidade da casa é temperado pelo reconhecimento de que uma crescente desilusão com as suas promessas cria uma importante abertura para transformações e para o desdobramento de outras possibilidades de existência, embora tenhamos consciência de que algumas alternativas à casa construída pela modernidade podem ser ainda mais danosas do que a própria casa. Em nossa abordagem pedagógica sobre decolonização, olhamos para estratégias que não apenas convidem para espaços de curiosidade, abertura e possibilidade, mas que também cultivem a humildade, o vigor e a auto-reflexividade necessários para trabalhar através dos desafios do presente sem repetir circularmente os mesmos erros. Nós trabalhamos com e através das desilusões das pessoas, gentilmente apontando que se as ofertas da casa são ilusões, então no longo prazo a perda destas ilusões pode não ser algo ruim, mesmo se o processo for doloroso no curto prazo. Como parte deste processo, apoiamos o desenvolvimento de literatura crítica que possibilite às pessoas tomarem distância de suas respostas imediatas (diagnósticos de colonização e propostas de decolonização) para traçar sobriamente as raízes de suas desilusões com a casa, analisar a casa em si, e considerar diferentes medidas de curto, médio e longo prazo. Mas também apontamos para a possibilidade de possibilidades viáveis e inéditas que são percebidas como impossíveis por quem só conhece os parâmetros de existência dentro da casa.

De fato, reconhecemos que a desilusão com a casa pode ser baseada não apenas em uma crescente sensação de que suas promessas foram quebradas (ou talvez eram falsas afinal), mas também no sentido de que mesmo quando suas promessas são cumpridas, há uma insatisfação com a violenta separação forçada presumida e (re)produzida pela modernidade. Como Alexander (2005) argumenta, nosso sentido visceral de interdependência foi mutilado pelo colonialismo. Voltando à metáfora da casa “construída pela modernidade”, a fundação da separação entre humanos e a "natureza", e entre os seres humanos, causou essa sensação de rompimento da interdependência. Enquanto muitos entorpecem a si/nós mesmos para a dor resultante, Alexander afirma que o desmembramento e a fragmentação material e psíquica criados pelo colonialismo também produzem um "anseio por completude, constantemente expresso como um anseio por pertencer, anseio que é tanto material quanto existencial, tanto psíquico quanto físico, e que, quando satisfeito, pode subverter e até desalojar a dor do desmembramento” (p.281). Para Alexander, a fonte deste anseio é um "conhecimento profundo de nossa interdependência - nem separados, nem autônomos" (p.282). Embora a organização social moderna negue este entrelaçamento, ou esta "diferença sem separabilidade" (Silva, 2016), a atual era de incertezas oferece aberturas pelas quais é possível convidar pessoas que estão se sentindo desiludidas a considerar quais infraestruturas e padrões de existência operacionalizam esta sensação de separação, e assim traçar seus efeitos violentos e se encontrar com a possibilidade de organizar e orientar nossa existência de outra maneira, com o fato de que "outras possibilidades" são viáveis. Este trabalho é ainda mais urgente dado que muitas respostas para os desafios atuais buscam vigorosamente reproduzir as ilusões de separação para protegerem direitos percebidos. Porém é importante enfatizar a lição contida no dizer brasileiro de que em uma situação de enchente, só podemos começar a nadar quando a água chega no quadril: as possibilidades de decolonização viáveis exigem que o contexto colonial torne-se existencialmente ou politicamente inviável. Até lá a preparação pedagógica é um passo importante para lembrarmos (não só conceitualmente, mas corporalmente) que é possível nadar.

Portanto, ao invés de transmitir conhecimento e informações relativos ao que os estudantes devem ou não desejar, procuramos chamar atenção para como os desejos são geralmente alçados e alocados dentro da modernidade pelas economias intelectuais, afetivas e materiais de produção de valor. A intenção pedagógica é convidar educadores e educandos a considerar: Como nossa educação nos aprisionou em conceitualizações de (e relações com) linguagem, conhecimento, agência, autonomia, identidade, crítica, arte, sexualidade, terra, tempo, espaço, e ego… que moldam e restringem nossos horizontes e o que consideramos possível/inteligível/imaginável? O que restringe o que é possível sentir, entender, articular, querer e imaginar? Conforme notado em nossa discussão sobre cartografias sociais, este trabalho pedagógico não é politicamente prescritivo - ele não articula nem advoga por uma única teoria de mudança seja diagnóstico ou proposição (apesar de estar enraizado no diagnóstico de colonialidade enquanto separabilidade) - mas sim convida para o engajamento com múltiplas teorias diferentes a partir da profundidade e do rigor do engajamento intelectual, da amplitude e da integridade do próprio processo de aprendizagem, incluindo suas dimensões não-intelectuais (especialmente relacionais e afetivas).

Embora convidemos estudantes a distinguir entre os (frequentemente tóxicos) desejos alocados pela modernidade e o anseio sobre o qual fala Alexander, não podemos buscar coagir os estudantes a "rearranjar seus desejos" (Spivak, 2004) para uma direção em particular ou um resultado pré-determinado. Dito isso, também reconhecemos a importância de uma experimentação responsável com outras possibilidades de existência para fora da casa construída pela modernidade, que é o trabalho com o qual nos engajamentos em nossos papéis como pesquisadores. Nós discutimos isso na parte seguinte do artigo.

 

Aprender com Experimentos para Além do Horizonte da Casa

Sob o título de "Sinalizando Rumo a Futuros Decoloniais", trabalhamos em colaboração com outros pesquisadores, educadores, artistas e ativistas para investigar as seguintes questões: Como podemos aprender a tocar outras possibilidades de (co)existência viáveis mas ininteligíveis ou aparentemente impossíveis dentro dos paradigmas dominantes?  Que processos educacionais podem ultrapassar nossos hábitos sociais e respostas bioquímicas (medos, ansiedades, interesse próprio, narrativas, egos, tendências narcisistas, feridas, etc.), para ativar um senso de entrelaçamento visceral, responsabilidade, compaixão, humildade, generosidade e sobriedade (não dependentes da vontade ou da escolha intelectual), e abrir possibilidades/mundos viáveis, mas inimagináveis ou inarticuláveis dentro dos nossos sistemas de referência atuais? O que, para além de valores ou convicções compartilhadas, pode oferecer um antídoto à indiferença e gerar um senso de cuidado, conexão e compromisso com o todo?

Em um esforço para explorar possíveis respostas a estas questões, temos trabalhado com uma rede de iniciativas comunitárias sociais, ecológicas e educacionais, a maioria delas baseada na América Latina, cujos horizontes de esperança são orientados para além do capitalismo global, dos estados-nação, da razão/valores universais do ocidente e da separação (Andreotti et al., 2018). O diagnóstico destas iniciativas é de que a casa construída pela modernidade está entrando em colapso, e portanto nós precisamos gerar/regenerar modos de existência não determinados pelas quatro paredes da casa. Em nossos esforços de engajamento com estas iniciativas, reconhecemos a necessidade de não apenas aprender com os erros da casa, mas também de aprender com esforços duradouros e emergentes de vida fora da casa sem assumir que qualquer destes esforços terá alguma resposta universal. Nenhuma iniciativa isoladamente terá a "receita" certa de como podemos oferecer cuidados paliativos para a casa, ou como viver de forma diferente, mas elas têm muito a ensinar aos de dentro da casa por meio tanto de seus sucessos quanto de seus fracassos. Portanto, olhamos para essas iniciativas como "exemplos" em contextos específicos que podem oferecer importantes conhecimentos sobre os limites da casa e as dificuldades e contradições envolvidas em viver fora da casa, ao invés de "modelos" universais que deveriam ser duplicados e exportados para algum outro lugar.  Este trabalho é diferente mas informa nossas estratégias pedagógicas. Ele se diferencia notadamente no sentido de que nesta pesquisa estamo-nos engajando em profundidade com uma posição normativa particular, mesmo fazendo-o de forma não normativa. Esta posição é a de que a casa se construiu a partir da separabilidade, de que de fato está desmoronando, e que precisamos expandir nossas disposições intelectuais, afetivas e relacionais para "cavar mais fundo" (para análises com mais nuances) e "relacionar mais amplo" (alargar as sensibilidades e formas de relacionamento de que somos capazes).

