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Contributo para a validação do Referencial de capacitação em Educação para o Desenvolvimento - uma proposta Sinergias ED

 

Instituições (OSC e IES) envolvidas: Escola Superior de Educação de Santarém (ESE Santarém), Instituto Politécnico de Beja (IP Beja), Instituto de Educação da Universidade de Lisboa (IE-UL), Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP/CIIE) e Fundação Gonçalo da Silveira (FGS).

Outras entidades envolvidas: CIDAC - Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral, Escola Superior de Educação de Portalegre (ESE Portalegre) e CLIP - Recursos e Desenvolvimento.

Quem fez o registo: Albertina Raposo (IP Beja), Dalila P. Coelho (FPCEUP/CIIE), Helena Salema (IE-UL), Hugo Marques (FGS), Jorge Cardoso (FGS) e Marta Uva (ESE Santarém).

Data de elaboração do registo: Este documento foi construído colaborativamente a partir do dia 25 de janeiro de 2018, dando-se por terminado no dia 30 de abril de 2018.

 

Palavras-chave: Referencial Sinergias ED; Processos colaborativos; Capacitação; Instituições de Ensino Superior; Organizações da Sociedade Civil.

 

Contexto da situação

Este trabalho colaborativo desenvolveu-se com base no Referencial para a capacitação em Educação para o Desenvolvimento - uma proposta Sinergias ED1  (daqui em diante chamado Referencial de capacitação Sinergias ED) elaborado durante a primeira edição do projeto Sinergias ED2. Este documento foi construído com o objetivo de apoiar processos de formação na área da Educação para o Desenvolvimento (ED), em Instituições de Ensino Superior (IES), Organizações da Sociedade Civil (OSC) e outras. Está organizado em torno das seguintes dimensões: áreas de abordagem e ação, objetivos de aprendizagem e níveis de conhecimento/apropriação do conceito de Educação para o Desenvolvimento à entrada. Assim, este referencial prevê três áreas de abordagem nos objetivos de aprendizagem – conceptual, metodológica e institucional – e três níveis de conhecimento da ED por parte das instituições e organizações participantes – desconhecimento da ED, contacto pontual com a ED, e trabalho regular em ED.

O Referencial de capacitação Sinergias ED foi criado no pressuposto de ser uma proposta dinâmica, baseada nas aprendizagens identificadas a partir da sua aplicação prática, a qual permitirá clarificar as suas mais-valias, assim como as suas fragilidades ou omissões. A partir da elaboração e execução de um plano específico que incluiu a realização de formações no terreno, procurou-se nesta edição do projeto reelaborar colaborativamente o documento, visando uma maior adequação às reais necessidades das IES e das OSC nesta matéria.

Os objetivos desta ação, dividida em várias atividades, foram descritos da seguinte maneira:

  • Preparar e dinamizar colaborativamente ações de formação baseadas no Referencial de capacitação Sinergias ED;
  • Experimentar e validar o Referencial de capacitação Sinergias ED;
  • Reforçar a dimensão colaborativa interinstitucional e intrainstitucional nos vários contextos de atuação das entidades;
  • Responder às necessidades e motivações específicas identificadas por cada entidade (ver Relato).

Esta memória tem como foco a reflexão sobre o processo colaborativo decorrente da implementação desta ação. Para tal, partimos de um relato do processo colaborativo onde se descreve como começou, as principais reflexões e ações do grupo, sintetizando os momentos das reuniões, preparações e formações. A partir daqui, partilhamos as principais aprendizagens identificadas pelo grupo com base num exercício de reflexão coletiva realizado especificamente para esse efeito.

