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Ana Cano-Ramírez1

 

Educar para la Ciudadanía Global en el espacio universitario. Buenas prácticas de colaboración entre ONGD y Universidad2

Ortega Carpio, Mª Luz, Cordón-Pedregosa, Mª Rosa y Sianes, Antonio (Coords.) (2013). Madrid: Universidad Loyola Andalucía y Fundación ETEA para el Desarrollo y la Cooperación.

 

Nota sobre a entidade responsável pela publicação:

Esta publicación forma parte de la investigación 11-PR1-0451 realizada por el Grupo de Estudios de Desarrollo de la Universidad Loyola Andalucía y la Fundación ETEA para el Desarrollo y la Cooperación. Este proyecto ha sido financiado por la Agencia Española de Cooperación Internacional para el Desarrollo (AECID). El contenido es responsabilidad exclusiva de los autores y no refleja necesariamente la opinión de la AECID.

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Sandra Fernandes 1

 

Santos, Boaventura de Sousa (2013) Se Deus fosse um activista dos Direitos Humanos. Coimbra: Almedina

 

“Se Deus fosse um ativista dos direitos humanos, Ele ou Ela estariam definitivamente em busca de uma conceção contra-hegemónica dos direitos humanos e de uma prática coerente com ela” (p.135). É esta a resposta à interpelação que Boaventura de Sousa Santos lança no título da sua obra Se Deus Fosse um Activista dos Direitos Humanos, na qual procura, por um lado, demonstrar a construção ocidental dos direitos humanos e o seu potencial nas lutas sociais, se considerado a partir de uma perspetiva contra-hegemónica, por outro, o papel das teologias políticas progressistas enquanto instrumento de transformação social, de justiça e libertação.

A obra encontra-se dividida em 5 capítulos e pré-inicia com uma breve introdução ao historial do conceito de direitos humanos e explora a sua evolução. Examina as suas contradições enquanto “gramática” universal de dignidade humana, analisando criticamente as razões pelas quais atualmente se considera que a narrativa dos direitos humanos é ética e politicamente superior a outras gramáticas de dignidade humana. Questiona se essa consolidação dos direitos humanos como gramática única de dignidade humana se tratou de uma vitória ou derrota para a humanidade, uma vez que “a compreensão do mundo excede em muito a compreensão ocidental do mundo e, portanto, a compreensão ocidental da universalidade dos direitos humanos.” (p.25)

No primeiro capítulo, o autor discorre sobre o papel que a religião pode ou não assumir na sociedade enquanto instrumento de contra-hegemonia relativamente ao único entendimento da vida social considerado possível pela maioria. Para isso, são aqui distinguidas teologias tradicionalistas e fundamentalistas de teologias progressistas e pluralistas. As teologias tradicionalistas são consideradas como aquelas que recorrem às regulações sociais e políticas do passado para legitimar as soluções a adotar no presente, utilizando dados teológicos para “enfatizar ideias políticas que reconduzem a autoridade política à autoridade religiosa” (p.43). O fundamentalismo está associado a uma “determinada conceção de verdade, que se confunde com a posse do Fundamento” (p.38). Por outro lado, as teologias progressistas são as que não separam a análise religiosa da análise social, ao mesmo tempo em que as teologias pluralistas são aquelas que “apontam para uma conceção humanista da religião” (p.39).

Nos dois capítulos seguintes, e apesar de considerar que todas as religiões têm, em princípio, o mesmo potencial para desenvolver versões de teologias progressistas e libertadoras, capazes de se integrar nas lutas contra-hegemónicas contra a globalização neoliberal, Boaventura de Sousa Santos detém-se nos casos concretos das teologias cristã e islâmica, abordando também as suas vertentes fundamentalistas.

No quarto capítulo desenvolve uma reflexão sobre direitos humanos e teologias políticas nas suas zonas de contacto2 e sobre as diferentes conceções de dignidade humana que emergiram e que rivalizam entre si de forma desigual. Analisa algumas das fragilidades da conceção ocidental dos direitos humanos: a) o facto de serem considerados ahistóricos, o que dificulta o reconhecimento de direitos coletivos de grupos vítimas de opressões e legitima outras violações mais graves e massivas; e b) a dificuldade que manifestam em questionar criticamente a secularização, considerando-a um facto consumado e indiscutível. Simultaneamente, coloca a descoberto os princípios alternativos/outras gramáticas de dignidade humana, derivados do que considera o falhanço dos direitos humanos “na produção de modos de vida individual e coletiva consonantes com os seus princípios” (p.77).

Reflete também sobre o potencial dos direitos humanos na luta pela dignidade humana, se utilizados de modo não convencional e num formato contra-hegemónico; e sobre as teologias políticas progressistas, no seu potencial para fortalecer conceções de dignidade humana e, por consequência, fortalecer as lutas sociais assentes nestas teologias, muito além do quadro dos direitos humanos. Considera, por isso, que só reconhecendo a sua fragilidade é que podemos fazer dos direitos humanos um instrumento de resistência e luta. Eles apenas se podem transformar num meio de emancipação social se assumirem o seu carácter incompleto e assim gerarem interações entre as diferentes gramáticas de dignidade humana, dando assim uma maior legitimidade intelectual e cultural às lutas sociais.