Neste trabalho, buscamos desenvolver "uma forma alternativa de engajamento com alternativas" (Santos, 2007), isso é, engajar com reverência mas sem romantizar ou idealizar, assumindo responsabilidade pelas relações que estamos construindo sem projetar nossos desejos em outros e atentos aos desafios de se relacionar através de outras sensibilidades. Particularmente, reconhecemos os riscos de: homogeneizar comunidades diversas, ocultando suas complexidades e relações internas de poder; idealizar formas de ser e saber "alternativas" e as comunidades que as praticam, como um espelho antagônico das patologias coloniais; promover fantasias escapistas que nos permitiriam imergir em outros tipos de abrigo para evitar realizar os cuidados paliativos necessários à casa que herdamos; e distorcer e/ou instrumentalizar estas iniciativas a fim de alimentar nossos próprios desejos coloniais de consumo (Asher & Wainwright, 2018; Spivak, 1988). Portanto, perguntamos: Como podemos nos engajar e ser ensinados por sistemas diferentes de ser, saber e desejar, e por lutas práticas e tentativas de criar/regenerar alternativas para a casa construída pela modernidade, permanecendo conscientes de dádivas, limitações e contradições, assim como de nossas potenciais más interpretações, projeções e apropriações?

Como parte desta pesquisa, construímos estudos de caso colaborativos de diferentes iniciativas e organizações, mas para discussões entre nós e com nossos colaboradores, e considerando o que será mais útil para o aprendizado de nossos estudantes e outros esforçando-se para fazer sentido de uma casa desmoronando.  Os resultados primários de pesquisa deste trabalho não são relatórios de nossas "descobertas" empíricas, mas sim modelos pedagógicos continuamente revisados, experimentos artísticos e cartografias sociais. Uma destas é o Marco de Justiça Global "Aos Cuidados da Terra" (Andreotti, Stein, Rene, coletivo, 2019), uma cartografia que integra as dimensões ecológica, cognitiva, afetiva e relacional de transformação, que são frequentemente abordadas isoladamente ou em pares. Particularmente, usamos a metáfora do cogumelo, representando as dimensões ecológicas e econômicas da transformação, e embaixo delas, o micélio das dimensões cognitiva, afetiva e relacionais, responsáveis por alimentar o cogumelo e permitir a ele viver e, na hora certa, morrer também.

Figura 5 - Modelo de Justiça Global "Aos Cuidados da Terra"

A intenção com essa metáfora é ilustrar a necessidade de se digerir e compostar as dimensões (micélio) muitas vezes invisibilizadas que alimentam um sistema nocivo, para algo diferente poder crescer. Carmen Ramos, da organização Nahuatl Tlalij, parte da rede "Aos Cuidados da Terra”, nos instigou a levar esta cartografia ainda mais longe, focando no trabalho invisibilizado da Terra em sustentar toda a vida, e em considerarmos nossas responsabilidades particulares com ela e uns com os outros como seres entrelaçados em seu metabolismo mais amplo. Particularmente, ela esclarece que nós não (apenas) buscamos cuidar da Terra, mas estamos já e sempre aos cuidados dela. Ao fazer isso, Ramos também solicita levarmos em conta que enquanto há uma tendência (alimentada por hábitos coloniais de ser) em prescrever uma normatividade política para ordenar nossas relações, é na verdade a qualidade de nossas relações (com todos os seres) que determina as possibilidades políticas viáveis em qualquer contexto. A partir desta perspectiva, ao invés de gastar nosso tempo discutindo a melhor articulação possível de nossas posições políticas, dentro do mesmo limitado conjunto de configurações cognitivas, afetivas e relacionais, nós precisaríamos começar a expandir e nutrir diferentes tipos de configurações para abrir possibilidades para tipos de políticas que poderiam oferecer suporte a integridade de nossos relacionamentos e às responsabilidades oriundas deles. Desnecessário dizer, esta abordagem é significativamente diferente das políticas geralmente apoiadas pela casa que são baseadas na onto-metafísica onde nossa existências (ser) é determinada pelo nosso pensamento, e portanto, nossos comportamentos pelas nossas convicções.

 

Conclusões Inquietantes e Questões para Continuar essa Conversa

Neste artigo, discutimos algumas das potenciais circularidades, curto-circuitos, e contradições que emergem dos esforços de colocar em prática a decolonização, inclusive aquelas que reproduzem hábitos coloniais de ser enraizados nos desejos de consumo cultivados pela casa construída pela modernidade. Nós também sugerimos que nenhuma das várias possibilidades existentes de teorias de mudança decoloniais estão imune a estes riscos, uma vez que são em larga medida produto não de nenhuma análise conceitual em particular mas de investimentos afetivos cultivados através de hábitos coloniais de ser socializados dentro da casa construída pela modernidade. Neste sentido, contradições e circularidades são de alguma forma inevitáveis, o que significa que existe uma necessidade de nossas pedagogias anteciparem e serem sensíveis a estas respostas de maneira a problematizar mas também convidar as pessoas a trabalharem através delas (ao invés de negar, transcender ou reprimir). Este trabalho pode ser sumarizado como um compromisso pedagógico de convidar a um engajamento mais profundo com as complexidades e contradições de diferentes teorias de mudança relacionadas com padrões de saber, ser, relacionar e desejar alimentados pela casa sem com isso advogar por nenhuma teoria em particular como "a resposta" para o que devemos fazer. Isto é, convidamos as pessoas a cavarem mais fundo e relacionarem mais amplamente.

Para além deste trabalho intelectual e relacional, nós também elaboramos sobre as precárias possibilidades que se abrem quando um sentido visceral de anseio por interconexões é ativado ou des-entorpecido. Quando os trabalhos afetivo, intelectual e relacional são combinados, e quando estes são envolvidos em um contexto de crescente desilusão com as promessas oferecidas pela casa construída pela modernidade, existem muitas possibilidades precárias para um aprendizado transformador. Nós revisamos algumas de nossas próprias práticas para se engajar e aprender com esforços para viver fora da casa através de uma rede de iniciativas sócio-ecológicas, pesquisa esta distinta, mas que ainda assim informa nosso trabalho pedagógico. Esse trabalho nos ensinou que, como educadores, podemos pedir ou até mesmo exigir que as pessoas se engajem com rigor intelectual, mas podemos apenas oferecer um convite para o engajamento com outras possibilidades de existência se os estudantes sentirem o chamado para tal. Isso acontece porque ao invés de uma questão de vontade ou intelecto, este trabalho precisa de uma certa quantidade de entrega existencial: aprender a desaprender, a escutar, a estar desarmado, a de-centralizar (as forças egóicas), a começar a praticar alteridade, sabendo que será desconfortável e que erros serão cometidos. Apenas se estivermos prontos a retirar nossos investimentos das estruturas de ser e desejar (não apenas de saber) sustentadas pelas economias que dependem e reproduzem as (falsas/quebradas) promessas da casa  é que poderemos começar a nos abrir a outras possibilidades. Este desinvestimento não é relacionado a uma busca por soluções articuladas para as crises que enfrentamos, mas sim  a percepção de que para existirmos de outra forma, precisamos prestar atenção nas lições ensinadas pelos limites, falhas e eventual colapso da casa a que habitamos. Isto só podemos fazer enfrentando a sua morte interna e externamente, abrindo-nos para a possibilidade de a casa não mais definir nossa existência ou atender nossos desejos e investimentos.