 

Relato

O início…

Este processo colaborativo teve início no interesse de algumas entidades envolvidas na segunda edição do projeto Sinergias ED (2016-2018) na aplicação e validação do Referencial de capacitação Sinergias ED, elaborado na primeira edição do projeto (2013-2016). O processo propriamente dito começou no I Encontro IES/OSC promovido pela equipa de projeto, no dia 9 de fevereiro de 2017. Foi neste encontro que o grupo se formou e, seguindo a dinâmica proposta pela equipa de projeto Sinergias ED, Albertina Raposo do Instituto Politécnico de Beja (IP Beja), Marta Uva e Susana Colaço da Escola Superior de Educação de Santarém (ESE de Santarém), Isabel Ferreira e Luís Cardoso do Instituto Politécnico de Portalegre (IP Portalegre) e Hugo Marques e Jorge Cardoso da Fundação Gonçalo da Silveira (FGS) tiveram oportunidade de se conhecerem entre si e de refletir em conjunto sobre a proposta de colaboração a aprofundar no grupo.

Após o primeiro encontro, foi marcada uma reunião do grupo colaborativo com o objetivo de iniciar o processo colaborativo. A partir do documento de apresentação da proposta de trabalho colaborativo disponibilizado pela equipa do projeto Sinergias ED (ver anexo), as pessoas presentes partilharam as expetativas próprias e das entidades que representam. Para a ESE Santarém a importância deste trabalho colaborativo passava por fortalecer a área da ED na instituição e consolidar algumas reflexões e ligações que já existem. A ESE de Santarém vem dinamizando uma Rede de entidades locais que se quer que venham a trabalhar na área da ED/ECG, ligadas através de uma carta de compromisso. O Referencial de capacitação Sinergias ED poderia ser uma ferramenta importante para dar consistência a esta rede. A nível interno, a possibilidade de aprender mais sobre ED e, eventualmente ter um módulo transversal da disciplina para todas as unidades curriculares da ESE foi também uma das motivações que levaram à participação neste processo. As motivações do IP Beja estavam ligadas à falta de diálogo e de cultura de trabalho colaborativo diagnosticada entre os/as docentes da instituição, o que leva a um encerramento nas suas rotinas individuais. Por outro lado, foi entendido como importante a introdução de metodologias mais participativas, bem como a abertura a todos/as os/as docentes, de forma a que cada escola consiga ir para além das suas fronteiras físicas. A participação neste trabalho colaborativo poderia também contribuir para a modernização da instituição, tendo como exemplos metodologias diferentes. Através delas seria mais fácil responder a questões importantes para a instituição como por exemplo: O que é a educação? O que se pretende para os/as jovens? Quais são as suas inquietações? A ESE de Portalegre também partilhava da necessidade de promover o diálogo e o trabalho colaborativo dentro da instituição. Tendo-se já identificado o que se faz em ED (e quem) e verificado que várias temáticas ligadas à ED estavam presentes em várias unidades curriculares (UC), mas que as pessoas ligadas a estas UC não comunicam nem cruzam saberes, seria agora necessário trabalhar o “como se faz” e a ligação entre as diversas atividades e professores/as. Para a Fundação Gonçalo da Silveira, a motivação para este trabalho colaborativo passava por trabalhar, melhorar e disseminar o Referencial de capacitação Sinergias ED, fazendo-o em conjunto com outras instituições diretamente interessadas. Desta forma, para além das aprendizagens decorrentes de todo o processo, deste trabalho poderia realizar-se um conjunto de ações no terreno que concretizam o objetivo para o qual o referencial em questão foi criado.

Depois das expetativas partilhadas refletiram-se em conjunto as diferentes motivações no sentido de encontrar um sentido comum para a ação, tendo em conta as dimensões individuais e institucionais. Para esta parte foi importante a reflexão sobre as aprendizagens realizadas, apoiada no exercício de Sistematização de Experiências3 dos processos colaborativos realizado na anterior edição do projeto. No que diz respeito ao sentido comum da ação, identificou-se a preocupação em reforçar e enraizar a ED nos contextos formativos em que se inserem as diferentes entidades que pertencem ao grupo colaborativo. Para além disso, todas as instituições parceiras identificaram a importância de promover o diálogo e trabalho colaborativo enquanto fim em si mesmo.