Finalmente, no quinto capítulo, reflete, por um lado, sobre os direitos humanos contra-hegemónicos como luta contra o sofrimento humano injusto e as desigualdades a nível mundial, assumindo a natureza como parte da humanidade e, por outro, sobre o potencial da experiência religiosa progressista e da reflexividade teológica como instrumentos de fortalecimento, expansão e radicalização na luta pelos direitos humanos e na transformação social. Neste sentido, conclui que são as teologias progressistas aquelas que melhor podem contribuir para esta visão: “as teologias políticas progressistas podem contribuir para tornar o sofrimento injusto numa presença intolerável que desumaniza, tanto as vítimas, quanto os opressores, quanto ainda aqueles que, não se sentindo nem vítimas nem opressores, veem no sofrimento injusto um problema que não lhes diz respeito.” (p.125).

Esta reflexão de Boaventura de Sousa Santos parece-nos um ponto de vista essencial na construção de uma visão crítica e fundamentada de direitos humanos e de outras gramáticas de dignidade humana. No entanto, julgamos igualmente essencial não ignorar a dificuldade em colocar em causa uma narrativa de direitos humanos cimentada ao longo dos séculos, tanto a Norte como a Sul3, embora nestes casos, muitas vezes, fruto de uma assimilação forçada: “os povos que entraram na zona de contacto com a modernidade ocidental fizeram-no em condições de inferioridade forçada (..) Muitos foram forçados a abandonar as conceções que os tinham guiado antes de chegarem à zona de contacto” ou a “adotaram de modo mais ou menos voluntário os novos princípios ou apropriaram-se deles conferindo-lhes outros sentidos” (p.78).

Há que reconhecer o percurso realizado até aqui por esta visão de direitos humanos e não podem ser ignorados os seus ganhos, nomeadamente na chamada de atenção para diferentes tentativas de opressão governamental, em várias escalas. No seu relatório de 2015/2016, a Amnistia Internacional refere que “O mundo enfrenta atualmente muitos desafios que, na sua origem, foram criados ou prolongados por governos que põem o jogo político acima das vidas das pessoas.” Casos como os de Angola, Arábia Saudita, Burundi, China, Hungria, entre muitos outros, são apontados, sob a perspetiva da violação dos direitos humanos, como regimes que ignoram qualquer gramática de dignidade humana. Outra situação que tem vindo a ser chamada à luz do foco mediático tem sido a questão das migrações forçadas e da dignidade destas pessoas estar a ser colocada em causa. Também neste caso, tem sido a narrativa de direitos humanos que tem permitido chamar a atenção para a total desconsideração por qualquer visão de dignidade do Ser Humano.

Alguns destes exemplos, que consideramos na linha do que Boaventura de Sousa Santos classifica de contra-hegemónico, demonstram essa dupla face no recurso que se faz dentro da gramática de direitos humanos. Esta contra-hegemonia contrapõe-se, contudo, a uma visão indiscutível de direitos humanos, na qual as suas contradições podem ser bem notórias. Detenhamo-nos, por exemplo, no 17.º Artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos que nos fala do direito individual e coletivo à propriedade. Se em oposição a este direito humano, contrapusermos uma perspetiva de bem comum universal, como se coaduna isso com explorações privadas de espaços biologicamente essenciais para o planeta e para a nossa própria sobrevivência? Como se coaduna essa visão de propriedade privada com o combate desigual entre megraprojetos de exploração e a tentativa de preservar uma cosmovisão do território, por parte de alguns povos indígenas?

Parece-nos que duma perspetiva de uma educação transformadora, o conhecimento e aprofundamento desta visão contra hegemónica dos direitos humanos e do papel das diferentes teologias políticas é fundamental na reflexão crítica sobre o mundo em que vivemos.

A leitura desta obra constitui por isso um passo importante numa educação que se pretende crítica e transformadora, como é defendido pela UNESCO no seu documento Educação para a Cidadania Global: preparando alunos para os desafios do século XXI. Em boa verdade, numa realidade global onde o fosso entre os mais ricos e os mais pobres é crescente (OXFAM: 2016), onde o gasto que se faz com armas é muito superior ao do investimento na educação e onde o meio natural continua a ser arrasado, dando lugar a situações onde opiniões e vontades de alguns povos são ignoradas e silenciadas4, qual o papel que podemos ter, a partir da educação, se não for a de uma educação verdadeiramente transformadora?

Uma educação transformadora que promova e valorize a aprendizagem colaborativa com outros/as. Que atribua um papel ativo ao aprendente e procure torná-lo num intérprete crítico da realidade, capaz de desenvolver uma visão, não só aprofundada, mas também interdependente das problemáticas a nível local e global. Uma educação transformadora que impulsione a aquisição de uma perspetiva integrada e ética do ser humano, da natureza e do universo a partir de valores de justiça social e equidade (Vigna: 2007). E que, depois deste processo (porque a educação transformadora é feita de processos) potencie a ação para a transformação social, isto é, que assuma uma dimensão política que procure a transformação das estruturas e das situações geradoras de injustiça social, pobreza e desigualdade. Uma educação em que o mero conhecimento cognitivo não é suficiente!

Se queremos, de facto, promover a tolerância e o respeito pela diversidade, capacitar os/as cidadãos para se envolverem na resolução de desafios globais e encorajar o desenvolvimento sustentável, como afirma a UNESCO (2015), a análise e reflexão críticas relativamente à ideia e construção de uma gramática de direitos humanos e do papel das teologias políticas pode constituir um dos caminhos a trilhar nesse percurso.

Se Deus Fosse um Activista dos Direitos Humanos é um instrumento que nos desinstala e nos ajuda a olhar o mundo a partir de outras perspetivas e pontos de vista, que não são os que estamos habituados. Permite-nos refletir sobre nós mesmos e sobre quão inclusivos e respeitadores da dignidade humana estamos a ser ao falarmos de direitos humanos e ao ignorarmos o papel das teologias políticas como forma de transformação social. Obviamente que esta análise não poderá nunca ser ingénua e é importante que tenha em consideração as dificuldades associadas a uma narrativa construída e enraizada pelo Ocidente ao longo do tempo. No entanto, numa perspetiva de educação para a transformação social, incluí-la na reflexão sobre o caminho para um mundo mais equitativo e justo pode ser fundamental.