No contexto da escrita acadêmica de dentro da casa construída pela modernidade, encorajamos que os propósitos sejam claros, inclusive no contexto de bolsas de estudo. A demanda por conclusões é por vezes problemática, dada nossa tendência de ver o trabalho de decolonização como um trabalho em processo, inconcluso e que desafia resumos rápidos. Assim, já tendo oferecido alguns modelos para pesquisa e envolvimento pedagógico ao longo deste artigo, vamos concluir com convites para um envolvimento mais profundo.

Notamos cada vez mais pessoas desiludidas com a casa construída pela modernidade, e esta desilusão leva a muitas respostas possíveis, da renovação à demolição. Para aqueles desiludidos não apenas com a casa, mas também com as circularidades das respostas às crises atuais, oferecemos uma série de perguntas abertas para fazer sentido do presente e examinar opções potenciais para seguirmos em frente. Como sempre, não oferecemos soluções pré-fabricadas para as crises que enfrentamos, mas somos conscientes do imperativo de responder rapidamente a elas, de forma a mitigar as vulnerabilidades imediatas daqueles expostos às maiores violências perpetuadas pela casa, ao mesmo tempo em que consideramos um horizonte de transformação de longo prazo enquanto a casa desmorona. Assim, encorajamos as pessoas a refletir sobre as seguintes questões a respeito dos desafios atuais:

  1. Como o que aconteceu no passado se relaciona e informa o que acontece no presente? Especificamente, que lições nós ainda temos que aprender sobre o passado que podem ser úteis para entendermos os desafios que enfrentamos no presente?
  2. Com o que aconteceu no passado é diferente do que está acontecendo no presente? Especificamente, como precisaremos repensar nossas estratégias herdadas tanto para análises conceituais (diagnósticos) como resposta práticas (proposições)?
  3. O que podemos aprender suspendendo nossos desejos por soluções universais ou prescritivas e por autoridades canônicas estáveis, prestando atenção de maneira sóbria ao que está funcionando atualmente, e o que não está, e baseado nesta análise, determinar quais respostas são necessárias no curto, médio e longo prazo? Como podemos fazer este trabalho de responder aos desafios enquanto mantemos um compromisso contínuo de avaliar estes planos constantemente ao invés de permanecermos apegados a uma ortodoxia que não está funcionando?

Estas questões miram primeiramente a dimensão intelectual do desafio de viver de outra forma, mas este trabalho será incompleto se não for combinado com esforços para reconfigurar nossas relações afetivas e oferecer cuidados paliativos para nossos próprios hábitos coloniais. Assim, concluímos com a seguinte pergunta: Como podemos mobilizar "formas alternativas de se engajar com as alternativas" isso é, falando/dançando/respirando/tropeçando juntos de forma diferente em direção a um futuro indefinido, sem arrogância, autoritarismo, dogmatismo e perfeccionismo? Como resposta provisória a esta questão, sugerimos as seguintes práticas orientadoras:

  • Desinvestimento (da casa) sem aversão baseada em desidentificação reativa e redentora.
  • Reverência (para as dádivas das alternativas) sem idealizar ou romantizar.
  • Experimentação (necessária para o aprendizado) sem apego aos resultados obtidos.
  • Responsabilidade (para com todos os seres) sem paternalismo, ou projetando nossos desejos e entendimentos sobre os outros como se fossem universais.
  • Auto-implicação (nos danos) sem buscar imunidade, absolvição, ou escapismo.
 


* Texto publicado originalmente na Revista n.º 9 – Saberes e Práticas da Cidadania para a Democracia, outubro de 2019.

[1] Universidade de British Columbia

[2] Terra Adentro

[3] Comunidade Indígena Patacho

[4] Comunidade Indígena Pitaguary

[5] Comunidade Indígena Huni Kui

[6] Musagetes

[7] O termo decolonização é empregado aqui como a imposição da separabilidade entre o dito homem e a dita natureza e a interrupção do sentido de continuidade entre corpo, terra e cosmos para além do tempo linear. Isso é diferente da des-colonização, que é normalmente entendida como a superação da dominação territorial e/ou administrativa sobre um determinado território  ou povo. Ao trazer o conceito decolonização, falamos também de uma série de hábitos de ser, desejar e consumir próprios da modernidade que são inerentemente violentos e insustentáveis.

[8] Título em inglês: Gesturing towards decolonial futures. Saber mais em decolonialfutures.net.

[9] Utilizamos cartografias sociais como ferramentas pedagógicas não normativas, que através de imagens (metáforas e analogias) e tabelas comparativas, convidam ao engajamento crítico com os múltiplos desafios sócio-ambientais que enfrentamos. Essas ferramentas nos ajudam a visualizar configurações históricas e sistêmicas dos problemas que analisamos, e a tornar visíveis aspectos frequentemente invisibilizados e conexões convenientemente escondidas. A proposta do uso destas cartografias não é sobre descrever a realidade precisamente, mas sim sobre mover conversas para além dos pontos em que são tradicionalmente interditadas.

[10] "Mapping interpretations of decolonization in the context of higher education”.

 

 

Referências Biliográficas

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 Momodou Sallah 1

 

Abstract: This paper mainly addresses the reflections, observations and analysis of a scholar-activist, engrossed in challenging intractable international development issues, through the use of a Global Youth Work pedagogic approach. Using the main frameworks of Global Youth Work, scholar-activism, positionality/situatedness and decolonisation, this paper challenges the missionary position and pornography of poverty approach of some organisations both in the North and South, consciously or unconsciously working and collaborating towards the amelioration of the human condition.

There are two main factors that influence my situatedness: the structural violence that can be generated by knowledge production and configuration from a universally configured orthodoxy in the Development Education/Global Cooperation field that now requires the reimagination of epistemologies of the South as responses, which  are credible and visible (de Sousa Santos, 2014); the second essential stance is my immersion in practice as a scholar-activist who is not only captivated by the process of theoretical knowledge production, but also in heretic and counter-orthodoxy approaches to challenging and changing the world, in practice.

The focus of the Agenda 2030 on eradicating poverty in all its forms and dimensions and the reason d’etre of Global Youth Work (Sallah, 2014) of provoking consciousness and taking action, therefore underpins this paper; especially in the promotion of sustainable development. The main focus and lenses through which I do this is the Global Hands project, set up as a charity in The Gambia and a social enterprise in the UK, by former students of De Montfort University in the UK, whose mission is to build capacity and operationalise the dual mandate of Global Youth Work: to provoke consciousness; and to support those affected to take action (Sallah, 2014). A range of Global Youth Work interventions and case studies have been used in this context, such as developing Africa’s first solar-powered taxi service; developing a self-sustaining intervention in its capacity building hub in The Gambia by Global Education actors from the UK with collaborators in The Gambia; running a number of public campaigns, for example, on the backway” (“illegal youth migration from sub-Saharan Africa to Europe via the Sahara desert).

In this paper, I will explore collaborations, spaces generated, principles and tensions beyond theoretical considerations and their operationalisation in practice. This paper will uniquely contribute to a greater understanding of the interplay between theory and practice, as well as disrupt the colonial lenses and dependency approaches of some organisations that sometimes disempower, instead of rebalancing power and addressing injustice and structural inequality.