O CIDAC, mesmo antes do grupo colaborativo iniciar este processo, já tinha manifestado interesse na ideia e possibilidade de validação entre pares de um documento deste tipo, podendo contribuir com o conhecimento sobre este tipo de processos que, a nível institucional, foi organizando e sistematizando ao longo dos últimos anos na sua intervenção ao nível da economia solidária. Aproveitando esta vontade conjunta em trabalhar a partir do referencial, foi também partilhada e discutida em conjunto a contribuição que o CIDAC faria para o processo de validação entre pares do Referencial de capacitação Sinergias ED.

 

O processo…

Depois do primeiro encontro promovido pelo projeto Sinergias ED que marcou o início da relação entre as pessoas e do trabalho colaborativo em torno deste referencial, o processo foi ganhando forma através da comunicação por e-mail e de reuniões periódicas (ver quadro 2). Os outros momentos criados pelo projeto nos encontros dinamizados entre todas as IES e OSC que participam nesta edição foram também importantes para a reflexão e organização do trabalho.

Durante este processo, a contribuição do CIDAC foi-se materializando através da produção de uma proposta de documento enquadrador sobre princípios de validação e certificação refletidos e sistematizados pela organização. Este documento e os vários contributos das entidades para a sua elaboração, apoiaram a reflexão sobre o que representa um trabalho entre pares, quais os princípios, que oportunidades e vantagens mais específicas apresenta ao grupo um processo de validação do referencial feito entre pares.

No decorrer do processo, a ESE de Portalegre foi manifestando a sua impossibilidade de acompanhar este processo colaborativo. No entanto, manteve o seu interesse no Referencial de capacitação Sinergias ED e na sua aplicação em contexto institucional, propondo uma ação de formação em Educação para o Desenvolvimento numa das turmas da ESE de Portalegre. Esta ação, prevista para Março de 2018, ficou inviabilizada pela sobreposição com outras iniciativas desta ESE.

Por outro lado, aquando do segundo encontro entre IES/OSC promovido pelo projeto Sinergias ED (Lisboa, abril de 2017) consolidou-se o interesse da Helena Salema (IE-UL) e da Dalila P. Coelho (FPCEUP/CIIE) na contribuição para todas as dimensões do trabalho colaborativo deste grupo, alargando-se assim, a partir de abril de 2017, o âmbito da parceria. Nesse encontro foi partilhado que, para ambas, a proposta de trabalho colaborativo lhes pareceu poder vir a ser enriquecedora e que a presença de observadores/as participantes críticos/as ao longo das formações seria importante para o processo de validação, podendo ser esse um papel que viriam a assumir. O grupo viria a integrar na sua composição final todas as entidades mencionadas, com exceção da ESE de Portalegre, pelas razões já expostas.

 

Síntese das ações

As ações que permitiram experimentar o Referencial foram sendo organizadas em grupo colaborativo, ficando a dinamização pensada em duplas colaborativas formadas pelas pessoas do grupo. A maioria das ações foram observadas por um dos elementos do grupo colaborativo, externo à dupla de formação, na lógica de “amigo-crítico”, com o propósito de apoiar a posterior reflexão em torno de aspetos pedagógicos e conceptuais das ações. Esta reflexão foi partilhada com as duplas responsáveis pela formação após a ação e em reunião de grupo. Realizaram-se as seguintes ações:

 

Quadro 1 - Formações realizadas – síntese

 

Quadro 2. Processos de trabalho do grupo colaborativo – síntese

 

Na discussão entre os pares sobre a validação do Referencial de capacitação Sinergias ED, os seus objetivos, o processo e quem participa nesta validação, o grupo chegou à conclusão que seria importante consultar todos/as os/as participantes do atual projeto Sinergias, envolvidos/as nas atividades do projeto, dentro e fora da parceria. Para tal, o grupo elaborou um pequeno inquérito4 com o objetivo de perceber o grau de conhecimento relativo ao Referencial, e de conhecer opiniões acerca da utilização e adequação do mesmo. O pedido de participação foi feito presencialmente no quarto encontro entre IES/OSC (Lisboa, fevereiro de 2018), e via e-mail. Assim, a validação do Referencial procurou olhar retrospetivamente para as ações de formação realizadas a partir deste documento, identificar aprendizagens, limites e oportunidades nas mesmas. Da análise conjunta destes elementos, da releitura crítica do documento, e dos dados apurados no questionário, iniciou-se um processo de revisão do Referencial que se espera terminar até ao final do projeto Sinergias ED.