 




[1] Membro da equipa de Cidadania Global e Desenvolvimento da Fundação Gonçalo da Silveira.

[2] Aqui entendidas como “zonas em que ideias, conhecimentos, formas de poder, universos simbólicos e modos de agir rivais se encontram em condições desiguais e interagem de múltiplas formas” (p.75).

[3] Norte e Sul entendidos aqui do ponto de vista geopolítico e não do ponto de vista geográfico.

[4] Veja-se, por exemplo, o caso recente de Berta Cáceres, cofundadora da Civic Council of Popular and Indigenous Organizations of Honduras (COPINH), assassinada a 3 de março de 2016, por se contrapor aos megraprojetos neoliberais que colocavam em causa a visão de defesa dos recursos naturais como parte da cosmovisão do povo indígena Lenca de respeito pela “Mãe Terra”, como um Bem Comum. Saiba mais sobre este caso aqui

 

 

Referências Bibiograficas

  • Amnesty International (2016). Report 2015/2016. The state of the world's Human Rights, Amnesty International, – disponível em http://www.amnistia-internacional.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=2394 [acedido em maio de 2016].
  • OXFAM GB (2016), An Economy for the 1%. How privilege and power in the economy drive extreme inequality and how this can be stopped, 210 OXFAM Briefing Paper, Oxford: OXFAM GB – disponível em https://www.oxfam.org/sites/www.oxfam.org/files/file_attachments/bp210-economy-one-percent-tax-havens-180116-en_0.pdf [acedido em maio de 2016].
  • Santos, Boaventura Sousa (2013), Se Deus Fosse um Activista dos Direitos Humanos, Coimbra: Edições Almedina.
  • UNESCO (2015), Educação para a Cidadania Global: preparando alunos para os desafios do século XXI, Brasília: UNESCO.
  • Vigna, S., coord. (2007), Escuelas y educación para la ciudadanía global. Una mirada transformadora, Barcelona: Intermón Oxfam Ediciones.

 

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Èric Chaurette1

 

La recherche paysanne: une science de terrain

Réunie sous un chapiteau érigé avec des perches et couverts d’étoffes colorées, une délégation de producteurs cotonniers du Burkina Faso écoute attentivement les récits de femmes rurales indiennes, devenues veuves, car leurs époux ont préféré s’enlever la vie au lieu de continuer à crouler sous des dettes – des dettes qu’elles attribuent directement à l’échec du coton Bt, un coton transgénique de Monsanto.

« Nous ne voulons pas que cela se produise chez nous » remarque Élisé, un producteur cotonnier qui cultive le coton Bt au Burkina Faso. Mais Élisé est plus qu’un producteur. Il est aussi chercheur. Depuis 2014, Élisé et 202 autres producteurs burkinabè participent en tant que « producteurs-chercheurs » au projet de recherche paysanne Le coton Bt et nous: la vérité de nos champs. En octobre 2017, à Ouagadougou, la recherche fut lancée devant une salle comble et Élisé était parmi deux autres producteurs-chercheurs sur la scène, à présenter les constats de la recherche, sous l’oeil des caméras, d’un public intéressé, et aussi sous l’oeil irrité de quelques membres de l’Agence nationale de biosécurité du Burkina Faso.

Mais revenons d’abord un peu en arrière…

 

Origines

Seul pays de l’Afrique de l’Ouest à avoir accepté l’introduction des OGM, le coton Bt a fait son apparition au Burkina Faso en 2003. À l’époque, le pays était toujours dirigé par une main de fer par son président, Blaise Compaoré, et toute dissidence ou critique était découragée.

Malgré cela, la Coalition pour la protection du patrimoine génétique africain (COPAGEN), une coalition qui a comme mission de défendre les droits des communautés sur leurs ressources génétiques, a organisé une caravane pour contester les OGM et le coton Bt au Burkina Faso en 2008. Depuis un certain temps, la COPAGEN désirait mener une étude sur l’impact du coton Bt. Malgré l’assurance par ses tenants que le coton OGM était sûr et supérieur au coton conventionnel, très peu d’études avaient été menées sur l’impact possible de son introduction au Burkina Faso sur la santé, l’environnement et l’économie – et aucune avec les agriculteurs eux-mêmes. La COPAGEN ose poser cette question: comment ces derniers peuvent-ils faire un choix éclairé sans connaître pleinement l’impact de la technologie sur leurs moyens de subsistance?

Plusieurs tentatives de recherche furent entamées, mais ont échoués dû à un manque de ressources. C’est durant un voyage d’échange entre la COPAGEN et la Deccan Development Society (DDS), une ONG indienne qui milite pour l’agroécologie et la souveraineté alimentaire, qu’une solution a été trouvée.
Fondée en 1983, la DDS travaille avec une association de 5 000 femmes Dalits (parfois surnommées « intouchables ») dans l’état de Telangana. Elle les accompagne afin qu’elles puissent s’affranchir et devenir des citoyennes de plein droit, malgré leur niveau social marginalisé par leur caste. L’approche de la DDS consiste à regrouper des femmes en sanghams (associations villageoises de femmes), et à les soutenir à cultiver la terre en n’utilisant que des semences locales et adaptées au milieu, et sans l’apport d’intrants. Une mise en marché des produits, gérés par des coopératives de femmes, assure aussi une plus grande autonomie sur le marché. En trois décennies, la DDS a réussi à transformer une région qui souffrait de la faim, en un grenier où règne la souveraineté alimentaire.