Keywords: Global Youth Work; Global Education; African Development; Decolonisation; Positionality; Development Aid.

 

Resumo: Este artigo foca principalmente as reflexões, observações e análises de um académico-ativista absorvido com o desafiar de assuntos de desenvolvimento internacional difíceis, através de uma abordagem pedagógica de Voluntariado Juvenil Internacional. Ao utilizar os principais referenciais de Voluntariado Juvenil Internacional, academicismo-ativismo, posicionamento/situatedness e descolonização, este artigo desafia a abordagem da "posição missionária" e da "pornografia da pobreza" de algumas organizações, quer no Norte quer no Sul, que consciente ou inconscientemente trabalham e colaboram para a melhoria da condição humana.

Há dois fatores principais que influenciam o meu posicionamento/situatedness. Por um lado, a violência estrutural que se pode gerar pela produção e configuração de conhecimento, da parte de uma ortodoxia universalmente configurada no campo da Educação para o Desenvolvimento/Cooperação Global, que agora requer a reimaginação de "epistemologias do Sul" como respostas que são "credíveis e visíveis" (de Sousa Santos, 2014). Por outro lado, a minha imersão na prática enquanto académico-ativista que se encontra não apenas cativado pelo processo de produção de conhecimento teórico, mas também envolvido em abordagens heréticas e heterodoxas para desafiar e mudar o mundo, na prática.

O foco da Agenda 2030 para a "erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões" e a razão de ser do Voluntariado Juvenil Internacional (Sallah, 2014) de provocar a consciência e a tomada de medidas sustentam, portanto, este artigo; especialmente para a promoção do desenvolvimento sustentável. O principal foco e as lentes através das quais eu faço isto são o projeto Global Hands, constituído enquanto organização de caridade na Gâmbia e empresa social no Reino Unido por antigos estudantes da Universidade De Montfort, no Reino Unido, cuja missão é capacitar e operacionalizar o mandato duplo do Voluntariado Juvenil Internacional: consciencializar e apoiar aqueles que são afetados na tomada de medidas (Sallah, 2014).

Utiliza-se uma variedade de intervenções de Voluntariado Juvenil Internacional e de estudos de caso, tal como o desenvolvimento do primeiro serviço de táxi alimentado a energia solar; o desenvolvimento de uma intervenção auto-suficiente no seu centro de capacitação na Gâmbia, por atores de Educação Global do Reino Unido com colaboradores da Gâmbia; o lançamento de uma série de campanhas políticas, por exemplo, sobre os "backway" (migração "ilegal" de jovens provenientes da África subsariana para a Europa, via deserto do Saara).

Neste artigo, irei explorar colaborações, espaços gerados, princípios e tensões para além das considerações teóricas e sua operacionalização na prática. Este artigo irá contribuir para um melhor entendimento da interação entre teoria e prática e, também, para perturbar as lentes coloniais e as abordagens de dependência de algumas organizações que, por vezes, enfraquecem em vez de restabelecerem o poder e fazerem face à injustiça e à iniquidade estrutural.

Palavras-chave: Voluntariado Juvenil Internacional; Educação Global; Desenvolvimento em África; Descolonização; Posicionamento; Ajuda ao Desenvolvimento.      

 

Resumen: Este artículo enfoca principalmente las reflexiones, las observaciones y los análisis de un académico-activista absorto en el rebatir de asuntos de desarrollo internacional difíciles, a través de un enfoque pedagógico de Voluntariado Juvenil Internacional. Al utilizar los principales referenciales de Voluntariado Juvenil Internacional, academicismo-activismo, posicionamiento/situatedness y descolonización, este artículo rebate el enfoque de la "posición misionaria" y de la "pornografía de la pobreza" de algunas organizaciones, del Norte y del Sur, que consciente o inconscientemente trabajan y colaboran para la mejoría de la condición humana.

Hay dos factores que influencian mi posicionamiento/situatedness. Por una parte, la violencia estructural que se puede generar por la producción y configuración de conocimiento, por la parte de una ortodoxia universalmente configurada en el campo de la Educación para el Desarrollo/Cooperación Global, que ahora requiere la reimaginación de "epistemologías del Sur" como respuestas que son "creíbles y visibles" (de Sousa Santos, 2014). Por otra parte, mi inmersión en la práctica en cuanto un académico-activista que se encuentra no sólo cautivado por el proceso de producción de conocimiento teórico, pero sí también en enfoques heréticos y heterodoxos para rebatir y cambiar el mundo, en la práctica.

El enfoque de la Agenda 2030 para la "erradicación de la pobreza en todas sus formas y dimensiones" y la razón de ser del Voluntariado Juvenil Internacional (Sallah, 2014) de provocar la consciencia y la acción sustentan, por lo tanto, este artículo; especialmente para la promoción del desarrollo sostenible. El principal enfoque y las lentes a través de las cuales yo hago esto son el proyecto Global Hands, establecido en cuanto organización benemérita en la Gambia y empresa social en el Reino Unido por antiguos estudiantes de la Universidad De Montfort, en el Reino Unido, cuya misión es capacitar y concretizar el duplo mandato de Voluntariado Juvenil Internacional; concientizar y apoyar aquellos que son afectados en la acción (Sallah, 2014).

Se utiliza una variedad de intervenciones del Voluntariado Juvenil Internacional y de estudios de caso, como el desarrollo del primer servicio de taxi movido a energía solar; el desarrollo de una intervención autosuficiente en su centro de capacitación en la Gambia, por actores de Educación Global de Reino Unido con colaboradores de la Gambia; el lanzamiento de una serie de campañas políticas, por ejemplo, sobre los "backway" (migración "ilegal" de jóvenes provenientes de África subsahariana para la Europa, a través del deserto del Sahara).

En este artículo, iré explorar colaboraciones, espacios generados, principios y tensiones más allá de las consideraciones teóricas y su concretización en la práctica. Este artículo irá contribuir para un mejor entendimiento de la interacción entre teoría y práctica y, también, para perturbar las lentes coloniales y sus enfoques de dependencia de algunas organizaciones que, a veces, debilitan en vez de restablecer el poder y afrontar la injusticia y la iniquidad estructural.

Palabras-llave: Voluntariado Juvenil Internacional; Educación global; Desarrollo en África; Descolonización; Posicionamiento; Ayuda al Desarrollo.

 

 

Introduction

In this paper, there are a number of postulations and contradictory extrapolations that I would like to explore, ultimately linked to the duality of Global Youth Work, as a subset of Global Education/Global Learning, situated in the art of provoking consciousness and supporting young people to take action. Given my focus on the second duality of Global Youth Work (Sallah, 2020a) in this paper, subsumed by the need for the eradication of poverty, it is pivotal that the canvas upon which I weave my tapestry of practice is held up transparently. Hence my preoccupation with centring decoloniality, my positionality/situatedness as a scholar-activist and a more radical interpretation of Global Youth Work, because of my cultural affinity/experiential affinity with the people in whose lives I purport to intervene, through a Global Youth Work pedagogical approach. In doing this, I will attempt to dismantle the false narrative of the “merchants of misery” and “imaging pornography”, which supports the work of significant numbers of those in the Aid industry. I will position my work in practice, principally in The Gambia and the UK, as acts of resistance and heretic attempts against the orthodoxy and “logic of the system” (Freire, 1972) geared towards the “eradication of poverty in all its forms and dimensions everywhere”. This paper will conclude with a call for a radical reimagination of Global Youth Work, beyond the usual business of placing plasters on broken bones.