 

Aprendizagens

Como pensámos sobre o que aprendemos?

A reflexão sobre as aprendizagens realizadas, que aqui retratamos, foi feita em reunião presencial com todos os elementos (uma participação via Skype), em 20 de março de 2018. Incidiu na dimensão colaborativa do grupo, e estruturou-se em dois momentos. Primeiramente, foi solicitado a cada um/a que elencasse por escrito três aprendizagens decorrentes da participação neste grupo. Num segundo momento, partilharam-se oralmente as reflexões individuais, que foram depois organizadas pelo grupo segundo os aspetos destacados. Assim, nesta reflexão sobre as aprendizagens que os elementos do grupo consideraram significativas emergiram aspetos de dinâmica relacional, de organização funcional dos trabalhos, de desenvolvimento profissional, e ainda referentes ao interconhecimento entre as realidades de OSC e IES. Ainda que estes elementos comuniquem entre si, expõem-se seguidamente as aprendizagens por referência a estes quatro aspetos.

 

Dinâmica relacional

Uma primeira aprendizagem diz respeito à importância de uma postura de acolhimento e abertura entre as entidades e respetivos/as representantes. Isto foi visto por todos/as como fundamental para gerir as mudanças surgidas no espaço de dois anos, e para que tenham sido encaradas pelo grupo como oportunidades de crescimento para o seu trabalho e propósitos, ao invés de obstáculos em si mesmas. Esta abertura de espírito às mudanças foi, aliás, salientada como crucial de forma unânime.

Foi também reconhecida a facilidade com que o grupo criou afinidade para que todos/as participassem nos seus propósitos, otimizando os diferentes perfis que o compõem. Existe hoje uma sensação de coesão do grupo, que vem da referida abertura e de um investimento em querer perceber o que cada elemento sabia, que experiências tinha, o que procurava no grupo e em que ponto estava no entendimento dos objetivos do próprio trabalho. Esta abertura foi vital até para reconhecer e aceitar que existiram momentos de alguma indefinição de papéis (ex. a entrada de novos membros), e da necessidade de por vezes ter de voltar atrás nos processos para que todos/as os pudessem acompanhar – “nem sempre aquilo que eu penso que o outro pensa é mesmo o que o outro pensa”, dizia-se na nossa reflexão. Isto tem implícito uma outra aprendizagem destacada por alguns elementos: o respeito sentido pelos tempos e contributos individuais, associado à confiança de que a outra pessoa vai fazer - no seu tempo, mas ciente do compromisso e eventuais prazos. Parece-nos que isto foi chave para resistir à tentação (destrutiva) de um controlo dos membros do grupo entre si.

A parte relacional foi, pois, destacada por todos/as como eixo central do processo colaborativo, como é bem visível nestes exemplos. A disponibilidade para reunir em vários momentos presenciais (em encontros gerais e reuniões próprias) ajudaram a estreitar as relações, a estruturar o trabalho fora da profusão de e-mails, e a dar-lhe impulso e continuidade.

 

Organização funcional dos trabalhos

Uma das aprendizagens mais destacadas diz respeito à importância de estruturar e organizar o trabalho, inclusive sob o ponto de vista cronológico. Quer isto dizer, documentar e registar os processos de trabalho à medida que eles acontecem. Deste modo, é mais fácil que qualquer pessoa esteja a par de todas as ações, recursos usados, documentos de trabalho e fluxo de comunicação, independentemente da sua participação nos mesmos e do momento de chegada ao grupo. Esta questão é particularmente importante, dadas as alterações na estrutura do grupo verificadas no decurso dos trabalhos, concretamente, a saída e entrada de novas entidades e pessoas. Apesar de cada membro ter mantido os seus registos e de a comunicação ser sempre feita com conhecimento de todos/as, há espaço para melhorar a organização do trabalho a este nível (ex. criar uma pasta com toda a documentação, acessível a todo o grupo).