La DDS a vite compris les risques que posent les OGM, tant sur les plans écologiques que sociaux. Alors, lorsque le coton Bt fut introduit en Inde, la DDS s’y est farouchement opposée. Alors que peu d’information indépendante existait sur les impacts de ce coton transgénique, la DDS a conçu une méthode de recherche participative et où le producteur de coton serait placé au centre. C’est ainsi que pendant trois années, la DDS a mené une recherche paysanne sur les impacts du coton Bt en Inde. Cette recherche fut documentée dans le film: Bt cotton: a three-year fraud. https://www.youtube.com/watch?v=yafNIJykNUw.

Lors d’un échange organisé par Inter Pares en 2012 avec des leaders de la COPAGEN en Inde, les participants ont pu visionner le documentaire, et rencontrer l’équipe de chercheurs qui avaient encadré l’étude. L’approche était jugée tout à fait applicable au contexte ouest-africain et c’est ainsi qu’au retour, le projet avait été lancé au Burkina Faso.
Au départ, la recherche s’est intéressée à toutes les zones de production de coton du Burkina Faso, et 603 producteurs cotonniers se sont associés à la recherche. Cet engouement de la part des producteurs pour cette recherche témoigne bien du désir d’être mieux informé sur les impacts du coton Bt.

Les 603 producteurs-chercheurs étaient constitués en cellules de recherche d’environ 20 à 30 producteurs. Une coordinatrice de la recherche a fourni la formation des producteurs chercheurs (documentation de coûts des semences, du prix vendu du coton, des quantités d’intrants (pesticides, herbicides, engrais) et comment bien noter toute cette information dans des fiches conçues à cette fin.

Après une première année, les données recueillies furent dévoilées lors du Forum COPAGEN. L’ampleur de la recherche était saluée, mais pour des fins de rigueur, la COPAGEN a décidé de réduire la zone d’étude aux trois principaux états de production de coton, et de réduire l’équipe de chercheurs-producteurs de 603 à 203 producteurs chercheurs. Sur ces nouvelles bases, la recherche s’est poursuivie pour enfin être publiée dans l’ouvrage: Le coton Bt et nous: la vérité de nos champs.
https://interpares.ca/sites/default/files/resources/le-coton-bt-et-nous-web_0.pdf.

Un documentaire relatant les constats de recherche a aussi été produit: Le coton Bt au Burkina Faso, la moisson des désillusions: https ://interpares.ca/node/1521.

 

L'échec du coton Bt

Comme pour l’Inde, les constats de la recherche sur le coton Bt sont accablants:

• Les semences de coton Bt étaient, en moyenne, 18 fois plus chères que les semences de coton conventionnel.
• Les rendements moyens du coton Bt ont été inférieurs de 7 % à ceux du coton conventionnel.
• Les agriculteurs ont noté que les insectes ciblés par le coton Bt développaient une résistance croissante à la toxine Bt dans les plants GM, ce qui les forçait à augmenter les applications de pesticides pour tenter de contrôler les attaques. Un avantage clé du coton Bt était censé être qu’il allait réduire l’utilisation de pesticides.
• Sur trois saisons, les économies réalisées au début par les agriculteurs en raison d’une moindre utilisation de pesticides se sont inversées: la culture du coton Bt leur coûtait maintenant 7 % plus cher que celle du coton conventionnel.
• L’absence de zones refuges entre les champs OGM et non-OGM et l’absence de mesures de confinement des semences de coton GM pour éviter la contamination du coton conventionnel.
• Les agriculteurs ont également exprimé des inquiétudes quant à l’impact du coton GM sur la santé et l’environnement.


La reconnaissance de ce qui est «scientifique»

En octobre 2017, le rapport de recherche ainsi que le documentaire furent présentés à Ouagadougou, capitale du Burkina Faso. Dans le cadre de ce lancement, une rencontre a aussi eu lieu entre l’Agence nationale de biosécurité du Burkina Faso (l’agence qui est responsable de faire appliquer les lois concernant les OGM) et les responsables de la recherche paysanne pour discuter de la recherche et de ses résultats. La perspective de l’Agence était qu’il faut laisser aux « vrais » scientifiques le soin d’évaluer les OGM et qu’un producteur-chercheur n’est pas scientifique. Cependant, l’Agence n’a pas voulu, ou n’a pas pu, contredire les constats de la recherche ci-haut mentionnés. Des informations recueillies par les producteurs eux-mêmes, qui cultivent leur terre, qui savent combien ils dépensent, et gagnent par la vente du coton. Ces informations ne pouvaient être contestées.

 

Conclusion

L’expérience de la recherche paysanne sur l’impact du coton Bt au Burkina Faso est d’une importance capitale. Cette recherche a permis aux producteurs de coton d’observer et de documenter l’impact et les dommages découlant de l’introduction du coton Bt au Burkina Faso.

Mais au-delà des constats de la recherche, le processus de recherche lui-même fut fort important. D’abord, l’approche producteur-chercheur est une approche éprouvée, qui rend la recherche scientifique accessible aux populations qui ont peu de ressources financières. Ces centaines de producteurs sont aussi aujourd’hui outillés à mieux observer et documenter ce qu’ils font sur leurs terres. Ces connaissances et ce développement du sens critique sont transmissibles à d’autres activités. Les producteurs-chercheurs ont pu constater par eux-mêmes l’échec du coton Bt, et la prochaine fois qu’ils se feront miroiter des promesses sur les bienfaits supposés des OGM, ils ne seront pas dupes.