 

Positionality/Situatedness

From the onset, it is imperative that I position myself as a scholar-activist interested in the understanding of phenomena and production of knowledge; and equally in the upending of oppression, leading to the operationalisation of knowledge and enaction of human development towards palpable social justice outcomes (Haq, 1995; Sen, 1999, 2005). Sen (1999) and Nussbaum’s (2000) capabilities approach with a focus on human wellbeing have been central points of reference in both my theory and practice. I have been a lecturer at a university in the UK over the last 16 years, with an overlapping period of 30 years as a practitioner, engulfed in community development, international development and the distinct practice of Global Youth Work, both in the North and South, in addressing intractable development challenges. In this context, I am no stranger to straddling the “creative tensions” of scholarship and activism as complementary bedfellows. Beyond the notion of the public intellectual, the scholar-activist is a different breed, interested beyond just shaping opinion and opening up whole knowledge systems, but also towards a more active reimagination and enaction of social justice.

Whilst scholarship often eschews objectivity as a central tenant, I have, as a scholar of Southern origin, been often gagged by the negative neutrality (Sallah, 2014) of the academy; to silence or disregard my cultural affinity, which underpins my marriage to social justice. Simultaneously, steeped in both scholarship and activism, the cultural/experiential affinity (Boushel, 2000; Oakley, 1981) that imbues my practice significantly informs my positionality/situatedness. Having spent my mid-teens to my early 20s volunteering and working with Aid/Development organisations, as well as the last 20 years developing and designing counter hegemonic solutions to intractable development challenges, mainly aimed at the South, I am constantly drawing on my experience of development, which was often a simulation of under-development. From the more formal/structured of the IMF/World Bank in the mid-80s (Economic Recovery Programmes, Structural Adjustment Programmes, Programme for Sustainable Development) that saw massive redundancies, currency devaluation, removal of state subsidies, de-nationalisation, deregulation and privatisation, which resulted in untold suffering that was manifested at the personal, local, national and global levels. These were not only neoliberal and capitalist deregulation theories and policies that I read about in the works of Skosireva and Holaday (2010), but lived realities that generated untold suffering that I experienced with my own eyes, and felt the pain in my own stomach. Development initiatives, for me, then were not fashion accessories or theoretical public masturbations; intractable development challenges are real and palpable, they have teeth that bite and also have a stench, and human faces too. Equally, I was situated at the centre of initiating change through NGOs like The Gambia Red Cross society whose work centred on “alleviating human suffering” guided by its 7 Basic Principles. I also had the opportunity to witness and observe at close quarters the intervention of Action Aid and other international NGOs, as well as local NGOs and community groups. In fact, these experiences led to me setting up the Youth Association for Advancement (YAA), which focused on capacity building at the local and national levels in 1997 in The Gambia; and later setting up Global Hands, to also initiate development through capacity building, placing those most affected at the centre of intervention, as a charity in The Gambia, and as a social enterprise in the UK in 2012. These organisations I have engineered were acts of resistance, attempts to combine scholarship and activism, towards social justice. Equally, my scholarship and research has been hugely influenced by a transparent social justice agenda, predicated on my anger against exploitation and human suffering. Angry that people could die of preventable diseases, angry that naked exploited can go unchecked for so long, angry at what can be considered hypocrisy by some of the leading INGOS who can often be considered as “merchants of misery”! The rationality of the scholar often situated in the proverbial Northern Ivory Tower, who can often afford to be detached, “neutral”, “objective” is what I straddle to reconcile with the “fire in the belly” of the activist who is “morally outraged” (Oxfam, 2015).

 

Decoloniality

Development paradigms continue to be colonised and imprisoned by Western thought and knowledge systems. De Sousa Santos’ (2014) exposition of “cognitive injustice” and the need to cultivate “epistemologies of the South” to make our knowledge systems, ways of knowing and ways of being “more credible or visible” is quite instructive. Post-development theorists (Escobar, 1995, 2000; Sachs, 1992; Thomas, 2000) have launched scathing attacks on the orthodoxy that does not demonstrate respect for the aftermath of slavery and colonialism; in a historical loop, the past continues to influence present and the future in a symbiotic interaction and reaction. In my efforts to initiate development projects in a country like The Gambia, I often encounter a deep-seated resistance of post-colonial and decolonial knowledge systems where the education system, administration, and economic paradigms are propped up by colonial relics and neo-colonial pillars of extraction. Whilst the decolonisation of the mind (wa Thiong'o, 1986) is a start to repeal this catharsis, decolonisation of institutions and development paradigms must also be seen as priorities. In this context, Development Education /International Aid paradigms must also be decolonised and the “missionary position” of Christianising and civilising the native (Sallah, 2008) based on the dual mandate of colonial subjugation should be renegotiated and reformulated. Eurocentric formulations of what Southern countries need and its enaction need deep cleaning and complete reconfiguration. The fact that Development Education, as a precursor for Global Education, originates from colonial notions of indirect rule (Sallah, 2008), calls for a complete overhaul, with Southern scholar-activists leading this process as they have seen the flow of blood and have been in the trenches long enough to understand the cartography. I would like to posit that anything less than this is the promulgation of the “missionary position”! This exposition has been cardinal in how I have straddled the scholar-activist continuum, but also equally in how I have imagined and reimagined development interventions through the art of Global Youth Work.

 

Straddling the scholar-activism continuum

As an academic, I am steeped in the search for knowledge production; as an activist, I am motivated by the desire to operationalise produced knowledge, towards social justice. There is often a palpable tension between knowledge production and operationalisation, which is often positioned as diametrically opposed and unrelated. However, I often find peace in the symbiosis between these two, at times seemingly contradictory stances. It has been argued that “at its most simple (scholar-activism) it's the informed thinking and critical appraisal of social issues combined with strategies and actions that better the social conditions in which people live in pursuit of a social justice goal” (C. Kagan, personal communication, n.d.).

Dewey argued that scholars should “shape reality toward positive social goals, not stand aside in self-righteous isolation” (1969, p. 91). Gramsci (1971, p. 68) implores us to go beyond intellectual eloquence and calls for “active participation in practical life, as constructor, organizer [and] ‘permanent persuader’”. A significant number of other authors (e.g., Alinsky, 1971; Freire, 1972) have attempted to situate their work in the transformative impact of their thoughts and actions on the communities they worked with.

Whilst there are clear reward mechanisms for scholarship, perhaps the ones for activism are not the clearest: scholars are often rewarded with “tenure and promotion and research monies, while work connected to activist leanings, can be construed as taking time away from or interfering with scholarly endeavours” (Tilley & Taylor, 2014, p. 54).

However, Conway (2004) recognises the immense contribution of activism, which, as argued, is that “The knowledge arising from activist practice is a perspectival/situated knowledge, one which is essential and privileged in formulating and addressing the problematics of social change”. Piven perhaps captures this more incisively in relation to the personal level linked to the sense of gratification, as a counter measure to the purely scholarship rewards:

“We are activists because of the joy political work gives us, because even when we fail, working to make our society kinder, fairer, more just, gives a satisfaction like no other, because the comrades we find in the effort are friends like no other, and also because our activist efforts illuminate our social and political world in ways that scholarship alone never can” (Piven, 2010, p. 810).

From the above section, it is imperative to recognise the inherent tension between academia and activism, the significance of what motivates the scholar-activist and how these tensions are straddled: “the contest between scholarship and activism, the personal commitment to activism must be passionate and paramount if it is to survive the tension created by the dual path” (Piven, 2010, p. 808).