Uma outra aprendizagem referida frequentemente foi a capacidade de auto-organização do grupo, dentro de uma lógica (talvez não consciente a priori) de que diferentes perfis podem otimizar diferentes tipos de tarefas necessárias nos processos entre mãos. Por outro lado, se manter o sentido “comum” da ação foi importante, garantir que os sentidos “particulares” são tidos em conta também. Por sentidos particulares entendemos os objetivos e expetativas de cada entidade e pessoa, o que se procurou especificamente com a participação neste grupo colaborativo. Em nosso entender, o grupo conseguiu um equilíbrio interessante entre estes dois sentidos.

 

Desenvolvimento profissional

Um outro conjunto de aprendizagens diz respeito ao que podemos considerar como desenvolvimento profissional. Por um lado, reforçou-se a consciência do potencial do trabalho colaborativo na construção de conhecimento, no caso concreto, ao nível do referencial criado e dos processos de capacitação em ED. Um outro exemplo descrito refere-se ao contacto com metodologias não formais de trabalho colaborativo, sendo as experiências e práticas dos outros membros do grupo uma fonte de aprendizagem importante. Como notou um dos membros “este cruzamento de saberes, isso em si, para mim, é transformação social”.

 

Interconhecimento OSC/IES

Em articulação com o ponto prévio, existe ainda uma consciência dos ganhos em termos do conhecimento mútuo entre organizações da sociedade civil e instituições de ensino superior. Por um lado, o trabalho colaborativo entre os dois tipos de atores é visto como fundamental na sua aproximação, e gerou a possibilidade de IES aprenderem mais sobre a realidade de OSC e vice-versa (ex. os processos pedagógicos mobilizados em cada caso). Um aspeto interessante deste interconhecimento: os espaços informais são fundamentais. Como reconhecem vários elementos, muitas destas aprendizagens mútuas foram feitas nos espaços de transição das tarefas propriamente ditas (ex. viagens para os locais de formação; pausas das reuniões).

 

Em síntese, de onde partimos e como fomos caminhando?

Um importante primeiro ponto foi encontrar um sentido comum para o grupo colaborativo, e procurar integrar nele as complementaridades e bagagem de cada membro. Na relação criada ao longo de dois anos, foram cruciais os encontros presenciais que, entendemos, permitiram mais facilmente estreitar relações e acomodar passo a passo as mudanças no grupo, designadamente, integrar novas pessoas. Nessa relação foi sentido como particularmente importante o respeito pelos tempos individuais, os processos e contributos de cada um/a. Desta abertura, resultaram aprendizagens recíprocas (ex. metodologias) e um maior conhecimento mútuo das realidades experienciadas por IES e OSC. Uma vez que o referencial que se pretendeu testar e validar neste grupo se destina tanto a aplicação em contexto de ensino superior, quanto das organizações da sociedade civil, este conhecimento mútuo foi um resultado importante em si mesmo. O trabalho colaborativo entre IES/OSC é, pois, sentido como fundamental na aproximação entre estes dois tipos de atores, na medida em que permite um conhecimento mais próximo das dinâmicas, constrangimentos de cada tipo de ator, e contribuiu para desconstruir ideias por vezes cristalizadas a respeito do papel de cada tipo de entidade (‘Try walking in my shoes’, já dizia a canção...).

 

 
 

 


[3] O exercício de Sistematização de Experiências (SE) que se realizou no âmbito da primeira edição do projeto Sinergias ED permitiu explicitar a trajetória de um grupo localizando os elementos, características, contradições e desafios da etapa em que se encontrava ao tentar elucidar e fortalecer um dos seus aspetos principais – as relações de colaboração – para a continuidade do projeto. O ponto de partida e algumas das perguntas iniciais foram identificados pela coordenação do projeto. Aqui pode ver o relatório final: http://www.sinergiased.org/index.php/ies-osc/sistematizacao-de-experiencias.