Enfin, le lancement des résultats de la recherche paysanne se faisait aussi dans un contexte intéressant. Depuis un certain temps, les compagnies cotonnières observaient que les fibres du coton Bt étaient systématiquement plus courtes que celles du coton conventionnel, ce qui le rendait moins attrayant sur le marché international. En 2015, incapables de vendre le coton Bt, les sociétés de coton au Burkina ont demandé aux producteurs de réduire progressivement la production de coton Bt pour revenir au coton conventionnel. En 2017, il ne se cultivait plus de coton Bt au Burkina Faso et la firme Monsanto a dû compenser les sociétés cotonnières pour la perte de leurs marchés.

 


[1] Eric Chaurette travaille au sein de l’organisation canadienne de justice sociale Inter Pares www.interpares.ca. Depuis 2005, Eric appuie des luttes au Canada, en Asie, et en Afrique pour l’agroécologie, la souveraineté alimentaire et le contrôle des ressources.

 

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Hui Li 1

 

Martínez Lirola, María (2017) La importancia del análisis crítico del discurso y la gramática visual para analizar textos. Propuesta de actividades enmarcadas en la educación para el desarrollo, la educación con perspectiva de género y la educación para la paz. Granada: Editorial Comares

 

El libro La importancia del análisis crítico del discurso y la gramática visual para analizar textos. Propuesta de actividades enmarcadas en la educación para el desarrollo, la educación con perspectiva de género y la educación para la paz ha sido elaborado por la profesora María Martínez Lirola, profesora titular del Departamento de Filología Inglesa de la Universidad de Alicante y Research Fellow, Department of Linguistics, University of South Africa (UNISA), cuyas principales líneas de investigación son estudios discursivos, la Gramática Sistémico Funcional y la Lingüística Aplicada, además de sus investigaciones sobre la igualdad del género.

El libro está muy bien estructurado y se divide en dos partes claramente diferenciadas. La primera consiste en la parte teórica, y trata de la introducción general al análisis crítico del discurso (ACD) y a la gramática visual en un enfoque educativo basado en competencias. Esta parte incluye tres capítulos que resumimos a continuación:

En el primer capítulo, la autora nos muestra la importancia de la enseñanza por competencias y la clasificación general y específica de ellas, entre las cuales se destacan las competencias sociales. Se enfatiza que la educación es una herramienta en la que hay que optar por temas globales, actuales y relacionados con la paz, la justicia social, la igualdad, los derechos humanos, entre otros. De esta forma, se amplían las perspectivas de los y las estudiantes para que entiendan lo que sucede en el mundo, que desarrollen la capacidad crítica y que participen en la construcción de un mundo mejor.

En el segundo capítulo, se diferencia el ACD y el análisis del discurso que no es crítico. Además se precisa que el ACD se centra en el estudio de los fenómenos sociales complejos y se emplea una aproximación multidisciplinar y multimetodológica. El texto se considera como una muestra de lengua en uso y el resultado de varias elecciones dentro del sistema, y hacer análisis críticos de un discurso nos lleva a conocer la realidad social que se refleja en la lengua. Se presenta también la relación entre la lengua, la ideología y la cultura, y la relación entre la lengua y el poder, pues ciertas formas lingüísticas se emplean para la expresión de poder. Así mismo, en este capítulo se señalan algunas de las ideas relacionadas que el ACD tienen con la Gramática Sistémica Funcional (GSF) fundada por Michael Halliday. Al final del presente capítulo, se enumeran los recursos para la cohesión del texto.

En el capítulo 3, conocemos la definición y las características de los textos multimodales, que consisten en los que combinan varios modos de comunicación lingüísticos y visuales, los cuales nos ayudan a entender mejor el significado que se quiere expresar el texto. Además, se introducen la gramática visual como marco teórico para analizar los textos multimodales, las características y las tres maneras de la composición en estos textos: el valor de la información, la prominencia y los marcos. También encontramos la presentación de las funciones de la lengua en los textos multimodales que son representacional, orientacional y composicional.

La segunda parte del libro trata de los aspectos prácticos. Esta parte se compone de los capítulos cuarto y quinto. En el cuarto capítulo, la profesora Martínez Lirola se centra en la presentación de las ideas fundamentales de tres aproximaciones didácticas con diferentes enfoques: la educación para el desarrollo, la educación con perspectiva de género y la educación para la paz. La autora nos muestra las cinco generaciones de la educación para el desarrollo, cuya finalidad didáctica consiste en formar personas para que sean agentes solidarios que luchan para un mundo más justo y más humano. Con respecto a la educación con perspectiva de género, se centra en defender la igualdad de recibir la educación de las mujeres dentro de la educación inclusiva, en cuanto a la educación para la paz se enfoca en la paz positiva, que trata de la ausencia de guerra y también de la paz en los ámbitos sociales, económicos, educativos, entre otros.

El libro acaba con el quinto capítulo, que consiste en la propuesta de actividades prácticas que potencian los principios del análisis crítico del discurso, de la enseñanza multimodal y de las tres aproximaciones didácticas anteriormente mencionadas. La autora propone una metodología cooperativa para emplear actividades basadas en textos reales de temática social, las cuales facilitarán la adquisición de competencias sociales. Martínez Lirola nos presenta las siguientes actividades realizadas en clase: presentación oral cooperativa, debate cooperativo, el análisis de textos de temática social y la escritura de ensayos.