The symbiosis between academia and activism can be manifested in four ways (Downs & Manion, 2004; Zerai, 2002, as cited in Flood, Martin, & Dreher, 2013): knowledge as a means of engendering social change; as research to produce social change; as a site to produce teaching and learning strategies; as a means of challenging and reconstructing power relations within a given institution. Whilst there is a lot of literature highlighting these motivations and rationale for engaging in scholar-activism, a critical dimension often neglected is that of my cultural/experiential affinity (Boushel, 2000; Oakley, 1981).

Scholar-activists must be cognisant of the fact that “we must first negotiate how we may be differently positioned in terms of privilege, power, resources, race, identity, history of colonialism, and personal and national identity" (Tilley & Taylor, 2014, p. 53). In this conundrum that is Global Education, Global Learning and the Aid industry, those who bear a disproportionate responsibility for righting the underdevelopment wrongs in the South and theorising knowledge production are either from the North or situated within Northern institutions; whilst motivated by the need to enact social justice, there is often a disconnect with those who are at the frontline and inhaling the toxic fumes of depravation on a daily basis, as opposed to those who have the luxury of retreating into shelters of Northern Ivory Towers or orthodoxy. My affinity to the dispossessed in the South cannot be a fashion accessory that can be switched on and off at will; it is a matter of relative distance (the closer you are to the shit, the smellier and more uncomfortable it is). Those people, as argued in the positionality/situated section, are my mothers, my brothers, my sisters and my people. Having been in the trenches with them, I understand their struggle as an insider but I am also now able to see the convoluted nature of their struggle as an outside observer. As a scholar-activist, my affinity with the people in whose lives I purport to intervene in is key to understanding the interventions I will propose here.

 

Agenda 2030 and the eradication of poverty

It speaks volumes that the first of the 17 sustainable Development Goals focuses on the “eradication of poverty in all its forms everywhere”. Whilst the number of those said to be living in extreme poverty has dropped from 36% in 1990 to 10% in 2015, this number still remains high and unacceptable. This is further compounded by the fact that the majority of these people live in sub-Saharan Africa; additionally,17.2 % of those living in the rural areas are equally affected. It is further worth noting that 8% of those employed are still affected by extreme poverty, as well as 20% of children who are disproportionately affected (United Nations, 2015).

The poverty and the harrowing statistics for those in sub-Saharan Africa are well documented (e.g., Fosu, 2015; United Nations Development Programme, 2019) and do not need further elaboration here. However, what has been established beyond any reasonable doubt is the fundamental impact extreme poverty has on a disproportionate number of people in this area in relation to all facets of the 17 UN SDGs. “Among the 736 million people who lived on less than $1.90 a day in 2015, 413 million were in sub-Saharan Africa”. For sub-Saharan Africa, the stats for the working poor stands at an alarming rate of 38%. In relation to social protection systems, whilst 92% are covered in Europe and North America, only 13% are covered in sub-Saharan Africa (United Nations Department of Economic and Social Affairs, 2020). It is estimated that nine out of every 10 people classified as extremely poor in the world by 2030 will live in sub-Saharan Africa (Wadhwa, 2018).

In this context, whilst all the 17 goals and their subsets have relevance for the work I do, the three below speak more directly and more specifically to the work I will be presenting here:

1.1 By 2030, eradicate extreme poverty for all people everywhere, currently measured as people living on less than $1.25 a day.

1.5 By 2030, build the resilience of the poor and those in vulnerable situations and reduce their exposure and vulnerability to climate-related extreme events and other economic, social and environmental shocks and disasters.

1.A Ensure significant mobilization of resources from a variety of sources, including through enhanced development cooperation, in order to provide adequate and predictable means for developing countries, in particular least developed countries, to implement programmes and policies to end poverty in all its dimensions (United Nations, 2015).

In trying to address the above goals and meet them, it is important to reflect on the number of actors who play pivotal roles in their realization, ranging from governments/state actors, UN bodies, INGOs, national and local actors/organisations and individuals. I do not intend to explore the role of governments/state actors in this paper or even that of UN bodies, but I would like to more specifically focus on the work of NGOs/INGOs and other related organisations who use a range of development interventions, especially in the area of experiential learning and Development Education/Global Education, in its widest remit.

Thomas (2000) perhaps captures the frustration of many in sub-Saharan Africa when it comes to existing development paradigms as a panacea for intervention: “Voices from the ‘post-development’ claim that, at best, development has failed, or at worst it was always a ‘hoax’, designed to cover up violent damage being done to the so-called ‘developing’ world and its people" (p. 3). A recalibration of this approach calls for a disruption of the “holds of westernization” (Elliot, 2013), both in terms of Western capital and the Aid industry. My work, within this context, centres on the human development approach:

“Human development is the expansion of people’s freedoms to live long, healthy and creative lives; to advance other goals they have reason to value; and to engage actively in shaping development equitably and sustainably on a shared planet. People are both the beneficiaries and the drivers of human development, as individuals and in groups” (United Nations Development Programme, 2010, p. 2).

Ultimately, my work, unapologetically, is geared towards the realisation of the expansion of people’s freedoms and how we equip them with the human capabilities and agency to be at the centre of development interventions that attempt to lift them from all forms of poverty; the imperative is to support them to be catalysts at the beginning of any action to eradicate poverty.

 

Beyond campaigning: A disruptive Global Youth Work approach

A huge Aid industry envelops attempts to redress extreme poverty, which often comes from a very good place; however, the Aid industry can also be critiqued on many fronts in their pursuit of operational survival. A key criticism directed at the industry is that of  “pornography of poverty” (Canadian International Development Agency, 1988, p. 7) or “development pornography" peddled by the "merchants of misery" (Hilary, 2014), which often positions “The image of the starving African (which) is said to edify us, sensitise us, mobilise our good will and awaken us from our apathy” (Maren, 1997, p. 3). This use of imagery (Lamers, 2005; Ruddick, 2003) to grab and possibly “guilt” Western audiences has the potential to raise a number of ethical considerations. This has also been characterized as the “starving baby appeal” (Fine, 1990, p. 154), which aims at generating a “societal attitude characterized by guilt, helplessness, charity, paternalism, and even racism” (Canadian Hunger Foundation, 2002, as cited in Nathanson, 2013). More aptly and in greater graphic detail, Nathanson reasons that:

One cause of these perceptions may be fundraising messages that present distorted portrayals of the developing world. Images of buzzing flies, begging eyes and bloated bellies flood television screens and print media in an attempt to pull at heartstrings and garner donations” (Nathanson, 2013, p. 103).

This clearly places recipients of Aid intervention as helpless victims without agency, which in my experience in practice significantly leads to unsustainable dependency, where receipts of such interventions are at the mercy of the “merchants of misery”. In my practice in the field over the last 30 years, I have seen some really sorry attempts at eradicating poverty from a number of NGOs and INGOs who missed the fundamental foundation of community engagement in placing those affected at the centre of any development intervention; from building toilets that the villagers do not want to flying in experts, who consume most of the funding secured and who have scant idea of what the issues are, moreover before even beginning to address them.

Agency is “a person’s belief that they are able to tackle poverty, and that that action will have the desired effect” (Darnton & Kirk, 2011, p. 18). Where the need to establish agency as an integral aspect of the intervention is ignored or miscalculated, it can often result in the continuous loop of “giving fish instead of teaching the recipient how to fish”. This mishap further necessitates a critical look around Global Education/ Development Education and associated terms, as both the terminologies and conceptual frameworks, in my experience, have become sites of oppression, instead of practices of liberation, in pursuit of the sustainable development actions highlighted at the beginning of the section, linked to the human development approach highlighted in the last section.