El libro La importancia del análisis crítico del discurso y la gramática visual para analizar textos. Propuesta de actividades enmarcadas en la educación para el desarrollo, la educación con perspectiva de género y la educación para la paz tiene una estructura muy clara, tal y como hemos mencionado anteriormente, debido a que la autora lo ordena en dos partes: por un lado encontramos la parte teórica y por otro lado la práctica. De esta manera, el lector se sitúa enseguida en el contexto, lo cual facilita su comprensión. Las dos partes están estrechamente vinculadas y eso demuestra la posibilidad al alumnado de adquirir los conocimientos lingüísticos y a su vez de desarrollar las competencias sociales de modo que sea posible trabajar la capacidad crítica en el aula y trabajar con temas sociales reales de la actualidad.

La parte práctica nos muestra actividades concretas y aplicadas en el aula por la misma autora. Esta parte será de utilidad para guiar a los docentes sin experiencias en la metodología cooperativa o en el diseño de distintas actividades en el aula. Además, se dan algunas claves para trabajar con los conflictos que surgen en el aula cuando se trabaja de manera cooperativa.

Finalmente, me gustaría terminar esta reseña reconociendo el gran trabajo teórico y a la vez práctico por parte de la profesora María Martínez Lirola. Este libro será de mucha utilidad no sólo para los y las estudiantes universitarios y los profesores y las profesoras correspondientes de carreras como Filología, Comunicación, Publicidad y Educación, sino también para el alumnado y el profesorado de primaria y secundaria debido a que la metodología que se propone en el libro se puede emplear en todos los niveles educativos. 



[1] Doctora de español e inglés como lenguas extranjeras del Departamento de Filología Española, Lingüística General y Teoría de la Literatura de la Universidad de Alicante

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Anne Kaboré Leroy1 & Lise Trégloze2

 

 

Miguel Sierra, Adélie; Graugnard, Gilbert; Kabore, Anne; Noury, Audrey et membres du groupe de travail (2014). Sur le chemin de l’impact de l’éducation au développement et à la solidarité internationale. Repères méthodologiques pour apprécier ce qui est en mouvement. Les Collections du F3E. Educasol.3

 

Par EDUCASOL - Plate-forme Française d'Education à la Citoyenneté et à la Solidarité Internationale:

La recherche action en 4 chiffres

13 structures engagées dans la démarche

La recherche action s’est déroulée sur deux années (2013-2014). Huit ONG, dont la FADM qui apporte ici son témoignage, y ont contribué ainsi qu’une collectivité territoriale. Ces acteurs ont été des praticiens chercheurs. Ils ont identifié dans leurs projets en cours ou à venir un champ d’expérimentation et cherché des solutions adaptées pour traiter de l’impact de leurs actions.

L’équipe d’animation était composée d’une salariée de chacune des structures porteuses du projet Educasol et le F3E et de deux experts (l’un du champ de la coopération internationale, l’autre du champ de l’ECSI). Le rôle de l’équipe d’animation consistait à faciliter le processus en accompagnant ensemble le groupe et ses membres individuellement, à recenser les ressources existantes, à organiser les temps de rencontre et à formaliser les apprentissages au fil de l’eau.

La proximité des 2 structures porteuses, Educasol et F3E - deux collectifs ayant des membres en commun - ainsi que leur complémentarité, l’une spécialisée sur les questions d’ECSI l’autre sur les questions de formation et d’évaluation, ont permis une communication fluide et une capacité à adapter le projet au fil de l’eau.

 

Trois principes d’actions ont animé la démarche

  • Être dans une démarche d’apprentissage et permettre aux acteurs de se renforcer sans dépendre d’une expertise externe, même si l’accompagnement était nécessaire.
  • Faciliter la construction collective de ce qui faisait sens à partir d’une diversité de personnes et d’expérimentation plutôt que de chercher à normaliser et prescrire des solutions standardisées.
  • Aborder la dimension politique intrinsèque au changement, laquelle ne peut être appréciée qu’au travers d’une pluralité d’acteurs en situation de confiance.

 

Une quarantaine de rencontres de format varié

Comment insuffler un rythme suffisamment soutenu pour avancer collectivement, tout en respectant les rythmes spécifiques de chacune des 9 expérimentations? En organisant régulièrement des rencontres de format très divers: réunions bilatérale (à Paris ou sur site) entre chacun des acteurs d’ECSI et un binôme salarié/expert de l’équipe d’animation; séminaire réunissant l’ensemble des participants; formations avec des intervenants extérieurs; rencontres entre équipe d’animation et autres experts et enfin journées ouvertes au acteurs éducatif du changement social… Sans oublier bien sur les réunions interne à l’équipe d’animation afin de préparer les rencontres, de formaliser les acquis, et parfois de reculer pour… mieux sauter et dépasser difficultés rencontrées chemin faisant! Ce rythme a permis d’avancer sans s’essouffler et sans dramatiser les difficultés rencontrées.

 

Trois types de production

A l’issue de ce processus itératif, ont été produits: une courte vidéo pour expliquer les enjeux et donner envie aux acteurs d’ECSI de travailler sur l’impact de ses actions; une publication: «Sur le chemin de l’impact» ainsi que des notes de capitalisation sur la démarche produites par chacune des parties prenantes.

 

Un contexte favorable pour aborder des défis communs

La concomitance de dynamiques national… 

Cette recherche action s’est développée dans un contexte national de débats sur les enjeux du développement et de la solidarité internationale. La tenue des assises du développement et de la solidarité internationale initié par le Ministère des Affaires étrangères a rassemblé tous les acteurs du champ de la coopération et de la solidarité internationale (universitaire, collectivités territoriales, entreprises, fondations d’entreprises, syndicats, associations…). Elle a abouti à la 1er loi d’orientation sur ce sujet. Par ailleurs, l’Agence Française de Développement, principal bailleur de l’ECSI réalisait une cartographie de l’EAD sur la base des projets cofinancés. Enfin une réflexion collective sur l’évolution des concepts et des enjeux de l’ECSI était en cours au sein d’Educasol.