 

Terminology and conceptual framework of Global Education vs. Global Youth Work

As covered elsewhere, there is a lot of confusion and disagreement about terminology and conceptual frameworks in relation to Global Education, Global Learning, Global Citizenship Education (Sallah, 2009, 2014, 2020a) and a host of other terminologies which I have covered extensively, as well as other authors (Bourn, 2015, 2016; Cotton, 2009; Dare to Stretch, 2009; North-South Centre of the Council of Europe, 2008) who have also explored the complexity inherent in the naming and categorisation of Development Education/Global Education typographies. For example, it has been argued that:

“A development education programme does not, and in most cases will not, have as its main objective changing attitudes and understanding of global poverty and international development. This is likely to be much more specific, such as improving the capacity of teachers to deliver effective programmes, or giving educators the tools and resources to engage with development issues” (McCollum & Bourn, 2001, p. 27).

Whilst many terminologies and conceptualisations have been explored, I have chosen the approach of Global Youth Work as my prevailing conceptual framework that focuses on the duality of 1) provoking consciousness and 2) supporting young people to take action. In an attempt to re-theorise Global Youth Work (Sallah, 2014), I have advanced that Global Youth Work:

1. Is concerned with how the concept and process of globalisation impacts on young people’s realities.
2. Is based on the principles of informal education and youth work.
3. Is located in young people’s realities.
4. Challenges oppression and promotes social justice.
5. Promotes consciousness and action.

In presenting my thesis, I continue to argue that:

“Principally, this process (Global Youth Work), by way of informal education approaches, must seek to provoke young people’s consciousness. It is not about analysing and giving young people a to-do list but rather a dialogical approach where both practitioner and young people are teachers and learners, actors and doers symbiotically and simultaneously. It is one with the object of synthesising young people’s existence with their lived realities.

The second component of this project (of Global Youth Work), then is in line with Amartha Sen’s capabilities and capacitation approaches to development. Supporting young people to gain the skills, knowledge and values they need to translate their newfound consciousness into reality. As stated earlier, it is not the action we judge to be the best but it is the action that young people, after gaining critical consciousness, have judged to be the best. The practitioner must constantly and continuously engage young people in democratic dialogues and support them to continuously analyse and reflect on their actions” (Sallah, 2014, p. 80).

 

Collaborative spaces generated to eradicate poverty through Global Youth Work in action in The Gambia

In the next section, I would like to share some heretic attempts aimed at eradicating poverty as per Agenda 2030. These examples I will draw upon have already been written up in previous works (see Sallah, 2018, 2020a, in press), and rather than duplicate them, I will share them here, to be followed up with new analysis after deeper reflection in line with the objective of this paper.

Solar dryer

It has been estimated that up to 60% of mangoes produced in the short three-month mango season goes to waste in The Gambia. This applies to a significant number of other fruits and vegetables as insufficient technology is available to preserve or store these for any appreciable length of time. These issues were raised by local young people through consultative conversations as issues to do with the environment and also linked to food sufficiency and healthy eating. This project was aimed at developing SMART technologies, starting with solar mango dryers. A team of engineers working with students from UK universities and local Gambian volunteers and carpenters identified the problem and through a Global Youth Work pedagogical approach, designed and tested the proof of principle for a solar dryer for mangos which could also be used to dry other fruits. Again, the key success is not only in mobilising young people to discuss and gain a new understanding of the problem, linked to globalisation, but to respond to the second of the duality of Global Youth Work, initiating action, beyond just talking, to act out solutions.

 

Solar taxi

The "Live Lab" developed in Manduar is completely off-grid and in its construction, between 2014-15, the issue of how and where to source its energy came up constantly. Consequently, and through a number of spaces generated within and between De Montfort University experts, UK higher education students, and local Gambians, the issue of environmental sustainability in relation to energy came up with great frequency. Why are we not using solar energy given its abundance in The Gambia, especially given the increasing levels of pollution, as the average car in The Gambia is over ten years old with over 100,000 miles clocked, and not subjected to a compulsory annual vehicle test. Consequently, through a Global Youth Work pedagogical exploration, the idea for the use of a solar car was developed to test the principle of its viability, in terms of commerce as well as production of clean and non-polluting energy. Again, this was following a period of consultative conversations, to address the first of the duality of Global Youth Work. Using solar panels donated by Sharp Electronics and an electric vehicle, contributed by Nissan Europe, the project has been testing the proof of principle for running a ‘solar taxi’ service in The Gambia (first in Africa) by recharging the vehicle from a solar-powered mini-grid. Preliminary research (Sallah & Gammon, 2017) has shown that 50-60% of daily revenue collected by taxi-drivers goes towards fuel, which can be greatly reduced by using solar energy instead, given the availability of sunlight in the region.  Emerging results demonstrate a significant decrease in environmental and noise pollution, as well as financial viability for the use of electric cars.

 

Compressed earth brick machine

Following critical questions raised through the consultative conversations about the availability of low-cost housing in The Gambia and the significant erosion of some beaches and other associated negative environmental impacts, as observed by Manduar Development Hub users and Global Hands members, a project was initiated, based on distinct identified needs, to address the unavailability of low-cost and sustainable housing. The project not only aimed to address the increasing scarcity of sand (an essential component of making bricks and building), but additionally linked to the cutting of trees, and importation of corrugated iron sheets, with a heavy carbon footprint as the majority of these were imported into The Gambia. The first component of the project was to provoke consciousness and then explore practical solutions from their perspectives. The aim of this project was the development of SMART, locally made, Compressed Earth Brick Fabrication Machines, using a collaborative approach to combat soil erosion and promote cheaper sustainable housing using locally available mud/clay. One of these machines' costs about $4,000 to import, which takes it out of the reach of most Gambians, but the project delivered the aim of producing one for under $400. The project developed SMART, low-cost Compressed Earth Brick Fabricator that is affordable to local builders which will significantly improve their ability to afford and build houses as well as mitigate soil erosion as there is significant sand mining leading to soil erosion and environmental degradation. The introduction of this low-cost machine will have a significant impact on the availability of housing. Through a Global Youth Work approach, the focus was not to only understand the environmental issue of lack of housing and debunking unsustainable approaches to housing, but to get the most affected to take action, designing and building a solution by mobilising the best placed to do so.

 

The #Candleoflight #Backway campaign

The “Backway” is an informal slang that often refers to the “illegal”, unregulated migration of young people, largely from Sub-Saharan Africa, into mainland Europe, largely through the Sahara desert, often resulting in a great number of fatalities, since migrants often die crossing the Mediterranean - that is, if they first survive the Sahara desert, including marauding bandits and slavers and all other perils, including organ harvesters. This attempt at the perilous journey is often motivated by lack of opportunities at the home country. This project aimed to raise awareness of the “Backway” and to provoke consciousness that leads to action, as too many young men and women are losing their lives, every day, gratuitously. The aim of the project was to provide solutions and to find other options to save the lives of so many young people dying, mainly from Sub-Saharan Africa.

#CANDLEOFHOPE #BACKWAYSOLUTIONS CHALLENGE

The #Candleofhope #Backwaysolutions challenge was a social media campaign to highlight the horrible situation of hopelessness that drives young people, largely from Sub-Saharan Africa, to attempt to get into Europe at all cost in search of greener pastures; often resulting in many fatalities as evidenced by the constant stories on our TV screens, of migrant boats capsizing in the Mediterranean, for those in the West; and for those in Sub-Saharan Africa, knowing someone who has embarked on this journey or whose corpse never came back; stories of young men and women losing their lives across the Sahara desert or in the seas is a daily occurrence. This campaign was a call to action; an active statement of intention to develop solutions to this travesty.