A facilité la mobilisation collective autour des défis suivants: 

  • Démontrer l’utilité sociale de l’ECSI, dans un contexte politique tendu ou l’ECSI bénéficie d’un soutien financier très faible (ex :0,02% de l’Aide publique au développement) malgré la reconnaissance partagée des enjeux qu’elle porte.
  • Travailler à une vision commune de l’impact d’actions d’ECSI portées par une variété croissante d’acteurs.
  • S’inspirer des apports méthodologiques des sciences humaines encore peu appropriés par les acteurs français de l’ECSI.
  • Clarifier les types d’effets produits par la très large palette d’activités que recouvre l’ECSI (sensibilisation, formation, plaidoyer, mise en réseau…).
  • Et enfin dernier défi et non le moindre: dépasser les résistances des acteurs d’ECSI eux même face à l’évaluation de leurs actions et les difficultés méthodologiques que cela implique vu la dimension immatérielle des changements attendus.

 

Après le défrichage, le cheminement collectif continue!

Un périmètre d’expérimentation qui incite à l’humilité

Les acteurs participants directement à la recherche action ont été les plus touchés. Rien ne remplace le «faire ensemble» à partir des diversités de chacun! Par ailleurs, le périmètre des actions expérimentés était peu diversifié et d’envergure modeste. Enfin nous avons vécu somme toute une démarche interculturelle, du fait de la diversité des parties prenantes, celle-ci procure joies et… lenteurs…

 

Placer l’acteur au centre de la réflexion sur l’impact 

Le principal enseignement de cette recherche action est la prise de conscience que c’est l’acteur, et non l’action, qui doit être placé au centre de la réflexion sur l’utilité sociale de l’ECSI. C’est une des raisons qui ont amené Educasol à changer de terminologie et à parler d’ECSI et non plus d’EAD SI. Le terme de développement est remplacé par celui de citoyenneté. Le second enseignement est qu’il incombe aux porteurs d’action de définir au plus près les changements recherchés auprès des acteurs sociaux. Enfin travailler sur l’impact leur permet de voir en quoi leurs actions contribuent au changement sans pour autant qu’ils puissent attribuer à leur seule action ces changements.

 

Continuer le chemin dans un espace stabilisé pluri acteur: l’Observatoire de l’ECSI

Cette recherche action s’est prolongée dans le cadre du programme PRISME piloté par le F3E. Celui-ci associe acteurs de l’ECSI, acteurs de la coopération et partenaires internationaux sur l’expérimentation des approches orientées au changement.

Par ailleurs à l’issue de cette recherche action, Educasol et F3E ont décidé de co-organiser une formation annuelle de trois jours sur les effets des actions d’ECSI.

Enfin ce travail a permis de partager le constat selon lequel le changement social auquel contribue l’ECSI ne peut être apprécié qu’au travers une diversité de points de vue d’acteurs. C’est là un des enjeux de l’Observatoire de l’ECSI qu’Educasol anime depuis 2017. En facilitant la structuration des données sur les actions, les acteurs et l’impact l’ECSI, l’Observatoire entend contribuer en lien avec le Laboratoire et le Think tank à une meilleure connaissance de ce qu’est l’ECSI, des enjeux qu’elle porte et de sa portée transformatrice.

 

Par FADM - Fédération Artisans du Monde

La recherche action: un luxe nécessaire

Tenter d’évaluer l’impact de la grande diversité des pratiques éducatives du réseau Artisans du Monde relevait de l’impossible pour l’équipe éducation de la fédération. De plus trop souvent l’évolution de la consommation de produits du commerce équitable est identifiée comme étant un bon marqueur de l’impact d’une action d’éducation au commerce équitable. Or l’indicateur que représente la consommation de produits – tout équitable qu’ils soient- signifierait qu’une action éducative n’entraînant pas d’acte d’achat serait donc inefficace… alors même que l’éducation à la consommation responsable intègre d’autres leviers de changement tel que celui de consommer moins avant tout! Ainsi, lasse de me «casser les dents» sur ce sujet, j’ai accueilli avec enthousiasme cette proposition de recherche action.

Il est rare pour un acteur, tiraillé entre ses engagements via des projets subventionnés, ceux de sa base militante et de sa direction, de s’offrir le luxe de s’engager dans une dynamique de recherche-action, où le processus compte plus que le résultat, où le droit à l’erreur est possible, où l’examen d’entrée repose plus sur nos doutes que sur nos certitudes… Le côté spontané, bienveillant et surtout apprenant de cette expérience, qui s’enrichissait tout autant des apports de nos experts, que de ceux des collègues d’autres ONG qui «pataugeaient» comme nous a été très vivifiant!

Ne pas se sentir seule est déterminant! Durant cette expérience, j’ai ressenti un fort sentiment d’appartenance à un groupe, à une communauté: celles des acteurs et actrices de l’ECSI se préoccupant de l’évaluation de l’impact de leurs actions… Petit monde s’il en est, mais soudé, solidaire et motivé! Lorsque je suis amenée à devoir justifier pourquoi il importe pour une organisation comme la mienne d’adhérer à ce type de collectif, je peux citer cet exemple d’activité que la FADM n’aurait jamais su et pu mettre en place de manière autonome.

 

Associer les membres du réseau: un enjeu incontournable

Le rythme des réunions et la grande disponibilité des accompagnants ont permis d’étaler ce travail sur deux ans et d’associer des acteurs locaux. S’il était important pour moi d’acquérir une «culture de l’évaluation», il était indispensable de pouvoir associer au mieux les membres de mon réseau et en premier lieu les plus concernés: les animateurs et animatrices des associations locales qui interviennent toute l’année auprès de divers publics. Le périmètre de l’expérimentation s’est porté sur des «projets d’années» en établissement scolaire, menés par un groupe de salarié.e.s d’associations locales en Rhône-Alpes.

Deux éléments ont permis de dépasser les résistances des acteurs de terrain pour rentrer dans la démarche. Nous avons présenté la démarche comme:

  • Un moyen de partager avec eux le souci de mieux faire connaître les métiers de l’ECSI, de mieux défendre cette mission d’éducation au commerce équitable et non comme un moyen d’améliorer la qualité d’actions, ce qui a renforcé leur confiance.
  • Déconnectée de toute « commande » des bailleurs et non la dernière étape imposée d’un projet, ce qui n’en facilite jamais la réappropriation.

 

Un premier pas modeste mais décisif

Certes si cette activité avait été menée avec une «obligation de résultat», celui-ci aurait été amer pour la FADM. L’expression «accoucher d’une souris» prendrait là tout son sens. En effet, en terme de résultat tangible, la FADM n’a malheureusement pas pu aboutir à l’évaluation de l’impact de ces fameux projets d’années menés par des salarié.e.s en Rhône-Alpes, pour cause du désistement desdit.e.s salarié.e.s que nous n’avons finalement pas su accompagner jusqu’au bout dans un contexte difficile pour la pérennité de leurs postes.

Force est de constater par contre que les outils créés pendant la recherche-action font encore référence en 2018: la vidéo est utilisée dans des formations d’animateurs et animatrices en ECSI co-organisées par la FADM et d’autres membres d’EDUCASOL et la publication a inspiré plusieurs travaux.

Enfin et surtout la capitalisation de cette expérience a permis de tirer de nombreux enseignements qui ont été partagés plus largement dans l’équipe nationale et celle de sa commission éducation.

 

Appliquer à nous même les enseignements de la recherche action

Nous avons commencé à nous appliquer à nous même les changements que nous aimerions chez les autres: s’il est important d’avoir une vision «évaluative» pour toute action d’éducation et de dédier du temps et des moyens à celle-ci, alors la FADM se devait de se doter de moyens clairs et d’expérimenter des méthodologies d’évaluation d’impact sur ses propres actions. C’est pourquoi, après une phase de formation des salarié.e.s et de personnes ressources à la fédération sur l’évaluation, nous avons décidé d’expérimenter à plus grande échelle.

Profitant d’un projet européen ambitieux «Jeunes Ambassadeurs du Commerce Equitable», soutenu par ERASMUS +, qui allait permettre à la FADM de mener des activités pendant 3 ans avec un lycée français (Bel Orme à Bordeaux) et des partenaires européens (comme le CIDAC au Portugal) sur une palette large d’actions d’éducation au commerce équitable, nous avons cherché à y poser dès le début les bases d’une évaluation d’impact.

C’est là pour moi un des apprentissages de cette recherche-action: si on veut évaluer un projet, il faut s’en préoccuper dès le début et non pas à la fin!

Ainsi, nous avons recruté deux volontaires à qui j’ai tenté de transmettre cet engouement pour l’évaluation de l’impact en ECSI en les incitants à la lecture du guide réalisé à la suite de la recherche action. Et la sauce a pris! Nous avons réfléchi ensemble à une méthodologie d’évaluation adaptée à notre projet et confirmé ses objectifs en termes de renforcement de compétences attendues des participants à ce projet (jeunes et encadrants). Durant 3 ans, un binôme recueillait la parole des participants aux 5 rencontres européennes, les mettant ensuite en perspective dans des rapports d’analyse très complets. D’autres activités ont également permis d’évaluer divers aspect: les compétences formelles et non formelles acquises par les jeunes (certains en risque de décrochage scolaire), l’appropriation du projet dans les structures…

Tout ceci constitue aujourd’hui une matière bien précieuse qu’il convient de capitaliser pour en retirer la substantifique moelle et permettre enfin à la FADM, 5 ans après cette recherche-action, de disposer d’une évaluation d’impact d’une de ses actions d’éducation au commerce équitable, de qualité, et dont les conclusions sont très attendues d’un bon nombre d’acteurs.

 

L’évaluation de l’impact de l’ECSI: une démarche d’avenir!

La loi de 2014 sur l’Economie sociale et solidaire ouvre aussi de nouvelles opportunités pour creuser plus loin ce chemin tortueux de l’impact de l’ECSI. Les acteurs français du commerce équitable sont donc tenus maintenant d’intégrer pleinement la dimension éducative du commerce équitable. Ainsi, la question se pose: «Que font les labels de commerce équitable pour contrôler l’engagement éducatif des acteurs du commerce équitable?». Branle-bas de combat chez les acteurs: l’éducation au commerce équitable est en passe de devenir un facteur de différenciation marketing dans la course des labels pour leur reconnaissance publique. On peut se réjouir que l’éducation soit l’avantage comparatif des acteurs, mais on peut aussi craindre un «ECSI’washing»! Dans ce contexte, l’évaluation de l’impact de l’ECSI peut devenir un outil pour travailler le sens, la vision politique et les pratiques pédagogiques de tout acteur souhaitant s’en prévaloir.

 



[1] Responsable Observatoire et Laboratoire – Educasol.

[2] Responsable Éducation - Fédération Artisans du Monde - et membre du réseau Educasol

[3] Voir http://www.educasol.org/IMG/pdf/Guide-EAD-web-1.pdf

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