The following activities were developed in support of the campaign:

  • Backway Music Video. “Backway” was a new single created by an artist from The Gambia, Silver P, and an artist from Leicester, Ayolah Hanley, in March 2017, with a focus on raising awareness about irregular migration from mainly Sub-Saharan Africa to Europe.
  • Backway to Europe: Gateway to Death. This is a short documentary produced by Hexalens, in collaboration with Global Hands and James Skinner Films, exploring the “Backway” phenomenon (irregular youth migration) mainly from The Gambia in Sub-Saharan Africa, via Libya to mainland Europe, released in April 2017. The documentary speaks of the hopelessness that drives youths from Sub-Sahara into perilous journeys across the desert and Mediterranean, often resulting in fatalities.
  • Run4Africa 2017. The Run4Africa is an annual event held in Leicester - UK and The Gambia; the 29th April 2017 version focused on the #Candleofhope #Backwaysolutions. The event was opened to all ages to come along and run, walk, dance or crawl their way through 5 km. The run focussed on #Candleofhope and #Backwaysolutions to highlight the dire plight of young migrants involved in the “Backway”. There was also a #Candleoflight Africa Festival immediately after the Run4Africa at Abbey Park (Leicester), featuring various artists, internationally chosen to interpret the “Backway” theme.

Campaign impact

Through a Global Youth Work pedagogic approach, we wanted to focus on a case study of how young people, both in Europe and Africa, were mobilised, with both local and international media houses being engaged to feature the campaign, as well as young people in Africa taking the lead in provoking consciousness and taking action. It reflected the transformative power of young people to mobilise and bring about transformative social change, starting with the establishment of counter narratives and the generation of hope. It can be stated that the project had two main objectives; the first was to raise awareness about the “Backway” situation so that the general public and relevant authorities could understand its causes, consequences and solutions; second was the need to take concrete action to redress this hostile situation. In relation to the first objective, we can report that the music video and song has been widely shared on social media, including 1,716 hits on YouTube as of June 2020; the documentary was also widely shared on Facebook, with 3,261 hits on YouTube (June 2020) and a Facebook reach of 3,572 likes and 27 shares. Additionally, both the song and documentary were given 1-hour slots on Interface TV (syndicated to GRTS in The Gambia; Malmo’s TV in Scandinavia, and BEN TV in the UK, shown on Sky TV). Whilst there are no concrete viewing numbers, all these TV platforms have both national and International coverage as well as online replay facilities. The #Backwaysolutions #Candleofhope campaigns were also covered on BBC Africa TV with a powerful international audience, as well as on their Facebook page, which drew over 133,186 views, 893 shares and 804 reactions, as well as 120 comments. This demonstrates a significant reach and impact, as well as significant success raising awareness on the issue. Additionally, the Run4Africa in The Gambia drew over 100 participants, and the run in Abbey Park (Leicester - UK) drew over 200 participants. Significant evidence has been gathered to illustrate that this campaign has been a contributory factor in bringing the subject to the attention of some members of the public for the first time. In relation to taking action, it is significant to note that two groups of young people, both in The Gambia and the UK, were at the heart of drawing the concept paper for the campaign. Working with a group of politics students from the De Montfort University’s Faculty of Business and Law, Global Hands Leicester volunteers, and Global Hands Gambia volunteers, working in conjunction with Manduar Development Hub staff, all the projects were conceptualised and operationalised with young people, through a Global Youth Work pedagogical approach. Additionally, young vulnerable people to the “Backway” were also directly involved in designing and implementing the initiative. A conference was organised by young people in June 2017 at the Manduar Development Hub in The Gambia, with the aim to explore causes, consequences and solutions to the problem. Various stakeholders from the statutory, voluntary and commercial sectors were engaged, in addition to young people who have attempted the “Backway”. The Run4Africa 2017 with a focus on #Backwaysolutions and #Candleofhope also raised over £2500, which went to support projects to counter the “Backway”, including a library, a conference, and other capacity building ventures now happening at the Manduar Development Hub, such as food processing and solar energy training.

 

Tensions beyond theoretical considerations

The four above examples I have chosen to share in this paper represent only a fraction of the heretic attempts I have been involved in engendering disruptive pedagogy towards the eradication of poverty in all its forms, everywhere. This has not necessarily been a linear and progressive journey, but one of immersion that has been a constant process of learning, recalibration, theorising in action and on action, and reflection. Whilst it gave me great joy on many instances, it also required a lot of sweat, tears, and pain, at other times. I would like to conclude by reflecting on the following points:

 

The creative tensions of scholar-activism

I have spent the last 16 years trying to synthesis my dual identities of being both a scholar and an activist, and this process of generating creative tension has both its trappings and challenges. In addition, my intersecting identity of being a scholar-activist privileges me and simultaneously disadvantages me from the “logic of the system”. Whilst at times the academy is supportive, it can also be mechanical and inhumane, with scant understanding of the tensions I have to straddle as a scholar-activist. Where I win awards based on my scholar-activism, this is very much welcomed and celebrated, even rewarded. However, carving out time to engage in activism is hardly supported; in fact, I had to learn the art of creativity to manage some of these tensions. Additionally, I had to conduct the overwhelming majority of my activism in my own time, in addition to my full-time role as an academic, and this can result in serious health complications, especially as a result of trying to burn both ends of the candle. The rules of engagement for scholars, in my experience, is very different to that of the activist, especially in relation to the concept of time, ethical boundaries and process. Whilst my work over the years has had a demonstrable significant impact, it has left me with many scars, acquired in the trenches.

 

Debunking colonised development paradigms

Decoloniality has been a central plank, informing my practice, especially given my situatedness; the aftermath of slavery and colonialism, although not palpable, remains insidiously present in my audiences' configuration, sanctification, validation and consideration of ways of knowing, and ways of being. This process of decolonisation cannot, therefore, be seen as old colonial relics; to the contrary, they are essential components for the deconstruction of centuries old orthodoxy architectures that imbue development paradigms in the South and their enaction. This process of decoloniality, in my experience, is a sine quo non for both academics and practitioners, in the North and the South, who must engage more critically, both in thought and action, when it comes to engendering disruptive actions to eradicate poverty in all its forms.

 

A critical look at our intervention from the West

Linked to the last point, current attempts, especially by NGOs and INGOs, as well as UN and state actors, must take an inner recession to critically examine what they purport to do with the funding at their disposal and how they intervene more effectively, whilst at the same time cognisant of the historicity, power, and positionality of their interventions. Any continuation of business as now, in my experience, is a continuation of the “missionary position” colonial raping, just a more subtle mutation. “Development pornography” peddled by the “merchants of misery” at a significant detriment to those in whose lives we purport to intervene in, requires significant recalibration.

 

My positionality

Unashamedly and unapologetically, my situatedness and positionality has given me certain vantage views that allow me to gain greater insight into the causes, consequences and solutions to intractable development challenges, especially given my affinity, having had a personal serving of these intractable development challenges. This has significantly influenced my theory and practice. For those who do not have this situated/positional affinity, it is imperative that they understand it before effective efforts can be taken to dismantle all forms of pervasive, intractable, inhuman and deplorable poverty, in all its forms, everywhere!

 


* Texto publicado originalmente na Revista n.º 10 - Educação para o Desenvolvimento e para a Cidadania Global na Agenda 2030: Aprendizagens e Desafios para a Colaboração entre Atores, junho de 2020.

[1] Director, Centre for Academic Innovation, De Montfort University (UK).

 

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